Relações trabalhistas

Presidente da CNC defende mais orientação aos produtores sobre regras trabalhistas na colheita do café

Presidente da entidade afirma que casos de trabalho degradante devem ser combatidos, mas cobra procedimentos simplificados e maior diálogo com os órgãos de fiscalização

Foto: divulgação/magnific.com/br/fotos

O Conselho Nacional do Café (CNC) defende a ampliação das ações de orientação aos produtores rurais sobre a legislação trabalhista e a adoção do princípio da dupla visita nas fiscalizações realizadas em propriedades cafeeiras. O posicionamento é do presidente da entidade, Silas Brasileiro, que também propõe a simplificação dos procedimentos para a contratação formal de trabalhadores durante a colheita.

Segundo Brasileiro, os casos de descumprimento das normas trabalhistas seriam esporádicos, mesmo durante o período de maior movimentação nas lavouras, quando cresce a contratação de mão de obra. Ele afirma que o setor é contrário a qualquer forma de trabalho degradante e que há maior conscientização sobre a necessidade de garantir condições dignas aos trabalhadores rurais.

O presidente do CNC pondera, no entanto, que ocorrências isoladas não devem comprometer a imagem dos produtores que cumprem a legislação. Para ele, a repercussão desses casos pode afetar a percepção do café brasileiro no mercado consumidor internacional.

“Não podemos colocar em risco ou comprometer a imagem dos produtores que se dedicam a manter condições de trabalho decentes em suas propriedades em razão de casos esporádicos”, afirma.

A preocupação, segundo Brasileiro, é maior na cafeicultura devido à relevância econômica e social da atividade. Além da participação nas exportações brasileiras, a produção de café mobiliza grande quantidade de trabalhadores, principalmente durante a colheita.

Formalização dos trabalhadores

O CNC considera necessária a formalização dos trabalhadores por meio da Carteira de Trabalho, mas defende que os procedimentos de registro sejam simplificados para facilitar a regularização das relações de trabalho.

Brasileiro também cobra maior divulgação da regra que permite a permanência das famílias no Cadastro Único mesmo após a assinatura da carteira. O vínculo formal de trabalho, isoladamente, não resulta na exclusão automática de programas como o Bolsa Família, cuja concessão depende do atendimento aos critérios de renda e às demais regras do benefício.

De acordo com o presidente do CNC, a falta de informação pode fazer com que alguns trabalhadores resistam à formalização por receio de perder benefícios sociais.

Jornada e pagamento por produtividade

Outro ponto levantado pela entidade envolve o controle da jornada dos trabalhadores remunerados por produção, medida ou quantidade colhida.

Brasileiro afirma que os produtores enfrentam dificuldades para impedir que trabalhadores ultrapassem a jornada regular na tentativa de aumentar a remuneração. Para o CNC, essa situação deve ser considerada durante as fiscalizações e não pode, por si só, resultar no enquadramento da propriedade como responsável por condições irregulares de trabalho.

A entidade sustenta, porém, que os produtores devem manter o controle da jornada, respeitar os períodos de descanso e garantir o cumprimento das normas trabalhistas aplicáveis às atividades rurais.

Uso de equipamentos de proteção

O presidente do CNC também reforça que cabe aos cafeicultores fornecer gratuitamente os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), orientar os trabalhadores sobre a utilização correta e manter comprovantes da entrega.

Segundo Brasileiro, quando os equipamentos forem fornecidos e as orientações estiverem devidamente documentadas, uma eventual recusa do trabalhador em utilizá-los não deveria ser automaticamente atribuída ao produtor.

A posição da entidade é que cada caso seja analisado considerando as medidas efetivamente adotadas na propriedade para proteger a saúde e a segurança dos trabalhadores.

Vacinação antitetânica

O CNC também aponta falta de informação entre os produtores sobre as exigências relacionadas à vacinação antitetânica dos trabalhadores rurais.

Brasileiro defende a realização de campanhas de esclarecimento sobre as obrigações sanitárias e trabalhistas aplicáveis às propriedades, especialmente antes do início da colheita.

Fiscalização com orientação

Para o presidente do conselho, deve haver maior aproximação entre os órgãos de fiscalização, as entidades representativas e os produtores rurais.

O CNC defende a aplicação do princípio da dupla visita, pelo qual a primeira inspeção tem caráter prioritariamente orientador em situações previstas pela legislação, permitindo a correção de irregularidades antes da aplicação de penalidades.

A entidade ressalva que esse procedimento não deve ser adotado diante de situações que representem desrespeito à dignidade humana ou submetam trabalhadores a condições degradantes.

“Deve haver maior aproximação entre os órgãos de fiscalização e os produtores, priorizando a orientação e garantindo a oportunidade para que sejam realizadas as correções necessárias”, conclui Brasileiro.

O presidente do CNC também afirma esperar que as inspeções trabalhistas ocorram em um ambiente de maior confiança e diálogo, sem a necessidade de acompanhamento policial, exceto quando houver riscos concretos à segurança das equipes de fiscalização.

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