Carcinicultura

Camarão-da-malásia em pequenas áreas é alternativa para aumentar renda no campo capixaba

Professor universitário, instrutor do Senar ES e consultor em aquicultura, Fabiano Giori aponta clima, mercado consumidor e possibilidade de manejo em pequenas áreas como fatores que favorecem a atividade no estado

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Foto: arquivo pessoal

A criação de camarão de água doce pode se tornar uma alternativa de diversificação de renda para produtores rurais no Espírito Santo, especialmente em propriedades que já trabalham com café, pecuária, fruticultura ou outras atividades agropecuárias. A avaliação é de Fabiano Giori, professor universitário, instrutor do Senar ES e consultor em aquicultura.

Segundo ele, a carcinicultura, ramo da aquicultura voltado para a criação de camarões em cativeiro para fins comerciais, é uma atividade considerada lucrativa quando planejada com critérios técnicos. No Espírito Santo, fatores como clima, topografia e disponibilidade hídrica favorecem a implantação do cultivo, além da existência de uma demanda crescente no mercado consumidor.

“Hoje conseguimos uma produção de cerca de 700 gramas, podendo chegar a 1,2 quilo de camarão por metro, dependendo do cultivo e do sistema aplicado”, afirma.

De acordo com Giori, o camarão com peso acima de 50 gramas se torna mais atrativo comercialmente. Ele cita que o mercado tem pago em torno de R$ 80 pelo produto, enquanto o custo de produção para o produtor fica entre R$ 18 e R$ 22. O ciclo de cultivo, segundo o consultor, dura cerca de oito meses.

Camarão-da-malásia Giori
Segundo Giori, o cultivo de camarão pode ser conduzido como uma atividade secundária na propriedade, já que não exige dedicação integral do produtor (foto: arquivo pessoal)

A atividade também chama a atenção por poder funcionar como fonte complementar de renda. Para Giori, tanto a piscicultura quanto a carcinicultura podem ser conduzidas como atividades secundárias na propriedade, sem exigir dedicação integral do produtor.

“Essas atividades vão proporcionar ao produtor trabalhar com outras atividades como principais, seja o café, seja a pecuária, seja a fruticultura. O cultivo de camarão fica como uma atividade secundária, tomando pouco tempo, pouca mão de obra e ocupando espaços pequenos dentro da propriedade”, explica.

Passo a passo

Para começar, o produtor precisa observar condições mínimas de estrutura. Segundo o consultor, uma área de 1.000 metros quadrados já permite avaliar a viabilidade do negócio, desde que o viveiro seja escavado, tenha profundidade máxima de 1,5 metro e possa ser cheio e esgotado de forma independente.

Sem essas condições, afirma Giori, o cultivo não consegue se desenvolver de forma satisfatória. Com manejo adequado, no entanto, ele avalia que a atividade pode ser conduzida com menor complexidade do que muitos produtores imaginam.

“Às vezes, as pessoas são muito curiosas e acham que as dificuldades são grandes. Não são tão grandes assim. Se você emprega o mínimo de técnica possível, consegue uma produção satisfatória”, diz.

A comercialização pode ocorrer em diferentes frentes. Segundo Giori, restaurantes, bares, estabelecimentos voltados à culinária de peixes e crustáceos e frigoríficos estão entre os principais compradores. A procura, afirma, tem sido elevada.

O cultivo citado pelo consultor envolve principalmente o camarão-da-malásia, espécie de água doce que apresenta sabor diferente do camarão marinho. Giori explica que o produto não tem sódio e pode atingir tamanho elevado ao fim do ciclo produtivo.

“O abate é feito em torno de oito meses, e esse camarão pode chegar a meio quilo. Ele é quase uma lagosta. E quanto maior o animal, maior o preço agregado pago por ele”, afirma.

Apesar do potencial produtivo, o camarão-da-malásia apresenta uma característica que exige atenção na comercialização. A espécie tem a cabeça proporcionalmente maior, o que aumenta a perda no momento do descabeçamento em comparação com outros camarões.

Sistemas integrados

Além do cultivo exclusivo, o produtor também pode trabalhar com sistemas integrados. Segundo Giori, é possível consorciar o camarão-da-malásia com tilápia, em um modelo conhecido como bicultivo. O resultado, segundo ele, pode ser positivo, embora as técnicas aplicadas sejam diferentes.

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As regiões norte e nordeste do Espírito Santo concentram a maior parte da produção de camarão no estado (foto: arquivo pessoal)

No Espírito Santo, o interesse pela atividade tem se concentrado principalmente nas regiões norte e noroeste. Giori afirma que a maior parte das pós-larvas de camarão comercializadas atualmente segue para essas áreas, com destaque para municípios como Governador Lindenberg e Fundão.

A explicação, segundo ele, está no histórico produtivo da região. Governador Lindenberg, por exemplo, já teve tradição na criação de camarão e volta a aparecer entre os municípios com maior interesse pela atividade.

“Já existia, antigamente, uma tendência e uma característica dessa região de trabalhar com camarão. Lá no passado, eles também eram pioneiros, principalmente na região de Governador Lindenberg”, afirma.

Assistência técnica

O Senar ES, segundo o instrutor, tem atuado para ampliar a capacitação de produtores e levar a atividade a outros municípios. A proposta é estimular a diversificação produtiva com base em orientação técnica, planejamento e gestão.

Para Giori, a assistência técnica e gerencial é determinante para reduzir riscos e organizar a atividade dentro da propriedade. Ele afirma que a decisão de investir em carcinicultura não deve ser tomada de forma isolada, sem análise de custos, manejo, mercado e controle da produção. “A gestão vem em primeiro lugar. É necessário planejamento e controle daquilo que você vai ter dentro da sua propriedade”, finaliza.

Sobre o autor Fernanda Zandonadi Desde 2001, Fernanda Zandonadi atua como jornalista, destacando-se pelo alto profissionalismo e pela excelência na escrita de suas reportagens especiais. Tem um conhecimento aprofundado em agronegócio, cooperativismo e economia, com a habilidade de traduzir temas complexos em textos de grande impacto e relevância. Seu rigor e qualidade na apuração e narração de histórias do setor garantiram que seu trabalho fosse constantemente reconhecido pela crítica especializada, o que a levou a conquistar múltiplas distinções e reconhecimentos em premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos