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A destinação de recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira, o Funcafé, para operações ligadas ao Fundo Clima passou a gerar reação no setor produtivo e abriu um novo debate em Brasília sobre a aplicação dos recursos voltados à cafeicultura brasileira.
A preocupação ganhou força após a edição das Portarias STN/MF nº 1.260/2026 e nº 1.464/2026, da Secretaria do Tesouro Nacional, que direcionam mais de R$ 850 milhões do Funcafé para o Fundo Clima.
O tema passou a ser acompanhado por entidades representativas do agro, entre elas a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, que manifestou preocupação com a medida e seus possíveis impactos sobre o crédito destinado à cadeia cafeeira.
Na Câmara dos Deputados, a discussão avançou nesta semana. A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou requerimento para convidar o ministro da Fazenda a prestar esclarecimentos sobre a retirada dos recursos do fundo.
O pedido prevê ainda reunião conjunta com a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. O Funcafé é considerado uma das principais ferramentas de financiamento da cafeicultura nacional.
Os recursos são utilizados em linhas de crédito voltadas ao custeio, comercialização, aquisição de café, capital de giro para cooperativas e indústrias, além da recuperação de cafezais. Também há destinação para pesquisa, assistência técnica e promoção do café brasileiro.
Na safra 2026/2027, o Ministério da Agricultura direcionou R$ 7,368 bilhões ao Funcafé, conforme resolução aprovada pelo Conselho Monetário Nacional.
A maior parcela dos recursos foi destinada às operações de comercialização, seguida pelas linhas de aquisição de café e custeio da produção.
O debate ocorre em um momento de forte atenção do mercado em relação ao crédito rural e aos custos de produção da cafeicultura.
Representantes do setor avaliam que mudanças na destinação dos recursos podem afetar o fluxo de financiamento em um segmento que depende de capital para manutenção das lavouras, armazenamento e sustentação da comercialização.
Ao mesmo tempo, o governo federal tem defendido a ampliação de instrumentos voltados ao financiamento climático e à transição sustentável.
Informações divulgadas sobre as portarias indicam que os recursos direcionados ao Fundo Clima deverão ser utilizados em projetos ligados à adaptação climática e transição energética até 2030.
O tema deve seguir em discussão nas próximas semanas no Congresso Nacional, enquanto o setor acompanha os desdobramentos sobre a execução dos recursos e os impactos para a política de financiamento da cafeicultura brasileira.




