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Celebrado em 20 de maio, o Dia Mundial das Abelhas é uma data que vai muito além do mel. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2018, a data serve como um alerta global sobre a importância desses insetos para os ecossistemas e, especialmente, para a produção de alimentos. No Espírito Santo, onde a agricultura familiar sustenta dezenas de municípios e movimenta cadeias produtivas estratégicas como o café, o cacau e os hortifrutigranjeiros, as abelhas desempenham papel central na manutenção da produtividade e da biodiversidade.
Estima-se que cerca de 70% das culturas alimentares do mundo dependem, direta ou indiretamente, da polinização realizada por insetos e as abelhas são responsáveis pela maior parte desse serviço ambiental. Culturas como o café, o maracujá, a melancia, a abóbora e diversas hortaliças têm sua produtividade diretamente influenciada pela presença de polinizadores nas lavouras.
“As abelhas são trabalhadoras invisíveis do campo. O produtor muitas vezes não percebe, mas a presença desses insetos nas lavouras pode representar ganhos expressivos de produtividade e qualidade dos frutos. Proteger as abelhas é, também, proteger a renda do agricultor capixaba”, destacou o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, EnioBergoli.
Ameaças e a importância da produção sustentável
Apesar de sua relevância, as populações de abelhas vêm sendo ameaçadas em todo o mundo pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, pela perda de habitat, pelas mudanças climáticas e pelo avanço de doenças e parasitas. No campo capixaba, a conscientização sobre o manejo responsável de defensivos agrícolas e a valorização das práticas agroecológicas são caminhos fundamentais para garantir a sobrevivência desses polinizadores.
Para o extensionista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Alex Fabian, a presença das abelhas em uma lavoura é, por si só, um sinal positivo.
“A abelha é um indicativo de local saudável. Quando vemos abelhas em uma florada, seja num jardim ou numa lavoura, isso nos diz que aquele ambiente não tem uso excessivo de agrotóxicos. Elas evoluíram junto com as plantas e as flores ao longo de milhões de anos, e essa relação íntima é o que garante a polinização. O planeta conta com cerca de 30 mil espécies de abelhas, e todas elas têm papel nesse equilíbrio. Quando um agricultor adota práticas mais sustentáveis, as abelhas aparecem e isso é um bom sinal”, destacou.
Apicultura: sustentabilidade que gera renda
Além de polinizadoras, as abelhas também são a base de uma atividade econômica crescente no Estado. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Espírito Santo produziu 846 mil quilos de mel em 2024, um crescimento de 55% em relação a 2016, quando o volume registrado era de 544 mil quilos. O valor da produção mais que dobrou no período, saltando de R$ 6,2 milhões para R$ 12,3 milhões. Entre os municípios de maior destaque, Aracruz lidera o ranking estadual com 10,6% da produção, seguido de Fundão (9,7%) e Marechal Floriano (9,5%).
A apicultura e a meliponicultura — criação de abelhas sem ferrão, nativas do Brasil — ganham cada vez mais espaço entre os agricultores familiares capixabas, gerando renda complementar e contribuindo para a conservação da biodiversidade local. A meta do Estado é chegar a 2032 com uma produção de mil toneladas de mel, conforme previsto no Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (PEDEAG 4).
Uma data para refletir e agir
O Dia Mundial das Abelhas é também um convite à reflexão sobre os modelos de produção agropecuária. A transição para sistemas mais sustentáveis, que integrem produção eficiente com conservação da biodiversidade, passa necessariamente pela valorização dos serviços ecossistêmicos e as abelhas são um dos exemplos mais concretos de como a natureza e a agricultura podem e devem caminhar juntas.




