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Uma família produtora de cafés especiais de Mimoso do Sul, no sul do Espírito Santo, criou uma nova linha de microlotes que busca apresentar o produto a partir da origem e da história de quem participa da produção. Batizada de “Seleção da Paulicia”, a iniciativa reúne cafés com diferentes características sensoriais e utiliza uma identidade visual desenvolvida dentro da própria propriedade.
A proposta surge em um momento em que produtores de cafés especiais também buscam novas formas de comunicar atributos como origem, processamento e identidade. Localizado na comunidade de Alto Pontões, a X Km do centro, o Sítio Santo Agostinho está inserido em uma região de relevo montanhoso e temperaturas mais baixas, condições que influenciam o desenvolvimento dos frutos e os perfis obtidos após o processamento.
A produção da propriedade é conduzida pela família, que acompanha diferentes etapas da atividade, da lavoura à preparação dos lotes. Entre os elementos que interferem no resultado estão a seleção dos frutos, o método de processamento, a secagem e as condições específicas de cada safra.

A criação da nova linha partiu da observação de que os diferentes lotes produzidos na propriedade apresentavam características distintas e também refletiam as preferências de cada integrante da família, explica Guilherme Ferbek. O sogro, Paulo Roberto Vila, o “Paulinho”, ligado ao manejo cotidiano da propriedade, tem preferência pelos cafés naturais e por perfis associados às características tradicionais da produção. Já a mulher, Paulicia, se identifica com bebidas mais delicadas, de maior doçura e aromas marcantes. Guilherme, por outro lado, demonstra interesse por processos experimentais, incluindo diferentes métodos de fermentação.
Essa diversidade também aparece nos cafés selecionados para o projeto. “Um dos lotes mais recentes passou por fermentação anaeróbia e apresentou características sensoriais diferentes das encontradas nos cafés de perfil mais tradicional da propriedade, com presença mais evidente de frutas e acidez cítrica”, destaca Ferbek. A escolha de processos distintos permite à família trabalhar com perfis variados dentro da mesma origem, em vez de concentrar a produção em uma única característica sensorial.

A apresentação dos cafés também passou a fazer parte do projeto. A família desenvolveu uma lata destinada aos microlotes e, em vez de contratar externamente toda a criação da identidade visual, o trabalho foi realizado por Guilherme, que possui experiência profissional anterior na área de comunicação e design. A solução gráfica foi pensada para estabelecer uma identificação comum entre os diferentes cafés, enquanto o nome da primeira linha faz referência a Paulicia, que participa das atividades da propriedade, incluindo a organização da produção, a colheita e o relacionamento com clientes.
Para o cafeicultor, a criação da identidade representa uma mudança de perspectiva em relação ao trabalho que desenvolveu anteriormente para outras empresas. “Pela primeira vez, eu não estava desenhando para um cliente. Estava desenhando para representar aquilo que vivemos todos os dias na propriedade”, afirma.
A “Seleção da Paulicia” marca, segundo a família, o início de um projeto que poderá resultar em outras linhas associadas às pessoas e às diferentes características do Sítio Santo Agostinho. A iniciativa coloca a comunicação da origem, os métodos de processamento e a participação dos produtores como elementos complementares à qualidade da bebida. Em vez de apresentar apenas o café final, a família pretende utilizar as novas linhas para registrar diferentes aspectos da produção e aproximar o consumidor das circunstâncias em que cada lote é produzido.






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