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A possibilidade de formação de um El Niño forte ou muito forte ganhou peso nas projeções climáticas para 2026. Boletim atualizado em 1º de junho pelo Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, ligado à NOAA, mantém o Pacífico em condição neutra, mas indica avanço claro dos sinais de aquecimento no oceano.
Segundo o documento, o status atual é de “El Niño Watch”, usado quando há condições favoráveis para o desenvolvimento do fenômeno. A probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho de 2026 é de 82%. Para o período de dezembro de 2026 a fevereiro de 2027, a chance de continuidade chega a 96%.
O dado que mais chama atenção está na projeção de intensidade. Para o trimestre entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, o boletim aponta uma chance combinada próxima de dois terços para ocorrência de El Niño forte ou muito forte. Isso significa que o cenário deixou de ser apenas de possível formação do fenômeno e passou a incluir, com mais força, o risco de um evento de maior intensidade.
Os sinais vêm do aquecimento observado no Pacífico Equatorial. Nas últimas semanas, as temperaturas da superfície do mar ficaram próximas ou acima da média nas porções central e leste do oceano. A região Niño 3.4, uma das principais referências para o monitoramento do fenômeno, apresentou anomalia semanal de 0,5 °C. Também houve aquecimento nas regiões Niño 4, Niño 3 e Niño 1+2.
Apesar disso, a NOAA ainda não classifica o quadro como El Niño plenamente estabelecido. Para a confirmação, é necessário que o aquecimento do oceano seja acompanhado por padrões atmosféricos persistentes e compatíveis com o fenômeno. Pelos critérios operacionais do órgão, as anomalias na região Niño 3.4 precisam atingir ou superar 0,5 °C, com resposta atmosférica consistente e previsão de continuidade por pelo menos três meses.
As projeções do modelo CFS.v2, do NCEP, reforçam a tendência de transição para El Niño no próximo mês, com manutenção do aquecimento até o inverno do Hemisfério Norte de 2026/2027. O modelo também mostra intensificação das anomalias de temperatura no Pacífico ao longo do segundo semestre.
O acompanhamento é relevante porque eventos fortes de El Niño costumam alterar padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo. No Brasil, o fenômeno pode influenciar a distribuição das chuvas, favorecer ondas de calor e aumentar o risco de eventos extremos, dependendo da intensidade e da combinação com outros sistemas climáticos.
A próxima atualização mensal do diagnóstico do ENSO será decisiva para indicar se o aquecimento em curso será suficiente para consolidar a formação do El Niño e confirmar se o cenário de maior intensidade continuará ganhando força.




