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*Matéria originalmente publicada em 02 de agosto de 2022
O nome de Santa Maria de Jetibá ecoa no cenário do agronegócio nacional. Há cinco anos, o município da região Serrana do Espírito Santo mantém o posto de maior produtor de ovos de galinha e de codorna do Brasil e também figura no ranking dos maiores hortifruticultores, caso da liderança na produção de chuchu, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mas qual a razão para Santa Maria se destacar na produção de certos alimentos? O que está por trás dos últimos resultados do município capixaba berço da imigração pomerana no agro brasileiro? A “Conexão Safra” entrevistou o prefeito, Hilário Roepke, e a secretária Municipal de Agropecuária, Rafaela Tesch, para falar do assunto. Confira!
Conexão Safra- O município de Santa Maria de Jetibá é o maior produtor de ovos de galinha e de codorna do Brasil e também considerado a “Horta Capixaba”, com diversas produções de verduras e legumes que o colocam no ranking do IBGE. A que se deve isto?
Rafaela Tesch – Isso se deve à cultura pomerana. Os descendentes trazem consigo traços de um povo trabalhador, desbravador das terras, em busca de melhoria da qualidade de vida. O clima do município permite a produção de grande variedade de produtos. Vale ressaltar que, as propriedades são de base familiar, menores que um modulo fiscal, entretanto são altamente produtivas.
CS- Que ações a municipalidade tem realizado que refletem nos índices dentre os maiores produtores, além dos ovos, de chuchu, morango, repolho, beringela, jiló, pepino, vagem e pimentão, por exemplo?
Hilário Roepke – Esse mérito é dos agricultores, mas, devido à grande diversidade de produtos do setor agrícola, a municipalidade realiza ações que atendem ao coletivo. Como a conservação e pavimentação das estradas vicinais (calçamento rural, asfalto, aplicação de Revsol e manutenção). E ainda tem o programa do Pronaf, realização de análise de solo e de água, mercado expedidor, Feira Cidadã, promove dias de campo, visitas técnicas, apoio ao cooperativismo e associativismo, por meio de Termo de Fomento e Acordo de Cooperação, além do repasse financeiro para as Escolas Famílias Agrícolas, incentivando a educação rural.

CS- Tivemos um momento de muita dificuldade para os agricultores familiares com o cancelamento das feiras nos grandes centros por conta da pandemia da Covid-19 e, mais recentemente, com a alta do preço dos combustíveis, que estava inviabilizando as viagens. Como o poder público tem agido nesse sentido em Santa Maria de Jetibá?
Hilário Roepke– Apesar das dificuldades enfrentadas pela pandemia da Covid-19 e com a alta dos preços dos combustíveis, segundo dados do setor de arrecadação municipal (NAC), a agricultura do município se manteve em ascensão, tendo como exemplo o comparativo de arrecadação dos anos de 2020 e 2021. As maiores dificuldades enfrentadas foram as adaptações às condições sanitárias necessárias ao enfrentamento da pandemia. No entanto, incentivou os agricultores a buscarem novas formas de comercialização.
Rafaela Tesch – O município apoiou e incentivou a utilização de meios tecnológicos para dar continuidade aos trabalhos do agricultor. Foram realizadas reuniões com a Seag, Mapa, Fetaes, Senar, Sebrae e prefeituras para manter as feiras livres em funcionamento.
Quanto à alta do combustível, a agricultura sente o impacto, porém não deixou de produzir. Os produtores souberam gerir seu negócio para se manterem na atividade.

CS- Também acompanhamos, recentemente, uma crise na avicultura por conta do aumento do preço dos insumos e muitos produtores desistindo da atividade. Como a municipalidade busca contornar essas crises?
Rafaela Tesch – O município mantém uma ótima relação com a Aves (Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo), com a intenção de fortalecer a cadeia avícola. Atualmente, está em andamento a instalação de um abatedouro na Fazenda Emcapa, parceria entre a prefeitura e outra associação de avicultores, com objetivo de atender as suas necessidades. É no sentido de descarte de aves, atendendo pequenos e grandes produtores, além de proporcionar geração de emprego e renda. Também foi construído um silo para armazenamento de grãos nesta mesma localidade.
Além disso, Santa Maria é parceira em eventos voltados a este setor, por exemplo a Favesu, de importante relevância, porque traz soluções técnicas e inovações tecnológicas para os avicultores.
Ainda realizamos convênio de cooperação técnica com o Idaf, órgão que está diretamente ligado à plena adequação das granjas do município.
CS- Na produção de ovos, a automação das granjas é uma realidade que reflete nos índices de produção. Mesmo não sendo realidade de todos os avicultores, como está esse cenário em Santa Maria atualmente? Na hortifruticultura a tecnologia também ajuda a colocar o município em destaque? Como?
Rafaela Tesch- Setor que está em constante ascensão, até mesmo as granjas menos tecnológicas, buscam, aos poucos, adaptações. Não é diferente na horticultura, com tecnologias utilizadas no manejo e irrigação, entre outras.
Alguns agricultores se destacam por realizar as próprias adaptações. Quase 100% das propriedades possuem algum tipo de tecnologia. Vale ressaltar que a implantação da energia solar está crescendo, buscando formas de reduzir os custos de produção.

CS- A mão de obra no campo é um dos grandes gargalos no agronegócio capixaba e brasileiro. Como a municipalidade avalia essa questão no âmbito municipal?
Rafaela Tesch – A escassez de mão de obra, principalmente qualificada, é uma realidade que assola o setor agropecuário em território nacional, e em Santa Maria de Jetibá não é diferente. Entretanto, como a maior parte das propriedades deste município são pequenas e de base familiar, a contratação de mão de obra se faz menos necessária, logo, o reflexo da falta de mão de obra é insignificante na capacidade de produção de alimentos destas famílias.
CS- Quais são os próximos passos à frente da administração municipal para Santa Maria continuar figurando entre os municípios mais agros do ES e do país?
Hilário Roepke- A maior riqueza deste município é o nosso povo trabalhador, colonos pomeranos que movem o setor agropecuário por sua própria força. A administração municipal tem o prazer e a honra de acompanhar, apoiar e incentivar a sustentabilidade deste setor, através de todos os programas e ações já citadas anteriormente, e se mantendo à disposição para atender da melhor forma possível todas as demandas vindouras.





