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Ácaros e substrato: pesquisas vão alavancar a produção de morango

Dois gargalos da produção de morango no Espírito Santo são alvos de trabalhos científicos para baratear a produção e reduzir as pragas

por Fernanda Zandonadi

em 08/02/2024 às 0h09

4 min de leitura

Ácaros e substrato: pesquisas vão alavancar a produção de morango

Foto Wenderson Araujo/Trilux- Divulgação CNA

*Matéria publicada originalmente em 17/02/2023

A produção de morango no Espírito Santo mantém-se constante nos últimos anos. Em 2021, saíram das lavouras capixabas 14,3 mil toneladas da fruta. A produtividade ficou em quase 50 mil quilos por hectare e a área colhida mudou pouco, mantendo os 287 hectares. 

A bela fruta avermelhada ganha morada principalmente na região Serrana do Espírito Santo. Há uma parcela significativa de produtores que adotam o cultivo suspenso, ou semi-hidropônico, que elimina boa parte das doenças da planta. 

No entanto, ainda há desafios para alavancar a produção. Um deles, o ácaro rajado, também conhecido como ácaro do enfezamento do morangueiro. São pequenos aracnídeos que se abrigam entre as folhas enroladas da planta. Quando o morangueiro está em formação, atacam as folhas novas. 

A praga gera prejuízo até mesmo para produtores que adotaram a técnica suspensa. É uma praga severa, conta Sávio Berilli, professor do Ifes campus Alegre e gestor do Fortac, projeto que visa fortalecer a agricultura capixaba por meio de soluções de problemas identificados junto a produtores e pesquisadores. Os trabalhos são financiados por meio de emendas parlamentares do deputado Felipe Rigoni, no valor de R$ 4,5 milhões, e três deles versam sobre o morango.

Um desses projetos é justamente para combater o ácaro rajado. “O combate químico não é suficiente, e a opção é o controle biológico, feito com outro ácaro predador. Esse ácaro não tem uma biofábrica que o produz no Espírito Santo. Ele aparece naturalmente mas, quando chega, o estrago muitas vezes já está feito. Então, o ideal é a aplicação controlada, ou seja, ter acesso aos ovos e inseri-los na plantação quando é necessário. São comprados os ovinhos que se espalham pelo vento e só aumenta a população”, conta.

Para dar uma ideia da eficácia do ácaro predador e de como o acesso a ele é restrito, muitos produtores, ao verificarem a presença do ácaro rajado na produção, buscam auxílio com outros produtores que tenham os predadores em suas plantações, para que cedam um pouco para sua área. 

“Eles se reproduzem muito rapidamente, têm um ciclo de uma semana. A ponte que queremos fazer é montar uma fábrica por aqui. Estamos em contato com uma cooperativa de Santa Maria de Jetibá a fim de que eles criem uma biofábrica para que os produtores possam buscar os ácaros predadores ali. Um de nossos pesquisadores vai sistematizar o controle. Apareceu o rajado, ele fará a leitura de em quantos dias e qual a quantidade de ácaro predador deve ser empregado”, explica Berilli, que salienta que o pesquisador responsável será Victor Dias Pirovani, engenheiro agrônomo e mestre em Entomologia.

Um segundo projeto complementa o primeiro. É a criação de um aplicativo de celular para fazer o monitoramento de forma mais precisa e sem muito trabalho para o produtor. O aplicativo vai identificar plantas que estão com “sintomas” do ácaro rajado e o próprio aplicativo vai analisar e mostrar ao produtor se está ou não na hora de aplicar o ácaro predador. 

O terceiro projeto dentro da cultura do morango é encabeçado pelo próprio Sávio Berilli. Trata-se de uma solução para produção de substrato alternativo para a cultura do morangueiro semi-hidropônico. 

“Para esse sistema de cultivo, mais ou menos 50% do custo da instalação da área de produção vai para compra do substrato. É muito caro, já que todo ele vem de fora do Espírito Santo, normalmente do Sul do país. É uma mistura de casca de arroz e de pinus. Nossa proposta é desenvolver um substrato com materiais regionais”, explica.

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