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O abate de frango no Espírito Santo encerrou 2024 com 135,4 mil toneladas de carcaças, resultado que confirma a estabilidade da atividade no estado e sua manutenção próxima de 1% da produção nacional. O desempenho capixaba evoluiu de forma consistente ao longo da última década, saindo de 85,8 mil toneladas em 2014 para patamares acima de 130 mil toneladas desde 2016.
Os dados nacionais mostram um mercado igualmente robusto. O Brasil fechou 2024 com 13,7 milhões de toneladas abatidas. A série histórica indica que o volume brasileiro oscilou entre 12,8 e 14,6 milhões de toneladas entre 2014 e 2024.
A fatia do Espírito Santo avançou de 0,69% em 2014 para a casa de 1% nos anos seguintes, chegando ao pico de 1,05% em 2022. Em 2024, a participação ficou em 0,99%.
Ovos de galinha
A produção de ovos de galinha no Espírito Santo registrou recuperação em 2024, alcançando 380,6 milhões de dúzias após dois anos de retração. O resultado confirma a força da atividade na avicultura estadual e consolida uma trajetória de expansão que se intensificou a partir de 2016, quando o setor passou a registrar saltos expressivos tanto em volume quanto em valor.
Os números mostram que o estado saiu de 271,2 milhões de dúzias em 2014 para atingir um dos maiores patamares da série histórica em 2024. O valor da produção acompanhou essa evolução e ultrapassou R$ 1,8 bilhão no último ano, resultado apenas inferior ao pico registrado em 2023, quando a receita ultrapassou R$ 1,96 bilhão.
A distribuição territorial evidencia a forte concentração da atividade em Santa Maria de Jetibá, que respondeu por mais de 91% de toda a produção estadual em 2024, sustentando sua posição histórica de maior polo produtor de ovos do estado. O município produziu 346,6 milhões de dúzias, desempenho muito superior ao dos demais centros produtores. Santa Teresa, Santa Leopoldina, Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante completam o grupo de maior representatividade, mas com participação bastante inferior.
Ovos de codorna
A produção de ovos de codorna no Espírito Santo encerrou 2024 com 45,1 milhões de dúzias, resultado que mantém o setor em patamar estável após oscilações mais acentuadas nos anos anteriores. A série histórica mostra que o volume estadual já esteve acima de 80 milhões de dúzias, como em 2019, mas desde 2020 segue uma trajetória de acomodação.
Mesmo com a redução no volume produzido em relação aos anos de maior intensidade, o valor da produção continuou em alta. O faturamento do setor chegou a R$ 99,2 milhões em 2024, o maior da série histórica registrada. A evolução do valor, que passou de R$ 29,3 milhões em 2014 para quase R$ 100 milhões em 2024, indica que o mercado permanece atrativo.
A distribuição territorial da produção revela forte concentração em Santa Maria de Jetibá, responsável por praticamente todo o volume estadual em 2024, com 44,5 milhões de dúzias. Os demais municípios contribuíram com parcelas muito menores, como Santa Teresa, Domingos Martins, Santa Leopoldina e Barra de São Francisco.
Suínos
O Espírito Santo encerrou 2024 com 32,3 mil toneladas de suínos abatidos, alcançando o maior volume da série histórica. Os dados mostram que o estado expandiu sua produção de forma consistente ao longo da década.
Em 2014, o volume abatido era de 13,7 mil toneladas e, desde então, houve progressão gradual, com crescimento mais expressivo a partir de 2016.
No cenário nacional, o Brasil manteve trajetória de alta e atingiu 5,35 milhões de toneladas abatidas em 2024.
Avicultura capixaba mantém cautela, avança em 2025 e projeta ajustes para 2026
A avicultura de postura comercial do Espírito Santo registrou estabilidade ao longo de 2024 e 2025. Até outubro deste ano, o segmento apresentou cerca de 1% de crescimento na produção em relação ao ano anterior, ritmo que deve se manter até o fechamento do exercício. Apesar da leve evolução, os alojamentos mensais de 2025 indicam retração em comparação ao mesmo período de 2024, o que pode resultar em números produtivos menores em 2026.
Ainda assim, o estado permanece como um dos principais produtores de ovos do país, ocupando a terceira posição nacional e mantendo Santa Maria de Jetibá como o maior município produtor de ovos do Brasil. No panorama nacional, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta alta de 7,9% na produção brasileira de ovos em 2025.
Recuperação
Enquanto a postura opera de forma mais estável, a produção capixaba de frango de corte vive um movimento de retomada. Depois de encerrar 2024 com queda de 2,5% em relação a 2023, o setor alcançou, até outubro de 2025, um crescimento acumulado de 15% frente ao mesmo período do ano anterior.
O avanço reflete principalmente a busca por recompor volumes que haviam recuado nos últimos anos. A expectativa nacional segue a mesma direção: a ABPA estima que a produção brasileira de 2025 pode superar em até 2,2% o desempenho de 2024.
Desafios
O diretor-executivo da Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (Aves), Nélio Hand, destaca que o crescimento mais cauteloso da avicultura capixaba está diretamente ligado às dificuldades enfrentadas em anos anteriores, quando os custos de produção tiveram forte impacto.
Hand aponta ainda a concorrência tributária com outros estados produtores como um dos principais entraves para a competitividade local. Soma-se a isso, segundo ele, “desafios relacionados aos conceitos sanitários, ambientais, de bem-estar animal, melhorias na logística de insumos, meios para ajudar a amenizar as dificuldades com mão de obra; legislações e demais ferramentas que estejam condizentes com a realidade e não engessem o setor”, avalia.
Avanços discretos, mas importantes
Mesmo em um ambiente de cautela, o setor registrou avanços em 2025. No entanto, segundo ele, “o produtor está cauteloso, especialmente frente aos momentos difíceis passados em anos recentes e frente às dúvidas que se postam em alguns momentos. O fato de existir melhor remuneração é um dos pontos positivos, mas que precisa ser mais constante e linear para que o produtor e a indústria possam se sentir seguros para investir”.
Posição nacional permanece estável
O Espírito Santo manteve, em 2025, suas posições no cenário brasileiro: terceiro maior produtor de ovos e 14º na produção de frangos.
Na postura, o estado já ocupou a segunda colocação nacional. “A posição foi perdida em decorrência da queda ocorrida durante a crise dos altos custos, no início da década de 2020. Mas isso não tirou o protagonismo da produção local, já que Santa Maria de Jetibá permanece como o maior município produtor de ovos do país”.
Perspectivas para 2026
As projeções nacionais indicam que 2026 deve ser um ano de ajustes, tanto para a postura quanto para o frango de corte, com evolução possivelmente menor do que a registrada entre 2024 e 2025.
“E aqui no Espírito Santo não deve ser diferente, o setor deve seguir com cautela. Existe expectativa de melhoras nas exportações. No caso da postura comercial capixaba, a tentativa de retomar os volumes perdidos, especialmente em decorrência do tarifaço dos Estados Unidos, e no frango, buscando o incremento nos mercados existentes. Também se espera que os desafios locais, que prejudicam a concorrência com demais estados produtores, possam ser minimizados”, finaliza.





