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O abate de bovinos no Espírito Santo voltou a crescer em 2024 e alcançou 76,7 mil toneladas em peso de carcaça, aproximando-se dos volumes registrados no início da década e encerrando um período de baixa entre 2020 e 2022. O desempenho segue a recuperação do mercado nacional, que atingiu 10,35 milhões de toneladas no mesmo ano, o maior volume da série histórica.
Após registrar 88,1 mil toneladas em 2014, o estado passou por uma trajetória de queda gradual até 2021, quando o abate chegou a 34,5 mil toneladas. A partir de 2022, o Espírito Santo retomou o crescimento, acompanhando a recomposição do rebanho e o aumento da oferta de animais terminados. O abate subiu para 51,7 mil toneladas em 2022, avançou para 73,9 mil toneladas em 2023 e fechou 2024 com 76,7 mil toneladas, consolidando recuperação consistente.
Mesmo com a melhora recente, a participação capixaba no abate nacional segue inferior à observada na década passada. Em 2014, o Estado detinha 1,09% do total brasileiro; em 2024, representa 0,74%. A queda reflete o crescimento acelerado de outras regiões produtoras e a menor velocidade de expansão da bovinocultura no território capixaba.
A trajetória nacional também mostra forte oscilação. O Brasil registrou queda expressiva em 2021, com 5,11 milhões de toneladas — o menor volume da série — seguida por rápida retomada a partir de 2022 e um salto para 10,35 milhões de toneladas em 2024.
A dinâmica da pecuária ao longo desses dois anos revela como o setor respondeu às pressões econômicas e sanitárias. Em 2020 e 2021, o consumo interno retraído, as restrições impostas pela pandemia e a redução temporária das exportações pressionaram abates e preços, culminando no menor volume da série histórica. O cenário foi agravado pela queda na demanda por cortes nobres, pelo fechamento de restaurantes e pela paralisação temporária de plantas frigoríficas em diferentes estados, fatores que comprometeram a rentabilidade do produtor e reduziram o ritmo da atividade.
A partir de 2022, entretanto, a cadeia reagiu com força. A retomada do mercado interno, a reabertura do setor de serviços e a intensificação das vendas externas — impulsionadas especialmente pela demanda asiática — recolocaram a pecuária em rota de crescimento consistente.
Pecuária de leite
O número de vacas ordenhadas no Espírito Santo registrou queda em 2024 e atingiu 234,6 mil cabeças, o menor volume da série iniciada em 2014. Naquele ano, o estado contava com 420,5 mil vacas ordenhadas. A partir de 2015, o rebanho leiteiro iniciou um movimento contínuo de retração, passando por quedas expressivas em 2016 e 2017, quando o número de animais caiu para 272,9 mil e, depois, para 262 mil cabeças. O recuo segue ao longo dos anos seguintes e estabiliza-se em torno de 240 mil animais entre 2018 e 2024, com pequenas oscilações.
Em 2024, os maiores rebanhos de vacas ordenhadas estão distribuídos em diferentes regiões do estado. Ecoporanga lidera, com 18.662 cabeças, seguida por Barra de São Francisco (10.557), Alegre (10.502), Presidente Kennedy (9.109) e Cachoeiro de Itapemirim (8.924), municípios que mantêm forte tradição na atividade leiteira.
Produção leiteira
A produção de leite no Espírito Santo registrou novo recuo em 2024, mas manteve elevado o valor gerado pela atividade, consolidando um movimento que marca toda a última década: menos volume, maior valor econômico. O estado produziu 349,5 milhões de litros, queda de 4,2% em relação a 2023, enquanto o valor da produção somou R$ 835,8 milhões — o segundo maior da série histórica, abaixo apenas do registrado em 2023.
Desde 2014, quando o Espírito Santo produziu 483,6 milhões de litros, o setor vem reduzindo o volume anual, influenciado pela diminuição do número de vacas ordenhadas, pelo aumento dos custos de produção e pela migração para sistemas mais intensivos e tecnificados. Entre 2014 e 2024, a produção caiu 27,7%. O valor da produção, no entanto, mais que dobrou no período, impulsionado por preços mais altos e por ganhos de produtividade por animal.
O ponto mais baixo da série foi em 2022, com 345,2 milhões de litros. A partir de 2023, houve recuperação parcial, mas a produção voltou a cair em 2024. Apesar disso, o valor gerado pelo leite permaneceu elevado, com resultados consistentes desde 2020, quando o setor ultrapassou a marca de R$ 650 milhões e iniciou uma trajetória ascendente.
A atividade permanece amplamente distribuída pelo território capixaba, com destaque para municípios tradicionalmente ligados à pecuária leiteira. Em 2024, Ecoporanga liderou a produção estadual, com 24,57 milhões de litros (7,03%), seguida por Mucurici (14,74 milhões), Alegre (14,06 milhões), Presidente Kennedy (13,90 milhões) e Nova Venécia (12,61 milhões), que juntos respondem por mais de 22% do volume produzido no estado.






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