Agro capixaba

Um celeiro forjado na montanha e no mar

Da produção nas montanhas ao potencial do litoral, a diversidade geográfica transformou o Espírito Santo em um dos principais celeiros do país, com destaque para café, frutas, pecuária e pescado

A ilustração do mapa do Espírito Santo com braços fortes destaca o estado como um gigante na produção nacional de café, ovos, gengibre, cacau, pimenta-do-reino e mamão.Mesmo ocupando um dos menores territórios do Brasil, o Espírito Santo se consolidou como um dos destaques do agronegócio nacional. O estado lidera a produção de café conilon e se sobressai pela diversidade de culturas, com forte presença na produção de pimenta-do-reino, mamão, gengibre, cacau, leite, pescado e florestas plantadas.Esse desempenho é resultado da combinação entre o empreendedorismo dos produtores, os investimentos em tecnologia e inovação, a força da agricultura familiar e a integração entre pesquisa, assistência técnica e políticas públicas. Com alta produtividade e vocação exportadora, o estado transformou seu território reduzido em uma referência nacional de eficiência, competitividade e desenvolvimento sustentável no campo. Ilustração de Zé Ricardo (@zeilustra)

O Espírito Santo consolidou, na última década, uma posição de destaque no agronegócio brasileiro. Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o estado figura entre os maiores produtores do país em diversas cadeias, com liderança nacional em seis culturas estratégicas e forte presença entre os dez principais municípios produtores do Brasil.

O desempenho mais expressivo está no café conilon, no qual o estado mantém a liderança absoluta. Municípios como Rio Bananal, Linhares, Vila Valério, Colatina, Jaguaré e Nova Venécia ocupam as seis primeiras posições do ranking nacional, reforçando o poder da cafeicultura capixaba.

A liderança também se repete em pimenta-do-reino, com São Mateus no topo e outros quatro municípios entre os primeiros do país. Culturas de base familiar, como gengibre, inhame, chuchu e taioba, mantêm o Espírito Santo na 1ª posição nacional, impulsionadas por municípios da região Serrana, como Santa Leopoldina, Laranja da Terra, Santa Maria de Jetibá e Alfredo Chaves.

O estado também ocupa o 2º lugar nacional em produtos como mamão e ovos de codorna, ambos com municípios líderes do Brasil. No mamão, por exemplo, Pinheiros, Montanha, Linhares e São Mateus são os quatro municípios maiores produtores do país. Já ovos de codorna, Santa Maria de Jetibá ocupa a primeira posição.

Em cadeias de importância econômica crescente, como café arábica, cacau, tomate, morango, abacate e repolho, o Espírito Santo figura entre os cinco maiores produtores do país. Os municípios de Brejetuba e Iúna seguem entre os principais produtores de café arábica do Brasil, enquanto Linhares mantém posição entre os maiores polos de cacau.

Já em hortaliças e culturas de nicho, o protagonismo capixaba se espalha por diferentes municípios. Santa Maria de Jetibá concentra lideranças e posições entre os maiores produtores nacionais em produtos como morango, repolho, berinjela, jiló, vagem e pimentão, reforçando o perfil do município como potência nacional na horticultura.

Além disso, o estado mantém relevância em tangerina, coco, batata-baroa, seringueira e banana, com municípios como Domingos Martins, São Mateus, Pinheiros e Itaguaçu figurando nos rankings do IBGE.

O conjunto desses resultados confirma a diversificação, a eficiência produtiva e o papel estratégico do Espírito Santo no mapa do agro brasileiro. A combinação entre tecnologia, organização da agricultura familiar, assistência técnica e clima favorável fortaleceu cadeias tradicionais e impulsionou culturas emergentes, garantindo ao estado posições de liderança nacional e consolidando sua imagem como referência em produtividade e qualidade.

Sobre o autor Fernanda Zandonadi Desde 2001, Fernanda Zandonadi atua como jornalista, destacando-se pelo alto profissionalismo e pela excelência na escrita de suas reportagens especiais. Tem um conhecimento aprofundado em agronegócio, cooperativismo e economia, com a habilidade de traduzir temas complexos em textos de grande impacto e relevância. Seu rigor e qualidade na apuração e narração de histórias do setor garantiram que seu trabalho fosse constantemente reconhecido pela crítica especializada, o que a levou a conquistar múltiplas distinções e reconhecimentos em premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos