Clima no Espírito Santo

Espírito Santo chega a junho com escassez de chuvas em pelo menos 31 municípios

Relatório do Incaper apresenta o comportamento climático registrado em maio e aponta as tendências de temperatura e chuva para junho no Espírito Santo

Chuvas intensas Espírito Santo
Imagem: Conexão Safra/IA

O Espírito Santo entrou em junho com déficit hídrico em todos os 31 municípios monitorados pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). O balanço climático de maio mostra que o mês consolidou o período seco no estado, com chuvas escassas e mal distribuídas, temperaturas ainda elevadas para o outono e perda expressiva de água do solo e da vegetação.

Segundo a Coordenação de Meteorologia do Incaper, os acumulados de chuva em maio variaram de 0,2 milímetro, em Viana, na Grande Vitória, a 72 milímetros, em Guaçuí, no Sul do estado. Em 21 dos 31 municípios monitorados, o volume mensal ficou abaixo de 20 milímetros. Em 11 deles, não chegou a 10 milímetros, o que caracteriza um cenário de estiagem significativa.

O balanço entre precipitação e evapotranspiração foi negativo em todos os pontos avaliados. Os maiores déficits foram registrados em Itaguaçu, com -114 milímetros; São Roque do Canaã, com -103,5 milímetros; Laranja da Terra, com -103 milímetros; Água Doce do Norte, com -100,8 milímetros; e Viana, com -99,2 milímetros. O quadro foi mais severo no Noroeste e no extremo Norte, regiões onde a estiagem se instalou de forma mais intensa.

Além da falta de chuva, o mês foi marcado por temperaturas elevadas para a época. As médias variaram entre 18,1 °C, em Santa Teresa, na região Serrana, e 24,3 °C, em Linhares, no Nordeste. As máximas chegaram a 31,8 °C em Itaguaçu e a 30,4 °C em São Roque do Canaã. A baixa umidade durante o dia, associada à maior insolação, manteve alta a demanda evaporativa da atmosfera.

Para junho, o Incaper aponta a consolidação do padrão de outono-inverno, com redução das chuvas e declínio gradual das temperaturas, embora os modelos indiquem maior probabilidade de temperaturas acima da média climatológica em todas as regiões capixabas. As chuvas devem ficar ligeiramente acima da média, mas dentro de um mês naturalmente seco, com acumulados esperados entre 20 e 90 milímetros.

Os maiores volumes são previstos para as regiões Sul e Serrana. Já as menores quantidades devem se concentrar no Norte e no Noroeste, justamente onde o déficit hídrico tende a se agravar mais rapidamente. A previsão climática para o trimestre junho, julho e agosto indica chuvas dentro da faixa normal para o Sudeste, incluindo o Espírito Santo, mas com maior probabilidade de calor acima do normal.

O boletim também aponta que o Pacífico equatorial está em condição de neutralidade do fenômeno El Niño-Oscilação Sul, mas sob vigilância para possível formação de El Niño no inverno. De acordo com o documento, há 82% de probabilidade de transição para El Niño no trimestre maio, junho e julho de 2026 e 96% de probabilidade de consolidação entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Diante do cenário, o Incaper recomenda atenção especial ao planejamento da irrigação, principalmente nas regiões Norte e Noroeste, onde culturas perenes e pastagens podem sentir mais rapidamente os efeitos da estiagem. O instituto também alerta para maior risco de pragas, como ácaros e cochonilhas, favorecidas pela combinação de calor elevado e baixa umidade.

Na gestão dos recursos hídricos, a orientação é iniciar planos de contingência para o período seco, com acompanhamento dos níveis de reservatórios e mananciais. Para a Defesa Civil, a recomendação é intensificar a vigilância contra incêndios florestais, especialmente nas regiões Norte, Noroeste e Serrana. À população, o Incaper orienta acompanhar as atualizações meteorológicas, reforçar a hidratação e evitar exposição prolongada ao sol nos períodos de calor mais intenso.

Temperaturas devem seguir acima da média em todo o Espírito Santo em junho; mapa mostra a média histórica para o período no Estado. Foto: Atlas Climatológico do Espírito Santo