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Matéria publicada originalmente em 15/03/2023
Mesmo entre os afazeres de casa e a rotina puxada na roça, a artesã Amanda Saick, de Vila Pavão, encontrava tempo, mesmo que madrugada adentro, para produzir peças. Mas, a falta de tempo não era o único problema. O que mais impedia Amanda de trabalhar com a sua arte era o preconceito das pessoas, dentro e fora de casa.
“Fazer artesanato para minha família e a comunidade era coisa de idoso, aposentado ou vagabundo, que não dá retorno. Sofri muito para continuar fazendo o que gosto. Venci barreiras, mas não desisti”, relata Amanda.
A princípio, as peças eram todas de biscuit. Com o passar do tempo, a artesã encontrou, ali mesmo no campo, a matéria-prima que faria seu trabalho se tornar conhecido e gerar renda. Bucha vegetal, restos de madeira, sementes, grão de café, fibras de pé de coco, cabaça, entre outros, se transformam em verdadeiras obras de arte nas mãos da artesã.
“Fui olhando à minha volta e vi a fartura de matéria-prima que tenho na fazenda e comecei a introduzi-la no meu artesanato. Meu carro chefe é o biscuit, mas o que enriqueceu o meu trabalho e me ajudou vender e a me tornar conhecida foram esses materiais. Além de ajudar na renda, minhas peças também levam a história e a cultura da nossa região para vários lugares”, conta.
Em 2022, Amanda ganhou um concurso em São Paulo com peças de todo o Brasil. A obra vencedora é um boneco em biscuit que reproduz o filho quando era pequeno, dando comida as galinhas. “A peça remete à fazenda, ao meu dia a dia. Fiz com a história do meu filho, a lembrança que guardo da infância dele, representando o homem do campo”.
Morando entre Praça Rica e Córrego da Poeira, no interior de Vila Pavão, Amanda é conhecida e reconhecida por seu trabalho não apenas no seu município, mas também nas cidades vizinhas, como São Gabriel da Palha.
CONTINUA…






