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A informação de que um terremoto de magnitude 8,9, seguido de tsunami, atingirá a costa brasileira em setembro é falsa. O alerta foi divulgado pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) após a circulação, nas redes sociais, de um vídeo que apresenta um suposto site oficial com a previsão do desastre. O conteúdo não possui respaldo científico.
A principal evidência de que se trata de desinformação está na própria alegação de uma data, um local e uma magnitude definidos. Atualmente, não existe método científico capaz de determinar antecipadamente esses três elementos de um terremoto. O que os pesquisadores conseguem produzir são avaliações probabilísticas de risco sísmico para determinadas regiões e períodos, e não previsões exatas de quando um tremor acontecerá.
O cenário apresentado no vídeo também não é considerado plausível diante das características geológicas do Brasil. O território nacional está localizado no interior da Placa Sul-Americana, distante das zonas de contato entre placas tectônicas, onde estão concentrados os terremotos mais intensos do planeta.
Na América do Sul, a maior atividade sísmica ocorre principalmente na região dos Andes, onde a Placa de Nazca avança sob a Placa Sul-Americana. No território brasileiro, os tremores são classificados, em geral, como intraplaca e apresentam intensidade menor do que os registrados nos limites tectônicos.
Isso não significa que o Brasil seja completamente livre de terremotos. Pequenos e médios abalos são registrados no país, alguns deles sentidos pela população. O maior terremoto documentado em território brasileiro ocorreu em 1955, ao norte de Cuiabá, em Mato Grosso, e teve magnitude estimada em 6,2. O registro está muito abaixo da magnitude 8,9 apresentada no vídeo falso.
A RSBR monitora continuamente a atividade sísmica em todo o território nacional. A estrutura reúne mais de 90 estações que transmitem dados em tempo real e é formada pelo Observatório Nacional, pela Universidade de Brasília, pela Universidade de São Paulo e pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. As informações produzidas pela rede auxiliam na identificação dos tremores, na avaliação de riscos e no combate a boatos que possam provocar pânico.
A circulação do conteúdo ocorre em um contexto no qual terremotos de grande magnitude registrados em outros países costumam despertar dúvidas sobre possíveis impactos no Brasil. Entretanto, a ocorrência de um evento sísmico em outra região não confirma previsões divulgadas anteriormente nem valida páginas sem identificação institucional.
Alertas verdadeiros sobre terremotos ou tsunamis devem ser confirmados em canais oficiais, como a Rede Sismográfica Brasileira, o Observatório Nacional, o Serviço Geológico do Brasil e os órgãos de Defesa Civil. Vídeos que apresentam datas exatas para grandes terremotos, sem estudos, boletins técnicos ou identificação dos pesquisadores responsáveis, devem ser tratados como desinformação.






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