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O Espírito Santo está vivendo um momento de grande crescimento no mercado externo da carne bovina. As exportações, principalmente para a China, têm registrado números expressivos, impulsionadas por investimentos em genética, melhorias no manejo dos animais e a qualificação e profissionalização do setor.
Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), apurados pela Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo (Seag), revelam um aumento exponencial nas exportações da proteína nos últimos anos. Para dar uma ideia do crescimento, em 2021, o Estado exportou 1,8 toneladas, número que saltou para 4,5 toneladas entre janeiro e setembro de 2024.
Marcos Pereira, diretor de Originação e Relações Institucionais do Frisa, único frigorífico capixaba a exportar para a China, conta que o grupo começou a vender diretamente para o país asiático em março de 2023. Antes, os pecuaristas vendiam para outros Estados. “Ou seja, o produtor tem uma motivação a mais para produzir. Vendendo diretamente do Espírito Santo para a China, eles recebem um valor maior pela arroba dos animais”, explica, citando que outro ponto positivo e que pode alavancar a pecuária de corte no Estado, é a idade dos animais para exportação chinesa.

“Os animais devem ter menos de 30 meses e quatro dentes definitivos, o que estimula o investimento em genética e representa um estímulo para aprimorar a qualidade do rebanho, aumentando assim a rentabilidade”, explica.
Renata Erler, especialista em Gestão Pecuária 360º, destaca que o final do ciclo pecuário em 2019 e 2020, com a consequente alta nos preços da carne, foi um dos principais motivos para o aumento da produção. “Outro fator importante foi a habilitação do frigorífico para exportar para a China, o que acelerou o ciclo produtivo e aumentou o volume produzido”, explica.
A especialista ressalta ainda que o Espírito Santo, apesar de ter um rebanho menor em comparação com outros Estados, se destaca pela qualidade e segurança da sua produção. “Chegamos a 73.900 toneladas de carne frente a um universo nacional de 84 milhões de toneladas. Cerca de 96% da carne produzida no Espírito Santo é assistida por algum órgão de fiscalização, o que garante um produto de alta qualidade para os consumidores”, afirma Renata Erler, que salienta, ainda, que há muito potencial de crescimento da pecuária de corte no Estado, mas o produtor deve evoluir no manejo de pasto, o que pode fazer com que a produção capixaba dobre.

Mercado doméstico
Nem toda carne produzida em solo capixaba vai para outros países. É o caso de Caio Wan-Del-Rey, pecuarista da Fazenda Recanto de Ouro, em Mucurici, que trabalhava tanto com pecuária de corte quanto de leite. Da quarta geração da família no segmento, ele conta que a profissionalização do negócio, com a contratação de consultoria e a implementação de novas tecnologias, foi fundamental para triplicar a produção da fazenda nos últimos anos. Mas, para isso, deixou de lado a produção de leite e colocou sua força de trabalho na produção de carne.
“A consultoria nos trouxe um novo olhar para a pecuária. Passamos a olhar para todos os aspectos do negócio, desde a gestão de pessoas até o financeiro. Hoje, tomamos todas as nossas decisões com base em dados e em um planejamento estratégico”, afirma Wan-Del-Rey.
Ele conta que 100% da produção fica no Espírito Santo, especialmente por conta do beneficiamento da proteína, o que gera mais lucro e permite manter a venda doméstica. ”Nós temos a marca de carne de sol @Montanha, que trabalha cortes especiais. É a única marca de carne de sol do Brasil com selo federal que permite que comercializemos para todo o território brasileiro. Com a carne de sol, processamos vários outros itens, como almôndegas, linguiça, hambúrguer, e todos os cortes bovinos”, conta.
Ele afirma que a @Montanha nasceu quando ainda estava estudando e vendia carnes de sol para ter uma renda extra. “O tempo foi passando e fui percebendo que não tinha uma padronização na produção da carne. Uma hora estava com gordura em excesso, outra hora mais magra; uma hora tinha mais sal, às vezes menos; algumas vezes mais duras e outras mais macias. Isso porque não tinha padronização do processo. Foi aí que comecei a comprar a carne e eu mesmo produzia para padronizá-la e assegurar a qualidade na produção”, acrescentou o empresário.
Nasceu aí a ideia de um plano de ação para a profissionalização dos processos. “Um exemplo simples: não tínhamos balança na propriedade. Hoje em dia, é impossível fazer uma pecuária de corte sem balança, mas hoje apenas 10% apenas das propriedades de gado de corte no Brasil tem balança. Isso tem de ser visto como investimento, e não gasto. Não podemos tocar a pecuária de forma tão rudimentar, temos de buscar métricas, processos e números. Nossas decisões têm de ser tomadas com base no planejamento por safra e olhando para os indicadores produtivos, financeiros e de fluxo de caixa”, finaliza.




