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O El Niño é implacável com o Espírito Santo. Entre 2014 e 2016, o Estado viveu a pior seca em quatro décadas, o que acendeu o alerta em todo território capixaba. A estiagem foi justamente no período em que um super El Niño formou-se no Pacífico. Em 2023, o fenômeno voltou e, com ele, as velhas preocupações.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa), agência do clima e tempo dos Estados Unidos, apontou, em seu boletim do início de dezembro de 2023, que o El Niño deve continuar durante o outono no Brasil. E não é um fenômeno fraco.
No início de dezembro de 2023, as consequências do aquecimento das águas do Pacífico começaram a aparecer e medidas de enfrentamento foram adotadas. A Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) declarou Estado de Alerta sobre a situação hídrica no Estado.
A Resolução 003/2023 apresentou algumas medidas restritivas a serem seguidas pelos diversos setores usuários da água, como as indústrias, companhias públicas e privadas de saneamento, e serviços autônomos municipais de água e esgoto, na agricultura, órgãos licenciadores, entre outros.
“O Governo do Estado, por meio da Agerh e de outras instituições estaduais, está atuando de forma integrada na gestão da escassez hídrica que estamos vivendo. A Agerh segue monitorando intensamente os dados de vazão dos rios e estamos tomando as medidas necessárias para que tenhamos uma economia maior de água durante este período em que a vazão dos rios está mais baixa. Neste estado de alerta, precisamos somar esforços para o uso racional da água”, ressaltou o diretor-presidente da Agerh, Fábio Ahnert.
No Espírito Santo, a seca e o calor acima da média são os maiores indicadores de El Niño. Mas, segundo o portal MetSul, os impactos abrangem todo o planeta. “No Norte e no Nordeste, as precipitações seguirão abaixo das médias históricas, embora a chuva aumente no Norte com o chamado inverno amazônico. Os déficits de chuva, porém, tendem a se agravar em parte do Nordeste”.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), normalmente, em anos de El Niño, é comum observar o aumento da disponibilidade hídrica no centro-sul do Brasil, o que tende a beneficiar as culturas de grãos, como a soja e o milho primeira safra. No entanto, o excesso de chuva na Região Sul pode aumentar a umidade e a severidade de doenças em plantas, exigindo maior vigilância e cuidados no monitoramento e manejo das culturas.
Por outro lado, um dos cultivos que podem ser negativamente afetados é a cafeicultura, segundo Natália Gandolphi, analista da consultoria HedgePoint Global Markets, em entrevista à BBC Brasil. Ela afirma que, em eventos de El Niño, há uma redução média de 5% na produção do arábica por conta do inverno mais quente, o que prejudica o desenvolvimento vegetativo do pé de café. Ela salienta, ainda, que a época de florada, após setembro, e de crescimento, desenvolvimento e maturação dos frutos também pode ser prejudicada pelas temperaturas mais elevadas.




