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Os produtores de morango do Espírito Santo estão prestes a ganhar um novo aliado no combate ao ácaro rajado (Tetranychus urticae). Um inimigo silencioso e quase invisível, o ácaro rajado é a principal praga da cultura do morangueiro no Estado, especialmente em cultivos suspensos, (semi hidropônico). Quando não é controlado de forma correta o ácaro rajado pode comprometer 100% das lavouras.
Em busca de uma solução eficiente para combater a praga, entra em cena a inteligência artificial. O Projeto denominado Solução web/mobile Baseada em Inteligência Computacional para Identificação de Infestação por Ácaros Rajados em Culturas de Morango, do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) Campus de Serra, em parceria com a área de pesquisa do Ifes Campus de Alegre, criou um aplicativo capaz de identificar ácaro rajado na lavoura de morangos.
Atualmente os produtores fazem o monitoramento manual. Com a ajuda de uma lupa realizam uma varredura na lavoura para saber onde tem o ácaro rajado e assim dispensar no local certo o ácaro predador, no caso de quem faz o controle biológico, ou a pulverização com os acaricidas, para os produtores que trabalham com o combate convencional de pragas. Um processo demorado, cansativo e incerto.
Inseto minúsculo, a fêmea tem em média 0,5 milímetros de comprimento e o macho 0,3, o maior desafio no combate ao ácaro rajado é justamente monitorar a praga.
“Devido ao ciclo curto, grande número de hospedeiros e alta capacidade reprodutiva, o maior desafio dos produtores é monitorar essa praga na cultura do morangueiro. Com o aplicativo será possível perceber sua flutuação populacional, o que permitirá que o melhor método de controle seja definido ao longo dos diferentes momentos do cultivo, otimizando seu manejo. Da forma que é hoje muitas vezes quando se aplica um defensivo, se ele for de contato, é difícil acertar o alvo”, explica Victor Dias Pirovani, doutor em Produção Vegetal, professor no Ifes de Alegre e coordenador do Laboratório de Entomologia e Acarologia Agrícola (Laben).
Com o aplicativo instalado no celular, Android ou iOS, o produtor faz 20 fotos a cada mil metros quadrados, na lavoura, e envia para uma central. O sistema conta os ácaros rajados e devolve para o produtor um diagnóstico com a recomendação de onde e quantos ácaros predadores liberam na lavoura ou a quantidade de defensivos que deve ser aplicado.
“O software web é integrado a um sistema de banco de dados e a uma Inteligência Artificial e indica qual a melhor técnica de manejo no contexto das fotos analisadas. Às vezes recomenda apenas monitorar o plantio, pedir ajuda de um entomologista, liberar ácaros predadores em determinadas quantidades ou até liberar algum acaricida se a infestação estiver em nível grave”, disse o professor Fidelis Zanetti de Castro, que coordena o projeto.
Ainda segundo Zanetti, o sistema tem o potencial de transformar o manejo de pragas em cultivos de morango, seja facilitando a identificação e o monitoramento de infestações, seja por meio de uso de técnicas de controle mais sustentáveis.
“O sistema proporciona uma visão clara do estado das culturas e das melhores estratégias para controlar o ácaro-rajado. O monitoramento contínuo do cultivo, além de promover a redução da dependência de pesticidas, melhora a qualidade das frutas produzidas, aumenta a produtividade e a qualidade dos produtos e consequentemente aumenta a renda dos agricultores e proporciona uma melhor qualidade de vida para os consumidores”, salienta o professor.
Atualmente o software passa por testes realizados pelos pesquisadores e em seguida será disponibilizado para o período de testes com os produtores. Zanetti explica ainda que o sistema é de baixo custo, cerca de R$ 20 reais, e capaz de fazer outras análises sobre o manejo da lavoura.

O trabalho faz parte do Projeto de Fortalecimento da Agricultura Capixaba (Fortac). Para a produção de morango, o projeto também inclui o desenvolvimento de uma pesquisa de viabilidade agronômica de substratos alternativos para a produção da fruta e o Projeto Manejo do Ácaro-rajado na Cultura do Morangueiro, coordenado pelo professor Victor.
“Estamos na terceira fase do projeto e boa parte dos trabalhos já estão avançados. Além de aumentar a segurança alimentar de quem consome o morango e diminuir o contato dos produtores com os agrotóxicos, as pesquisas caminham para melhorar o cultivo da fruta em vários aspectos, entre eles, a diminuição do custo de produção e o melhor desempenho das lavouras”, destaca Sávio Berilli, professor do Ifes de Alegre, coordenador da pesquisa do substrato e coordenador geral do Fortac.





