Agro e cultura

Cais das Artes deve aproximar capixabas da história do café, diz secretário

Fabrício Noronha defende que o Vitória Coffee Summit 2026 conecte economia, identidade capixaba e economia criativa no novo equipamento cultural do estado

O Cais das Artes deve ser mais do que um novo espaço cultural para o Espírito Santo. Para o secretário de Estado da Cultura, Fabrício Noronha, o local também tem a missão de aproximar os capixabas de temas que ajudam a contar a história econômica, social e cultural do estado. Entre eles, o café.

A declaração foi feita nesta terça-feira (2), durante o café da manhã de lançamento do Vitória Coffee Summit 2026, realizado no Palácio do Café, em Vitória. O encontro, promovido pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), marcou a apresentação do evento que será realizado em agosto, no Cais das Artes, reunindo lideranças nacionais e internacionais do setor cafeeiro.

“O Espírito Santo vive um momento muito especial na cultura. Estamos abrindo grandes espaços, como o Cais das Artes, que hoje é um dos principais equipamentos em inauguração no Brasil. Temos como missão trazer um senso de pertencimento do capixaba com aquele espaço. E não há nada mais capixaba, nada que conte mais a nossa história, seja do trabalho, da economia ou da política, do que o café”, afirmou Noronha.

Segundo o secretário, receber no Cais das Artes um evento voltado à cafeicultura reforça a proposta de transformar o equipamento em um ponto de encontro entre arte, identidade e desenvolvimento. Para ele, o Vitória Coffee Summit 2026 representa uma oportunidade de conectar a programação cultural ao momento de força vivido pelo café capixaba.

“Não há nada mais capixaba, nada que conte mais a nossa história, seja do trabalho, da economia ou da política, do que o café”, avalia Fabrício Noronha

“É muito importante criar essas pontes e receber no Cais, além das exposições e das atividades culturais, um evento que vai refletir esse momento importante e pujante da cafeicultura no Espírito Santo”, disse.

Noronha também destacou que a relação entre cultura e café não se limita à realização de eventos. De acordo com ele, a Secretaria da Cultura tem desenvolvido parcerias com o Senac e outros atores para aproximar a economia criativa da cadeia produtiva do café, especialmente em áreas como design de embalagens, produção audiovisual, construção de marcas e comunicação.

“A economia criativa tem muitas interfaces com a indústria. Estamos falando de produção de embalagem, produção de vídeo, produção de marca e várias outras conexões. No Hub, no Centro, temos feito, junto com o Senac e outros parceiros, essa ponte entre dois universos que aparentemente não têm muito a ver: uma indústria forte, exportadora, e um fazer que é da cultura e da economia criativa”, explicou.

A gerente de cafeicultura da Secretaria de Estado da Agricultura, Aline Silva, também reforçou que a relação entre o café e a cultura capixaba vai além da atividade econômica. Segundo ela, a cafeicultura está ligada à formação histórica do Espírito Santo, à trajetória das famílias produtoras e ao desenvolvimento do estado. “O café é a cultura do nosso estado. A história dos nossos produtores passa pela cafeicultura. Não tem como desvincular a cafeicultura da cultura do Espírito Santo”, afirmou.

“O café é a cultura do nosso estado”, avalia Aline Silva

Para Aline, o Vitória Coffee Summit 2026 ocorre em um momento estratégico, em que o mercado internacional exige cada vez mais sustentabilidade e qualidade. “O Espírito Santo lidera trabalhos nessas bandeiras no mundo inteiro. Temos ações de vanguarda, com milhares de propriedades cafeeiras envolvidas em processos de sustentabilidade, incluindo também a dimensão sociocultural. Ter um evento desse em Vitória representa um crescimento imenso para a nossa cafeicultura e mostra o que estamos fazendo dentro do estado”, destacou.

Para Noronha, a escolha do Cais das Artes como sede do encontro reforça a vocação do espaço para abrigar não apenas manifestações artísticas, mas também debates sobre os elementos que formam a identidade capixaba. “O Cais tem essa vocação. Além da arte, ele também deve conectar aquilo que forma o Espírito Santo. E o café faz parte dessa história”, afirmou.

Vitória Coffee Summit 2026

À frente da curadoria técnica do Vitória Coffee Summit 2026, Marcus Magalhães afirmou que o evento nasce com a responsabilidade de marcar os 80 anos do Centro do Comércio de Café de Vitória e, ao mesmo tempo, apontar caminhos para os próximos desafios do setor. Segundo ele, a programação será estruturada em três grandes pilares: origem, mercado e futuro.

“A gente tem que entender como o mundo demanda origem, quem produz, as pessoas envolvidas no processo, rastreabilidade e sustentabilidade. Quando falamos de mercado, precisamos falar de tarifas, acordos comerciais e novos blocos econômicos. E, quando falamos de futuro, é a ligação de tudo isso”, explicou.

Para Marcus, a proposta é transformar Vitória, em agosto, na capital brasileira do café, levando informação estratégica para toda a cadeia produtiva. Ele também destacou que a escolha de Vitória e do Cais das Artes para sediar o encontro reforça a conexão entre memória, presente e futuro da cafeicultura capixaba. Ele lembrou que o CCCV nasceu na capital e que o evento deve irradiar debates para o Espírito Santo e para o Brasil.

Ao tratar dos desafios logísticos, apontou que o estado vive um momento de preparação para ampliar sua competitividade, com investimentos públicos e privados em infraestrutura, como o Porto de Imetame, o Porto Central e estruturas logísticas no norte e no sul capixaba. “A logística está no radar e tem sido pauta de solução de grandes problemas. O Espírito Santo está se preparando para esse futuro que vem por aí”, afirmou.