Empreendedorismo no café

Empreendedor transforma Kombi em ponto de venda dos cafés de qualidade que ele mesmo produz

Sem produzir café, Erwin Kretzschmar investiu em torrefação, criou a Peter Coffee e transformou uma Kombi em ponto móvel de vendas em Vitória

Foto: arquivo pessoal

Erwin Gustavo Kretzschmar, de 59 anos, faz questão de deixar claro que não é cafeicultor. Natural de Rio Bonito, no interior de Santa Teresa, e morando há anos em Vitória, ele sempre sonhou em voltar para o campo. A oportunidade apareceu quando percebeu que praticamente todos os vizinhos de sua propriedade, em Santa Leopoldina, cultivavam café, mas ninguém torrava a produção.

A pergunta que mudou sua trajetória foi simples: “Quem torra o café desses produtores?”. A resposta deu início a um novo negócio. Ele decidiu investir em um elo pouco explorado da cadeia produtiva: o beneficiamento do café, da torra ao envase, e a sua comercialização. Nascia, assim, a Peter Coffee.

Há cerca de dois anos, quando surgiu essa ideia, Erwin começou a estudar torrefação, fez quatro cursos de especialização e tornou-se mestre de torra. Investiu na construção de um galpão no sítio, localizado na divisa entre Santa Teresa, Santa Leopoldina e Santa Maria de Jetibá, adquiriu torrador, moedor e equipamentos para beneficiamento, além de criar a própria marca.

A comercialização também foge do convencional. Em vez de depender exclusivamente de cafeterias e mercados, Erwin transformou uma Kombi em um ponto móvel de vendas. Com autorização da Prefeitura de Vitória, estaciona de segunda a quinta-feira ao lado da Unidade de Saúde de Jardim Camburi, onde oferece degustações aos clientes.

A estratégia tem dado resultado, e o crescimento do negócio é perceptível. O empreendedor ainda não ampliou a produção devido às limitações financeiras, já que precisou começar do zero, investindo na aquisição de equipamentos e na criação da marca. A Kombi, por enquanto, tem apenas um adesivo na porta para identificação, mas a ideia é plotar todo o veículo.

“No início, eu torrava apenas meio saco de café por mês. Atualmente, processo cerca de 60 quilos por semana e vendo tudo. As pessoas experimentam, surpreendem-se com o sabor e voltam para comprar. Muitos descobrem ali que é possível tomar um café especial sem açúcar”, conta.

A rotina é dividida entre o campo e a cidade. Durante a semana, Erwin vende seus produtos em Vitória. Na sexta-feira, retorna ao sítio para realizar a torra dos cafés que serão comercializados na semana seguinte.

O objetivo é, em breve, morar definitivamente no sítio e dedicar-se integralmente ao empreendimento. Para ele, o mercado de cafés especiais ainda está longe de atingir seu potencial. “Existe muita gente que ainda não conhece esse tipo de café. À medida que as pessoas experimentam uma bebida de qualidade e percebem que não precisam adoçá-la, passam a consumi-la. É um mercado enorme e que ainda tem muito espaço para crescer”, acredita.

Erwin e a esposa, Luceni Kretzschmar, Sub Tenente do Hospital da Polícia Militar, que nas horas de folga ajuda no beneficiamento dos cafés. Foto: aquivo pessoal

“Cafequizando” os produtores

Sem produção própria, Erwin compra cafés especiais produzidos por agricultores da região. Ele já é reconhecido entre os produtores como alguém que incentiva a produção de cafés de qualidade. “Depois que comecei a estudar sobre o assunto, percebi que poucos produtores atendiam aos critérios exigidos para um café especial. Eu costumo dizer que estou ‘cafequizando’ o povo da minha região”, brinca.

A oportunidade de ampliar essa rede surgiu durante o 1º Concurso de Cafés Especiais de Santa Leopoldina. Inicialmente, Erwin participou do evento em busca de novos fornecedores, mas acabou se envolvendo diretamente no movimento de fortalecimento da cafeicultura local.

Em parceria com o Incaper e o Senar, ajudou a organizar cursos para mostrar aos produtores o que o mercado de cafés especiais procura e quais práticas são necessárias para alcançar esse padrão de qualidade.

Erwin incentiva irmãos, primos e vizinhos a aprimorarem o manejo e, principalmente, os processos de pós-colheita para, futuramente, comprar a produção deles. Enquanto isso, continua adquirindo lotes de produtores que já atingem o padrão de qualidade desejado para o beneficiamento.

As embalagens da Peter Coffee também refletem essa preocupação com a qualidade. Cada produto possui rastreabilidade, permitindo ao consumidor conhecer a origem do café e o produtor responsável pelo lote.

Sobre o autor Rosimeri Ronquetti Rosi Ronquetti é jornalista, formada em 2009 e pós-graduada em gestão em assessoria de comunicação. Repórter do agro, sua atuação se concentra na produção de reportagens do setor (incluindo perfis e histórias). Algumas de suas reportagens conquistaram premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos

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