Anuário do Agro Capixaba

Aracruz se consolida como maior produtor de mel do Espírito Santo

por Rosimeri Ronquetti

em 14/03/2023 às 11h08

4 min de leitura

Aracruz se consolida como maior produtor de mel do Espírito Santo

FOTO: WENDERSON ARAUJO/TRILUX

Conhecida por suas belezas naturais e praias tranquilas, Aracruz assumiu o posto de maior produtor de mel do Espírito Santo. O município passou de 67,5 toneladas produzidas em 2020 para 80,075t em 2021. Os dados foram consolidados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e elaborados pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). No mesmo levantamento, Marechal Floriano e Fundão aparecem empatados em segundo lugar estão, ambos com produção de 80 toneladas. 

“Aracruz tem um pasto apícola muito favorável para a atividade: vegetação nativa e cultivos de eucalipto e café. Isto faz com que os apicultores explorem essas áreas, seja com apicultura fixa ou migratória. Isso tudo, somado às capacitações e repasses de técnicas de produção ao longo dos anos, faz com que o município tenha uma ótima produção de mel”, salienta o presidente da Federação Capixaba de Apicultores do Espírito Santo (Fecapis), Arno Wieringa. 

Além das condições favoráveis, os apicultores de Aracruz estão organizados em cooperativas e associações voltadas para produção de mel. São elas as associações de apicultores de Aracruz (Apiara) e de Santa Rosa (Apisrosa) e cooperativas de Agricultura Familiar (Caf Aracruz) e de Agricultores Indígenas Tupiniquim e Guarani de Aracruz-ES (Coopygua), que atua apenas com meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão das espécies Uruçu-Amarela e Jataí).

Atualmente são 61 famílias meliponicultoras ativas nas terras indígenas de Aracruz. Em 2021 eram 28 famílias e, juntas, elas produziram 725 kg de mel, 60 kg de pólen e 40 kg de cera. Esses números também tornam o município o maior produtor de mel de abelhas nativas do Espírito Santo.

Produtor de mel há mais de 40 anos e presidente da Apisrosa, Sebastião Graziote se diz um apaixonado pela apicultura e pelo associativismo. “Aquele velho ditado simples que diz que ‘a união faz a força’ é muito verdadeiro quando falamos de trabalho em associação. Por meio dela acessamos programas e comercializamos nossa produção de uma forma que, sozinhos, não conseguiríamos, então isso incentiva o apicultor”, declara. 

A associação de Santa Rosa tem um ano de fundação, 20 associados e capacidade, em condições climáticas normais, de produzir cerca de 100 toneladas por ano de mel.   

Colônias de Uruçu-amarela (*Foto: Divulgação)

Casa do Mel

Sob a gestão da Caf, a Casa do Mel de Aracruz vai beneficiar apicultores de cidades vizinhas como João Neiva, Ibiraçu e Fundão. O objetivo, conforme explica Taciana Sperandio Barone, presidente da cooperativa, é transformar o local em um entreposto e, assim, absorver a produção e agregar valor ao mel capixaba. A meta é vender direto para o mercado exterior. 

“Atualmente, grande parte do mel capixaba é destinado para grandes entrepostos em outros Estados e 60% do mel brasileiro é exportado principalmente para os Estados Unidos e alguns países da Europa. Nosso mel tem valor devido às qualidades orgânicas, por isso nosso desejo de beneficiar o produto aqui e alcançar o mercado externo diretamente”, afirma Taciane.

O espaço onde vai funcionar a Casa do Mel está em fase final de construção. Os equipamentos para o funcionamento do espaço estão sendo pleiteados pela cooperativa por meio de edital do Fundo Social de Apoio à Agricultura Familiar (Funsaf). 

ES vai ganhar Centro Estadual Apícola

A Fecapis e a Suzano se uniram para estruturar o Centro Estadual Apícola. O objetivo é conectar o maior número de fornecedores, técnicos, pesquisadores e estruturas qualificadas para melhoria da atividade. O Centro vai funcionar em Ibiraçu, em imóvel cedido pela prefeitura do município, e será inaugurado em 2023. 

“A região de Aracruz, Fundão e Ibiraçu é uma grande produtora de mel, por isso escolhemos a cidade para implantação desse que será um ponto de referência para os apicultores de todo o Estado, tanto do ponto de vista do conhecimento, com cursos e treinamentos para os produtores, quanto em estrutura para o cultivo das abelhas. Hoje, o Espírito Santo não supre a demanda, e muitos equipamentos precisamos comprar fora do Estado, o que aumenta o custo de produção”, pontua Arno Wieringa.

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