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O Cais das Artes deve ser mais do que um novo espaço cultural para o Espírito Santo. O anúncio foi feito nesta terça-feira (2), durante o café da manhã de lançamento do Vitória Coffee Summit 2026, realizado no Palácio do Café, em Vitória. O encontro, promovido pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), marcou a apresentação do evento que será realizado em agosto, no Cais das Artes, reunindo lideranças nacionais e internacionais do setor cafeeiro.
Presidente do CCCV, Fabrício Tristão afirmou que o lançamento da terceira edição do Vitória Coffee Summit tem um significado especial por ocorrer no ano em que a entidade celebra oito décadas de atuação. Segundo ele, ao longo desse período, mercados, tecnologias e países produtores e consumidores mudaram, mas o café manteve sua capacidade de conectar pessoas, gerar oportunidades e transformar territórios. “Não estamos apenas lançando mais um evento. Estamos reafirmando a visão de que o Espírito Santo deve ocupar um papel cada vez mais relevante nas grandes discussões que definirão o futuro do café mundial”, destacou.
Tristão também ressaltou que o setor vive um momento de grandes transformações, marcado por questões geopolíticas, sustentabilidade, mudanças regulatórias, barreiras comerciais, avanços tecnológicos, inteligência artificial, logística, segurança alimentar e abertura de novos mercados. Para ele, o futuro do café será construído por quem souber dialogar, cooperar e inovar. O presidente do CCCV disse ainda que a escolha do Cais das Artes como sede do encontro carrega um simbolismo especial, por aproximar o Palácio do Café, marco da história econômica capixaba, de um equipamento voltado à criatividade e ao futuro. “Entre esses dois símbolos, construiremos uma ponte entre tradição e modernidade, entre conhecimento e oportunidade, entre o Espírito Santo e o mundo”, afirmou.

Para o secretário de Estado da Cultura, Fabrício Noronha, o Cais das Artes tem a missão de aproximar os capixabas de temas que ajudam a contar a história econômica, social e cultural do estado. Entre eles, o café. “O Espírito Santo vive um momento muito especial na cultura. Estamos abrindo grandes espaços, como o Cais das Artes, que hoje é um dos principais equipamentos em inauguração no Brasil. Temos como missão trazer um senso de pertencimento do capixaba com aquele espaço. E não há nada mais capixaba, nada que conte mais a nossa história, seja do trabalho, da economia ou da política, do que o café”, afirmou Noronha.
Segundo o secretário, receber no Cais das Artes um evento voltado à cafeicultura reforça a proposta de transformar o equipamento em um ponto de encontro entre arte, identidade e desenvolvimento. Para ele, o Vitória Coffee Summit 2026 representa uma oportunidade de conectar a programação cultural ao momento de força vivido pelo café capixaba.

“É muito importante criar essas pontes e receber no Cais, além das exposições e das atividades culturais, um evento que vai refletir esse momento importante e pujante da cafeicultura no Espírito Santo”, disse.
Noronha também destacou que a relação entre cultura e café não se limita à realização de eventos. De acordo com ele, a Secretaria da Cultura tem desenvolvido parcerias com o Senac e outros atores para aproximar a economia criativa da cadeia produtiva do café, especialmente em áreas como design de embalagens, produção audiovisual, construção de marcas e comunicação.
“A economia criativa tem muitas interfaces com a indústria. Estamos falando de produção de embalagem, produção de vídeo, produção de marca e várias outras conexões. No Hub, no Centro, temos feito, junto com o Senac e outros parceiros, essa ponte entre dois universos que aparentemente não têm muito a ver: uma indústria forte, exportadora, e um fazer que é da cultura e da economia criativa”, explicou.
A gerente de cafeicultura da Secretaria de Estado da Agricultura, Aline Silva, também reforçou que a relação entre o café e a cultura capixaba vai além da atividade econômica. Segundo ela, a cafeicultura está ligada à formação histórica do Espírito Santo, à trajetória das famílias produtoras e ao desenvolvimento do estado. “O café é a cultura do nosso estado. A história dos nossos produtores passa pela cafeicultura. Não tem como desvincular a cafeicultura da cultura do Espírito Santo”, afirmou.

Para Aline, o Vitória Coffee Summit 2026 ocorre em um momento estratégico, em que o mercado internacional exige cada vez mais sustentabilidade e qualidade. “O Espírito Santo lidera trabalhos nessas bandeiras no mundo inteiro. Temos ações de vanguarda, com milhares de propriedades cafeeiras envolvidas em processos de sustentabilidade, incluindo também a dimensão sociocultural. Ter um evento desse em Vitória representa um crescimento imenso para a nossa cafeicultura e mostra o que estamos fazendo dentro do estado”, destacou.
Para Noronha, a escolha do Cais das Artes como sede do encontro reforça a vocação do espaço para abrigar não apenas manifestações artísticas, mas também debates sobre os elementos que formam a identidade capixaba. “O Cais tem essa vocação. Além da arte, ele também deve conectar aquilo que forma o Espírito Santo. E o café faz parte dessa história”, afirmou.
Vitória Coffee Summit 2026
À frente da curadoria técnica do Vitória Coffee Summit 2026, Marcus Magalhães afirmou que o evento nasce com a responsabilidade de marcar os 80 anos do Centro do Comércio de Café de Vitória e, ao mesmo tempo, apontar caminhos para os próximos desafios do setor. Segundo ele, a programação será estruturada em três grandes pilares: origem, mercado e futuro.
“A gente tem que entender como o mundo demanda origem, quem produz, as pessoas envolvidas no processo, rastreabilidade e sustentabilidade. Quando falamos de mercado, precisamos falar de tarifas, acordos comerciais e novos blocos econômicos. E, quando falamos de futuro, é a ligação de tudo isso”, explicou.
Para Marcus, a proposta é transformar Vitória, em agosto, na capital brasileira do café, levando informação estratégica para toda a cadeia produtiva. Ele também destacou que a escolha de Vitória e do Cais das Artes para sediar o encontro reforça a conexão entre memória, presente e futuro da cafeicultura capixaba. Ele lembrou que o CCCV nasceu na capital e que o evento deve irradiar debates para o Espírito Santo e para o Brasil.
Ao tratar dos desafios logísticos, apontou que o estado vive um momento de preparação para ampliar sua competitividade, com investimentos públicos e privados em infraestrutura, como o Porto de Imetame, o Porto Central e estruturas logísticas no norte e no sul capixaba. “A logística está no radar e tem sido pauta de solução de grandes problemas. O Espírito Santo está se preparando para esse futuro que vem por aí”, afirmou.




