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A produção de gengibre no Espírito Santo vive um ciclo de expansão sem precedentes. Em uma década, o estado multiplicou por cinco o volume colhido, passando de 12,9 mil toneladas em 2014 para 77,7 mil toneladas em 2024. O crescimento é resultado da ampliação da área plantada e do aumento de produtividade das lavouras.
Entre 2014 e 2024, a área colhida saltou de 313 para 1.285 hectares — aumento de 310%. A evolução foi acompanhada por ganhos de eficiência: o rendimento médio passou de 41,2 mil kg/ha para 60,4 mil kg/ha no período. Em 2023, inclusive, a cultura registrou o melhor desempenho da série, com 62,4 mil kg/ha, impulsionada por condições climáticas favoráveis e avanços no manejo.
A cadeia é marcada por forte especialização territorial. Apenas três municípios respondem por 95% de toda a produção estadual: Santa Leopoldina (40,54%), Santa Maria de Jetibá (33,98%) e Domingos Martins (20,91%). Com 31,5 mil toneladas em 2024, Santa Leopoldina continua como o maior polo do país, sustentado pela agricultura familiar, pela tradição no cultivo e pela mão de obra experiente.
O Espírito Santo responde por cerca de 75% da produção nacional de gengibre, com 77,7 mil toneladas colhidas em 2024. O valor gerado ultrapassou R$ 317 milhões, e as exportações somaram mais de US$ 45 milhões, consolidando o estado como líder nacional em produção e exportação.
A consolidação do Espírito Santo como líder nacional em área plantada, produtividade e exportação também se reflete nas análises de quem acompanha de perto o comportamento do mercado internacional. Wanderley Stuhr, produtor e exportador com larga experiência no comércio exterior de gengibre, avalia que o gengibre brasileiro ganhou espaço principalmente quando a China enfrentou problemas.
“O gengibre brasileiro conquistou mercado porque a China, que era dominante, teve problemas de produção nos últimos dez anos. Nosso produto passou a ser visto como mais confiável e de melhor qualidade. A aceitação é muito boa e conseguimos ser competitivos em produção e preço.”
Segundo ele, essa janela permitiu ao Brasil diversificar destinos e melhorar valores, consolidando a reputação do produto capixaba.
Mas, se a década foi de ascensão, 2025 representou um freio brusco nas exportações, especialmente pelo aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos ao gengibre brasileiro.
“O tarifaço tornou o período um dos mais difíceis dos últimos anos. Perdemos completamente o mercado americano, não vendemos nada. A maior parte do gengibre acabou indo para a Europa, que não absorveu todo o volume. O mercado ficou saturado e, como consequência, os preços caíram.”
O gengibre, assim como o café, pimenta, cacau e outros itens do agronegócio, tiveram a tarifa adicional de 40% retirada no final de novembro. Mesmo assim, os setores tiveram perdas, já que foram quase quatro meses sob taxação pesada.
Mas, mesmo com o fim da taxa extra, há outro desafio: o momento da queda do tarifaço. “O problema é que caiu quando a safra já tinha acabado. E exportar fora de época, por via marítima, é muito arriscado. O gengibre perde qualidade e estraga mais rápido”.
Apesar da turbulência internacional, a realidade no campo foi mais favorável aos agricultores. “Para os exportadores, foi um ano ruim. Mas para os produtores, não. O preço na roça chegou a R$ 50 a caixa, o que é bom. A margem para quem exporta ficou apertada, mas o produtor trabalhou com valores compensadores”.
Apesar dos desafios recentes, Wanderley Stuhr se mostra otimista com os próximos ciclos. “O aumento maior de produção virá em 2026, porque o plantio deste ano foi maior. Agora precisamos acompanhar o desenvolvimento das lavouras. Se tudo correr bem, teremos uma safra mais robusta. E, como as portas da exportação continuam abertas, 2026 tem potencial para ser um ano muito bom”.






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