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Produção automatizada reduz mão-de-obra e aumenta qualidade em Santa Maria

por Redação Conexão Safra

em 10/09/2015 às 0h00

6 min de leitura


AVICULTURA DE POSTURA


O município de Santa Maria de Jetibá, na região serrana do Estado, é o segundo maior produtor de ovos do país. Cerca de 90% da produção são automatizados, com tecnologia aplicada na coleta de ovos e abastecimento de água e ração nas granjas.

Os produtores pomeranos mantêm suas tradições sem perder de vista a modernidade. Em Santa Maria de Jetibá, na região serrana do Estado, a avicultura de postura se modernizou com equipamentos de última geração, reduzindo a mão de obra e aumentando a qualidade dos ovos.

De acordo com a Cooperativa Agrícola Centro Serrana- Coopeavi, pelo menos 90% das granjas são automatizados no município, que é o segundo maior polo de produção de ovos de galinha do Brasil, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE.

Os galpões de Santa Maria contam com máquinas que recolhem ovos e esterco ou abastecem as gaiolas com água e ração, sem a necessidade de mão de obra humana. O investimento é alto, mas os avicultores estão cada vez mais dispostos, sempre considerando o custo x benefício.

“O Espírito Santo é um dos estados que mais produzem ovos de forma automatizada. A produção em Santa Maria está no caminho certo ”, pontua Nélio Hand, diretor-executivo da Associação dos Avicultores do Espírito Santo- Aves.

Com 10 milhões de ovos produzidos diariamente, o município só fica atrás em volume de Bastos (SP). Ainda segundo a Aves, nos mais de 200 empreendimentos avícolas de Santa Maria, 70% dos produtores estão classificados como microprodutores, sendo atendidos pela Coopeavi, e atingem individualmente a produção de até uma caixa de 360 ovos/dia.

O avicultor Rafael Bozani Pimentel, da localidade de Belém, a sete quilômetros da sede do município, ingressou na atividade há oito anos. Ele conta que já pensava em se dedicar à avicultura de postura ainda na faculdade de veterinária. Começou com 12 mil galinhas e, hoje, conta com 140 mil aves, produzindo 930 mil ovos por dia.

Em janeiro de 2014, Rafael investiu em equipamentos para recolher esterco e alimentar gaiolas de dois galpões com 50 mil galinhas cada. Com a automatização, reduziu 50% da mão de obra. “Eu preciso de um classificador, pois ainda utilizo o serviço da cooperativa. Futuramente, pretendo também climatizar os galpões ”, disse.


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“O Espírito Santo é um dos estados que mais produzem ovos de forma automatizada. A produção em Santa Maria está no caminho certo ”, pontua Nélio Hand, diretor-executivo da Aves.


Máquina coletora de ovos em granja de Santa Maria



Meta de ter robô empilhador

Berger: automatização para sobreviver no mercado

Missões técnicas mundiais organizadas pela Aves são a chance de os produtores santa-marienses conhecerem tecnologias de ponta aplicadas à avicultura. Em maio deste ano, uma comitiva de 20 pessoas, entre executivos da Coopeavi, da associação e avicultores de Santa Maria foi até a China e os Emirados Árabes conhecer as últimas novidades do setor.

O último lançamento surpreendeu o grupo: uma máquina chinesa que identifica galinhas mortas com o uso de um scanner. Embora pareça distante da nossa realidade, há quem aposte que os grandes produtores do município estejam aptos a investir em novas tecnologias para agregar valor à produção.

É o caso do avicultor Carlos Magno Caliman Berger, membro
de uma família tradicional na avicultura de postura de Santa Maria de Jetibá. Ele ingressou na atividade em 2001, mas os tios
somam mais de 40 anos de vida dedicada às galinhas poedeiras.

Os empreendimentos dos Berger produzem 252 mil ovos/dia, e o próximo passo será ter 400 mil galinhas em processo produtivo. “As nossas granjas são de porte mediano e automatizadas por
uma questão de sobrevivência no mercado. Acho que os grandes produtores da nossa região devem seguir o exemplo da Ásia e assumir a vanguarda na inovação capixaba ”, destaca Carlos Magno.

O avicultor esteve nos Estados Unidos, Holanda e participou da última missão na Ásia, sempre atento ao mercado de inovação. Na China, conheceu um equipamento que pode fazer a diferença futuramente no seu empreendimento. Trata-se do robô empilhador de embalagens de ovos, um investimento a partir de R$ 1 milhão previsto para longo prazo.

Em maio, uma comitiva de 20 pessoas de Santa Maria foi à China e aos Emirados Árabes conhecer as últimas novidades do setor


Comitiva na China


Entreposto de ovos da Coopeavi


Máquina vai definir campeão em concurso

A tecnologia aplicada à produção de ovos em Santa Maria de Jetibá está presente até na hora de atestar a qualidade do produto. Em 2014, a Coopeavi adquiriu uma máquina inteligente que dá notas para os ovos.

Em agosto, o equipamento vai ajudar a eleger o campeão da primeira edição de um concurso de qualidade. O evento acontecerá de 12 a 15 de agosto, durante a Semana Tecnológica do Agronegócio de Santa Teresa, no Noroeste do Estado, com a participação de 60 avicultores.


De acordo com Luís Carlos Brandt, gerente executivo de produção da Coopeavi, a máquina é a única existente no Estado e tem o mesmo modelo usado no concurso de Bastos (SP). Trata-se da Digital Egg Test (DET 6000), com tecnologia japonesa, que avalia a resistência do ovo e a espessura da casca, assim como peso, cor da gema e altura do albume espesso, que é a altura da gema sobre a clara.

“Com ela podemos ter maior aparato para melhorar a qualidade dos ovos dos nossos cooperados e até mesmo aperfeiçoar o padrão das rações produzidas pela cooperativa ”, destaca Brandt. De acordo com Nélio Hand, diretor-executivo da Aves, o objetivo do concurso é estimular a qualidade do ovo entre os produtores.
“A ideia é expandir o concurso para os demais avicultores do Estado. ”




Uma antiga aspiração dos setores de avicultura e suinocultura capixaba está prestes a se concretizar. A Companhia Nacional deAbastecimento (Conab) irá construir um Complexo de Armazenagem de Grãos, com capacidade para 75 mil toneladas de milho, no município de Viana, na Grande Vitória

Em junho, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura- Seag repassou à Conab a titularidade da área de 100 mil metros quadrados, onde a estrutura será implantada. A cessão da área para a Conab foi formalizada durante a abertura da 3ª Feira de Avicultura e Suinocultura CapixabaFavesu, em Venda Nova do Imigrante.

A implantação do equipamento de armazenagem vai contribuir para a redução nos custos da ração utilizada pelos produtores, além de retirar das estradas mais de mil carretas bitrem por mês, que hoje fazem o transporte do grão para o Estado, vindas, principalmente, da região Centro-Oeste.

O projeto arquitetônico e de engenharia do complexo de armazenagem já está sendo finalizado e deve ser concluído no início do segundo semestre. A expectativa é que as obras comecem até o início de 2016 e sejam concluídas em 12 meses.


A desapropriação da área custou R$ 13,5 milhões ao Governo. Já as obras físicas, que serão executadas pela Conab, estão estimadas em mais de R$ 40 milhões.

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