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Instituições governamentais fomentam a cadeia de produção agroindustrial e orgânica da Costa Verde

“Agora já sabemos como produzir alimentos com um alto padrão de qualidade”, resumiu o produtor rural, Alex Andrade

por Redação Conexão Safra

em 30/09/2015 às 0h00

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“Agora já sabemos como produzir alimentos com um alto padrão de qualidade ”, resumiu o produtor rural, Alex Andrade, após sua participação na Caravana Tecnológica para a Agricultura Familiar, realizada pela Embrapa Agroindústria de Alimentos no distrito de Mambucaba, em Angra dos Reis (RJ). O encontro reuniu aproximadamente trinta produtores rurais de Paraty e de Angra dos Reis e técnicos da Prefeitura Municipal de Paraty, do Programa Rio Rural, da Emater-Rio, do Convênio Incra-UnB e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O evento contou com financiamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Programa Rio Rural do Governo do Estado do Rio de Janeiro.



A equipe técnica da Embrapa Agroindústria de Alimentos promoveu um treinamento em Boas Práticas de Fabricação (BPF), levando orientações técnicas preventivas para evitar contaminações de alimentos em agroindústria, garantindo assim a sua qualidade e segurança. Todos os procedimentos repassados atendem aos requisitos estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de forma a conter os riscos físicos, químicos e microbiológicos. “O produtor deve garantir que os alimentos colocados no mercado não acarretarão riscos à saúde ou à segurança dos consumidores, fornecendo informações necessárias e adequadas a esse respeito ”, afirmou Roberto Machado, analista da Embrapa Agroindústria de Alimentos. Ele apresentou as questões teóricas e de legislação ligadas ao recebimento de matéria-prima e insumos, armazenamento, processamento, transporte de alimentos embalados, utensílios, embalagens, equipamentos e instalações industriais. “Com essas informações, teremos mais responsabilidade com a higiene na manipulação dos alimentos. Nosso olhar está mais crítico ”, destaca a produtora rural Maurília Pimenta, da cidade de Paraty.


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Já as questões práticas sobre BPF foram repassadas por André Dutra, durante o processamento para produção de banana passa, que durou pouco mais de 24 horas, desde a higienização da matéria-prima até a embalagem do produto desidratado. A planta industrial foi recentemente instalada na Associação dos Produtores Rurais do Vale de Mambucaba com apoio do programa de Apoio à Inovação Tecnológica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – Faperj e já processa cerca de 500 kg de banana por mês. A maior parte da produção já é destinada à merenda escolar dos municípios de Angra dos Reis e Paraty pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar &ndash, PNAE.


Os participantes do evento também realizaram um diagnóstico da situação atual da planta de processamento de palmito pupunha, identificando as não conformidades e sugerindo correções. “Esse será o marco zero para a implementação de procedimentos operacionais padrão (POPs) e de um manual de Boas Práticas de Fabricação nessa agroindústria familiar ”, aponta Fénelon do Nascimento Neto, pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos. A implementação das orientações técnicas repassadas pela Embrapa irão garantir maior qualidade e segurança dos produtos agroindustriais e reduzir custos operacionais. “É fundamental continuar o investimento em treinamentos e capacitação com o acompanhamento da internalização dos conhecimentos adquiridos pelos técnicos da extensão rural nas agroindústrias ”, afirma.


Associação de produtores rurais do Vale do Rio Mambucaba


O associativismo na área rural possibilita aos pequenos produtores maior acesso às políticas públicas e às linhas financeiras de crédito. É o que vem acontecendo com a Associação de Produtores Rurais do Vale do Rio Mambucaba, reaberta há dois anos, e que agora reúne aproximadamente 50 produtores da região. Em uma área de aproximadamente 600 m2, foi instalada duas plantas agroindustriais, um viveiro e um setor administrativo e de comercialização dos produtos ali produzidos. Aos finais de semana, os associados promovem uma feira de alimentos orgânicos, e agora buscam agregar valor com agroindustrialização. “Vendemos o quilo da banana in natura por R$ 2,75 e da banana passa por R$ 35, já o palmito pupunha passa de R$ 5 para R$ 30 o quilo processado. Mesmo com as gastos decorrentes da produção, o lucro é mais expressivo. Daí a importância da nossa agroindústria familiar ”, afirma o presidente da associação, César Marcos Vieira. O maior desafio continua sendo sensibilizar o agricultor sobre essa possibilidade de incremento da renda. “Muitos ainda preferem ficar no campo ganhando menos a se arriscarem em uma atividade que eles não dominam ”, conta.


Outros agricultores familiares, contudo, têm percebido que a comercialização de produtos
in natura
não é suficiente para a sustentabilidade da produção agropecuária e buscam alternativas. É o caso da produtora rural recém-associada, Beatriz Sarzana, que atua em Paraty com produtos orgânicos e aquaponia para cultivo integrado de tilápia e hortaliças. “Larguei tudo em São Paulo para me dedicar a uma vida mais saudável. Fiquei interessada em aprofundar meus conhecimentos em BPF e técnicas de processamento de alimentos para agregar valor aos produtos ”, diz.


Produtores rurais orgânicos do Estado do Rio de Janeiro

No último mês de julho, a Divisão de Política, Produção e Desenvolvimento Agropecuário da Superintendência do Ministério da Agricultura no Rio de Janeiro registrou oito agricultores familiares no cadastro nacional de alimentos orgânicos provenientes dos municípios de Angra dos Reis e Paraty pelo método OCS &ndash, Organismos de Controle Social. Para aqueles que fornecem produtos para a merenda escolar, essa certificação garante um ganho de cerca de 30% a mais no valor dos produtos comercializados. “Nos últimos dois anos, houve um aumento de 100% no número de produtores rurais registrados como orgânicos em todo o Estado. Atualmente, o Rio de Janeiro já soma mais de 500 agricultores com certificação orgânica, mas ainda há um grande potencial de crescimento ”, relata a engenheira agrônoma e fiscal federal agropecuária, Ailena Salgado, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.


O Programa Rio Rural do Governo do Estado do Rio de Janeiro também vem contribuindo para a expansão da produção orgânica e agroecológica do Estado do Rio de Janeiro, tendo como desafio o aumento da renda do produtor rural com a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais. Para atingir este objetivo, incentiva a adoção de sistemas produtivos sustentáveis, especialmente orgânicos, com técnicas mais eficientes e ambientalmente adequadas. Até 2018, serão investidos US$ 233 milhões em ações de desenvolvimento, beneficiando 48 mil agricultores familiares residentes em 366 microbacias de 72 municípios. Ultimamente, o Programa Rio Rural tem fomentado a Rede de Sementes Agroecológicas com a criação de bancos de sementes comunitários em todo o Estado. Na região de Angra dos Reis e Paraty, promove treinamentos e capacitações para os agricultores com foco em agricultura orgânica e na agroindustrialização dos produtos. Um curso sobre adubação verde acontece no próximo mês de novembro na Associação dos Produtores de Mambucaba. “O foco do nosso trabalho tem sido as regiões serrana, norte
e noroeste, mas observamos um grande interesse dos produtores rurais da Costa Verde em receber a certificação orgânica. Estamos trabalhando em conjunto com o Ministério da Agricultura para auxiliar esses pequenos agricultores ”, conta o consultor de Agroecologia do Programa Rio Rural, Eiser Felippe.

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