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Venda Nova do Imigrante e Alfredo Chaves, na região serrana do Espírito Santo, apostaram na valorização dos seus produtos de Indicação Geográfica (IG) para impulsionar o turismo local. Com a criação das rotas do Socol e do Vale do Inhame, respectivamente, as duas cidades buscaram promover a gastronomia regional e atrair visitantes interessados em degustar e conhecer a origem dessas iguarias tradicionais.
Em Venda Nova, a conquista da IG em 2018 proporcionou aos produtores uma parceria valiosa para expandir o produto no mercado. Formado em duas engenharias e após uma década em Aracaju (SE), Lorenzo Zandonade Carnielli (Fazenda Carnielli) toca os negócios familiares no agroturismo. Ele destaca que a IG fortalece os produtores, permitindo que eles se unam e se tornem mais visíveis como grupo. “Quando a gente consegue a certificação, você que é muito pequeno e não tem apoio de grande marketing, dinheiro da indústria e das comunicações, passa a ter um parceiro que te ajuda a fazer acontecer. Então, você tem dez produtores de socol em Venda Nova, sendo seis aptos para a venda, e esses seis juntos são mais fortes do que um só sozinho”.
Ele ressalta ainda que a IG trouxe profissionalização ao setor, garantindo um produto padronizado e de qualidade. “Hoje, temos produtores dentro da IG com registros que garantem um produto muito mais limpo, organizado e padronizado, a exemplo do Selo Arte. Temos um nível hoje de organização do produto bem diferente do passado. A origem da carne tem que ser muito bem determinada. Tudo isso trouxe uma profissionalização para os negócios. Isso é fundamental para conseguirmos transmitir essa cultura daqui para frente, mantê-la viva, num cenário de equilíbrio financeiro e profissionalização dos produtores. Tradicional, deve ser só a receita do socol”, analisa.
A Rota do Vale do Inhame, de acordo com o diretor executivo da Associação dos Produtores de Inhame de São Bento do Espírito Santo (Apisbes), Jandir Gratieri, também é uma importante ferramenta para impulsionar o turismo local. “O turismo de experiência é uma estratégia importante para o meio rural. E é nesse contexto que a Rota do Vale do Inhame desempenha um papel importante, pois a venda direta ocorrerá nas propriedades”.
Embora o tubérculo seja vendido principalmente in natura, o diretor ressalta que existem inúmeras oportunidades para a produção artesanal de subprodutos de inhame pelos moradores da área de IG, o que pode gerar renda para pequenos empreendimentos.

Trabalho e criatividade
Um bom exemplo ocorre na comunidade de Redentor, no distrito de São Bento de Urânia, onde o clima ameno das montanhas esconde uma história inspiradora de trabalho, criatividade e amor pelo que se faz. É ali que a família Fardin, tradicional na agricultura familiar, encontrou um novo jeito de empreender: transformando o cultivo de inhame em sabor e refrescância. Assim nasceu o Frescor das Montanhas, uma sorveteria artesanal que vem conquistando paladares dentro e fora de Alfredo Chaves com o famoso sorvete e picolé de inhame.
O negócio, tocado por Edinelma e Zelindo Fardin, com o apoio do filho Yuri, começou de forma simples há cerca de oito anos. Além de inhame, outros 50 sabores são fabricados no local. “Minha esposa sempre gostou de fazer doces e sobremesas. Um dia pensamos: por que não transformar essa paixão em uma renda extra?”, conta Zelindo. O que começou com uma pequena produção para vizinhos e amigos cresceu e hoje é uma referência na região.
Atualmente, o Frescor das Montanhas oferece mais de 50 sabores de picolés e sorvetes, preparados com ingredientes selecionados e aquele toque de cuidado típico das famílias do interior.
Além do atendimento direto no local, os produtos chegam também a mercados, padarias, bares e restaurantes dos municípios da região. “No verão, é uma correria, com muitas entregas. No inverno, a gente desacelera um pouco, mas nunca para”, explica Edinelma.
O sabor da terra é transformado em sorvete
Uma das grandes inovações do empreendimento nasceu dentro da escola da filha mais nova do casal. Durante um projeto escolar sobre o inhame, tubérculo símbolo de Alfredo Chaves – reconhecida nacionalmente como a Capital Nacional do Inhame -, surgiu a ideia de criar um sorvete com o ingrediente.
A experiência deu tão certo que o sabor virou sucesso de vendas e entrou para o cardápio fixo. “O picolé e o sorvete de inhame surpreendem quem prova. A gente usa passas e ameixa seca, o que dá um sabor diferenciado e muito cremoso”, conta Edinelma, orgulhosa.
O ingrediente principal vem direto da propriedade da família. Quando falta, eles compram de vizinhos, fortalecendo a economia local e a produção agrícola familiar – uma das marcas de São Bento de Urânia, onde cerca de 600 famílias cultivam o inhame, responsável por boa parte das 50 toneladas produzidas por ano no município.





