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Desde 2019, ano em que o abacaxi teve uma excelente produção no Espírito Santo, com 50,3 milhões de frutos saindo dos pomares capixabas, a produção vem caindo. Em 2021, foram 41,8 milhões de frutos, com um rendimento médio de 18,7 mil quilos por hectare. A área colhida não mudou muito em relação aos demais anos, ficando em 2,2 mil hectares. Mas a tecnologia chegou às plantações, com frutos de mais qualidade e resistentes à fusariose, principal risco para a produção, caso da cultivar Vitória. No Espírito Santo, a cultivar mais procurada ainda é a Pérola, bastante suscetível à doença.
“Lançamos o abacaxi Vitória, que não dá fusariose, a principal praga da cultura e que demanda muito o uso do fungicida”, explica Ivanildo Schmith Kuster, extensionista do Incaper e coordenador do projeto denominado “Estratégias para a difusão de tecnologias para o cultivo do abacaxizeiro no Espírito Santo”, proposta contemplada pelo Banco de Projetos da Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Pesca (Seag) de 2020, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). Kuster diz que o trabalho está em fase de conclusão e o momento é de avaliar no mercado a aceitação do abacaxi Vitória.
O Litoral Sul capixaba concentra 97% da produção de abacaxis capixabas. O abacaxizeiro é uma frutífera de grande importância econômica e social para o Estado, no entanto, a produção e o rendimento são baixos.
Segundo estudos de zoneamento climático, praticamente todo o Espírito Santo tem condições para o cultivo do abacaxi, com grande possibilidade de expansão do cultivo para a Região Norte capixaba. Com a utilização de tecnologias adequadas de cultivo, aliada ao fomento de mudas de cultivares resistentes e produtivas, é possível ampliar a área de produção de abacaxi e reduzir o uso de fungicidas.
O projeto “Estratégias para a difusão de tecnologias para o cultivo do abacaxizeiro no Espírito Santo” pretende justamente expandir a área de produção, especialmente no Litoral Norte e no Noroeste do Estado. O projeto visa a divulgar tecnologias de produção como o mulching, também conhecido como cultivo na lona; a fertirrigação e o controle da floração da cultivar.
“O abacaxi Vitória pode ser mais produtivo, ao mesmo tempo que exige um trato cultural adequado. Por isso, o projeto tem como objetivo orientar as tecnologias de produção para que a cultivar expresse todo o seu potencial. Essas ações em conjunto têm o propósito de aumentar a produtividade e sustentabilidade da abacaxicultura capixaba”, disse Kuster.
Kuster citou ainda a variedade Imperial, de folha lisa, também resistente à fusariose. O Vitória e o Imperial, segundo ele, também entregam frutos de melhor qualidade. Mas exigem um pouco mais de tecnologia, aí entra o mulching (plantio em lona) e fertirrigação. O uso de mulching e da fertirrigação melhoram a eficiência do uso de água e dos nutrientes.
A técnica do mulching é capaz de aumentar em até 30% a produtividade das lavouras e ainda reduzir os custos em até 50% com energia elétrica, água e período de irrigação. Com isso, tem-se um sistema mais eficiente e sustentável, com impactos econômicos e ambientais, com melhor aproveitamento de insumos e incremento na produtividade e qualidade dos frutos.
“O mulching, além da questão hídrica, vai reduzir o mato e a fertirrigação é injeção na veia, vai ser localizada e mais eficiente. O produtor vai gastar um pouco mais para implantar a lavoura, mas terá menos morte de plantas, vai ter mais frutos por hectare. Ou seja, o custo aumenta um pouco, mas a produção cresce. É um abacaxi diferente, que exige mais tecnologia, mas faz uma entrega melhor na colheita”, finaliza.
Abacaxi Vitória
A cultivar Vitória de abacaxi foi lançada em 2006, resistente à fusariose e não possui espinhos nas folhas, possibilitando plantios mais adensados. Diversas ações integradas entre a Extensão Rural e a Pesquisa do Incaper foram desenvolvidas para a expansão da área de plantio com a cultivar Vitória foram executadas, principalmente, no norte e noroeste do Estado, incluindo a doação de mudas, capacitações e a instalação de unidades demonstrativas.
Uma dessas unidades demonstrativas foi mantida entre 2006 e 2014 por meio do trabalho efetivo de Assistência Técnica do ELDR do Incaper Boa Esperança, integrado ao trabalho de Pesquisa do Instituto. Foi observado o rendimento de 45 mil frutos por hectare no município, o que equivale ao dobro da média nacional. Tais resultados foram essenciais para a construção do projeto de difusão do cultivo de abacaxi no Espírito Santo.





