Mais lidas 🔥

Produção de peixes
Gigante da tilápia: cooperativa finaliza unidade com capacidade para 20 toneladas diárias

Reconhecimento Internacional
Azeite do Espírito Santo ganha medalha de ouro em concurso internacional

Chuva atípica pode superar média de junho no Sudeste e Centro-Oeste antes do inverno

Alerta para produtores
Como agir após o granizo? Veja as orientações para produtores de café

Infraestrutura Hídrica
Barragem é inaugurada e reforça segurança hídrica em Aracruz

A professora Mônica Tognella, do Programa de Oceanografia Ambiental (PPGOAM) da Ufes, apresentou aos catadores de caranguejos de Aracruz o resultado de 15 anos de pesquisas sobre os manguezais e seus crustáceos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Municipal Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim.
Os manguezais dos Rios Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim são a maior área desse ecossistema em um único município do Espírito Santo. A reserva, que tem aproximadamente 2.080 hectares, destaca-se pelo seu modelo de uso sustentável e pela preservação do meio ambiente junto a comunidades tradicionais e povos indígenas que têm a área como fonte de subsistência e sustento econômico, e entrou em evidência por ter sido atingida por rejeitos da barragem de Fundão, do município de Mariana-MG, que se rompeu em novembro de 2015.
A sequência histórica parte de um levantamento realizado entre 2004 e 2005. “Naquele momento, tinha acabado de acontecer a doença do caranguejo letárgico, e a professora Cássia Conti conseguiu mapear o seu impacto, apontando para uma diminuição do tamanho da população”, lembra a pesquisadora.
Já em 2015, Vanessa Spinassé, aluna do PPGOAM orientada por Mônica Tognella, apresentou resultados que demonstram uma recuperação melhor do que a anteriormente observada, indicando que a população de caranguejos no mangue havia se recuperado. “A população flutua, mas ela tende a uma taxa de estabilização, isso porque o manguezal é muito resiliente e tende a se ajustar”, destaca a orientadora.
Por meio de uma metodologia que acompanha sistematicamente uma mesma população, a pesquisadora teve a oportunidade de acompanhar diversos eventos que impactaram a população de caranguejos no período. “Acho que só conseguimos ter manejo e monitoramento quando fazemos sistematicamente a análise da população num local conhecido”, detalha. Dessa forma, é possível mapear, por exemplo, como se distribui a população e momentos e consequências de eventuais pressões de captura.
Impactos de Mariana
Por desenvolver pesquisa ao longo de pelo menos uma década nos manguezais dos rios Piraquê-Açu e Mirim, Tognella conseguiu acompanhar os impactos do rompimento da barragem de Mariana na população de caranguejos daquela área. Ela integra o grupo de pesquisadores que monitoram as consequências do rompimento, financiado pela Fundação Renova, em convênio científico com a Ufes.
“Houve um aumento da concentração de ferro na região. Podemos atribuir uma parte dela à característica mineralógica da bacia e outra parte aos rejeitos. Junto a isso, há o uso indevido da bacia, uma salinização excessiva do Piraquê e uma grande variabilidade climática. Isso modifica toda a estrutura da floresta de manguezal”, afirma a pesquisadora.
Ela destaca que o sal é benéfico. Entretanto, seu excesso no ciclo de vida do caranguejo pode drenar a energia, levando a um crescimento menor do que o normal, e forçando os catadores a capturarem mais indivíduos para alcançar uma mesma pesagem.
A professora aponta também a preocupação com a captura excessiva, que causa um problema de reposição de jovens caranguejos. “Se coletam muitos jovens adultos, que são menos densos, transfere-se o problema para daqui alguns anos, e podemos chegar a um cenário em que não haverá caranguejos com tamanho ideal para captura”, aponta.
Próximos passos
Mônica Tognella pretende estreitar ainda mais as relações com a população local na continuação de sua pesquisa. “Eu tenho uma proposta de trabalhar com um plano de manejo dos caranguejos. A comunidade quer isso, e isso precisa partir deles. Não posso chegar lá e impor nada, isso é construído de maneira conjunta”, afirma.
Além do financiamento da Fundação Renova, Mônica Tognella já teve o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Fundo Nacional de Biodiversidade (Funbio) nos seus estudos pelos manguezais capixabas.




