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O Dia Mundial do Café, celebrado nesta terça-feira (14), é uma oportunidade para reconhecer a importância econômica, social e cultural de uma das commodities mais relevantes do mundo. Em um cenário global liderado por grandes produtores como Brasil e Vietnã, o Espírito Santo se destaca como uma origem estratégica, com forte presença tanto em volume quanto em diversidade produtiva.
No contexto mundial, segundo levantamento da Gerencia de Dados e Análises da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), a partir de dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) referentes à safra 2025/26, o Brasil lidera a produção total de café com 36,4% da produção mundial, seguido pelo Vietnã, com 17,3%, e pela Colômbia, com 7%. A diferença entre o primeiro e o segundo colocado evidencia a ampla participação brasileira no mercado global.
No café arábica, a concentração é ainda maior. O Brasil responde por 42,2% da produção mundial, enquanto que Colômbia (12,9%) e Etiópia (11,9%) aparecem logo depois, com participações significativamente inferiores.
No segmento de robusta/conilon, a distribuição é mais equilibrada entre os principais produtores. O Vietnã lidera com 36,7% da produção mundial, seguido pelo Brasil (29,5%) e pela Indonésia (12,0%). Nesse recorte, observa-se maior concorrência entre os países líderes, com o Brasil ocupando posição próxima à liderança.
No âmbito nacional, o protagonismo capixaba é ainda mais evidente. O Espírito Santo é o maior produtor e exportador de café conilon do Brasil, responsável por 68,9% da produção nacional e cerca de 75% das exportações dessa variedade. Considerando o café total (arábica + conilon), o Espírito Santo é o segundo maior produtor do país, com 30,9% da produção nacional, além de ocupar a terceira posição no arábica.
Esse desempenho é resultado de uma trajetória consistente de crescimento. Em pouco mais de uma década, a produção estadual saltou de cerca de 12,8 milhões de sacas em 2014 para mais de 17,4 milhões de sacas em 2025, um avanço superior a 33%.
No comércio exterior, o café lidera com ampla margem a pauta agropecuária capixaba. Em 2025, as exportações de café e derivados alcançaram US$ 1,788 bilhão, contribuindo de forma decisiva para o total de US$ 3,2 bilhões exportados pelo agronegócio estadual. Em volume, foram aproximadamente 4,3 milhões de sacas exportadas, com predominância do conilon.
Café capixaba em 92 países
A presença global do café capixaba também chama atenção. O produto alcança 92 países, considerando todas as formas (grão e solúvel), com destaque para mercados como Turquia, México e Bélgica, no café cru, e Estados Unidos e Indonésia, no café solúvel.
Além dos números, a cafeicultura tem forte impacto social no Espírito Santo. São mais de 75 mil propriedades com cultivo de café, representando quase 70% das propriedades rurais capixabas. Trata-se de uma atividade amplamente distribuída, com forte presença da agricultura familiar, gerando renda, emprego e dinamizando as economias locais.
Regionalmente, o Espírito Santo apresenta uma estrutura produtiva complementar: o conilon domina as regiões mais quentes e de menor altitude, com destaque para municípios como Rio Bananal, Linhares e Vila Valério; enquanto o arábica se concentra nas regiões montanhosas, com polos como Brejetuba, Iúna e Irupi. Essa diversidade produtiva amplia a resiliência do setor e fortalece a identidade do café capixaba.
“Diante desse cenário, o Dia Mundial do Café é o reconhecimento de um setor que combina escala global, diversidade produtiva, sustentabilidade, inovação tecnológica e forte impacto social. O Espírito Santo é uma origem estratégica no mercado internacional, com muito a comemorar e ainda mais a avançar”, destacou o secretário de Estado da Agricultura, Carlos Tesch.
O subsecretário de Desenvolvimento Rural, Michel Tesch, também ressaltou o papel das políticas públicas no fortalecimento da cafeicultura capixaba. “Os resultados que o Espírito Santo apresenta hoje são fruto de um trabalho contínuo de apoio ao produtor rural, com investimentos em assistência técnica, pesquisa, inovação e sustentabilidade. Seguiremos avançando para garantir ainda mais competitividade ao setor”, afirmou.
A gerente de Projetos de Cafeicultura da Seag, Aline Santos Silva, reforçou o papel do Estado na promoção de qualidade e inovação no setor. “O Espírito Santo tem se destacado não apenas pelo volume produzido, mas pela evolução constante na qualidade e na sustentabilidade da cafeicultura. Esse avanço é fruto de políticas públicas, assistência técnica e do empenho dos produtores, que têm investido cada vez mais em tecnologia e boas práticas”, afirmou.




