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A trajetória de Renata Alexandre Monassi (45) e do marido, Luiz Cláudio Borges Fardim (54), com o café começou de forma totalmente repentina. Ambos sem nenhuma ligação com a vida rural, em 2021, após o falecimento do sogro, Luiz Cláudio assumiu integralmente o Sítio Tijuca, propriedade da família localizada em Cachoeiro de Itapemirim.
“Quando cheguei, tudo era estranho. Eu não entendia nada da rotina no campo, nem da cultura do café”, relembra Renata. Para completar o desafio do casal, a lavoura, que há anos não recebia cuidados devido aos problemas de saúde (do pai da Renata), estava abandonada.
“Nem eu nem ele sabíamos por onde começar. Nossa vida era outra. Eu no setor financeiro e ele à frente de uma empresa de contabilidade. De repente, tínhamos diante de nós um plantio de café. Mesmo assim, encaramos o desafio. Tivemos que aprender praticamente do zero”, recorda ela, sorrindo.
Com coragem e determinação, o casal decidiu transformar completamente a propriedade. Abandonaram o cultivo convencional e iniciaram um processo de transição para a produção orgânica e sustentável. Um caminho desafiador, mas repleto de aprendizado.
“Foram muitos erros e acertos, noites sem dormir e uma boa dose de paciência. O mais difícil foi acreditar no processo, porque os resultados não aparecem de imediato. Mas sabíamos que estávamos construindo algo com propósito”, afirma Renata.
A dedicação deu frutos: o Sítio Tijuca conquistou o certificado de produção orgânica da Ecocert, reconhecendo o cultivo de café conilon 100% orgânico, livre de agrotóxicos e produzido com respeito ao meio ambiente.
O processo de conversão para o orgânico, segundo Renata, exigiu não apenas investimento financeiro, mas também uma mudança de mentalidade. “Aprendemos que o tempo da natureza é diferente. A transição reduz a produção nos dois primeiros anos, mas depois a lavoura se fortalece. É uma forma mais consciente de produzir e viver”, destaca.
Atualmente, o sítio possui cerca de 15 mil pés de café conilon orgânico, além de outras culturas, como limão-taiti, banana-prata, banana-da-terra, mexerica poncã, acerola e jabuticaba.
Nasce o Café Tijuca
O orgulho e a realização com o novo ciclo de vida no campo inspiraram o casal a dar um passo além. Em 2024, nasceu o Café Tijuca, marca própria da família, com uma linha gourmet de cafés orgânicos de torra média e notas sensoriais de amêndoas e caramelo.
A princípio, começaram a torrar para consumo próprio e para presentear amigos. Mas a aceitação foi tão grande que, em 2025, decidiram comercializar o Café Tijuca em feiras e eventos locais. Animados com os resultados, já estão dando os primeiros passos para ingressar no e-commerce.

Com os pés fincados na terra e o olhar voltado para o futuro, o casal trabalha na renovação de parte da lavoura, o que deve aumentar a produção em cerca de 30% até 2026. O próximo passo é fortalecer as vendas diretas e ampliar a presença do Café Tijuca em novas regiões do Espírito Santo e, futuramente, em outros estados.
“O Café Tijuca é mais do que uma marca. É o resultado de uma história de amor, aprendizado e gratidão. Cada grão carrega um pouco da nossa jornada”, conclui Renata.
Mesmo com parte do café ainda sendo vendida como commodity, o casal segue firme no propósito de fortalecer a marca própria e inspirar outros produtores. “Nosso sonho é mostrar que é possível unir qualidade, sustentabilidade e propósito no campo. O café transformou a nossa vida.”
O exemplo feminino que inspira
Renata Monassi é integrante do Grupo Póde Mulheres, iniciativa da Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul) — da qual o casal também é cooperado — que incentiva o protagonismo feminino no campo. Sua história de superação e aprendizado já inspira outras mulheres a acreditarem no próprio potencial.
“Ser convidada para palestrar e compartilhar minha trajetória é emocionante. Mostra que é possível recomeçar, aprender e vencer, mesmo sem ter vindo da roça. O mais importante é acreditar”, afirma.






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