Cafeicultura

Café capixaba deve alcançar maior safra da série em 2026

Produção total deve chegar a 19 milhões de sacas, puxada pelo conilon e pela recuperação do arábica nas regiões de montanhas

Crédito: André Berlinck/Sebrae ES/divulgação

A produção de café no Espírito Santo deve alcançar 19 milhões de sacas em 2026, o maior volume da série analisada entre 2019 e 2026. O dado, elaborado pela Conexão Safra a partir de informações do Painel Agro/Incaper, mostra um crescimento de aproximadamente 40,9% em relação a 2019, quando a safra estadual foi de 13,5 milhões de sacas.

O avanço mais forte ocorreu no período recente. Depois de produzir 13,9 milhões de sacas em 2024, o Espírito Santo saltou para 17,4 milhões em 2025 e deve chegar a 19 milhões em 2026. O movimento confirma a recuperação da cafeicultura capixaba e reforça o peso da atividade na economia rural do estado.

O café conilon é a principal base dessa expansão. Em 2026, a estimativa é de 14,9 milhões de sacas, o equivalente a 67% da safra nacional da espécie. A produção deve crescer 5% em relação a 2025. Além do volume, o estado se destaca pela área cultivada, com 269,4 mil hectares, cerca de 70% da área nacional de conilon, e produtividade estimada em 55,2 sacas por hectare.

A distribuição territorial do conilon ajuda a explicar essa força. A cultura está presente em 68 municípios capixabas, com maior concentração no norte e noroeste, além de áreas do centro e do sul. Municípios como Rio Bananal, Linhares, Vila Valério, Colatina, Jaguaré, Nova Venécia, São Mateus, Pancas e Sooretama formam uma base produtiva ampla, marcada por tecnologia, irrigação e manejo intensivo.

O arábica também apresenta recuperação importante. A produção estimada para 2026 é de 4,2 milhões de sacas, alta de 26,5% em relação a 2025, quando a safra foi impactada pela bienalidade negativa. A produtividade deve passar de 27 para 32,6 sacas por hectare, enquanto a área chega a 127,5 mil hectares, a 3ª maior do país.

Nas regiões de montanhas, o arábica sustenta uma identidade produtiva ligada à qualidade da bebida, aos cafés especiais e à agricultura familiar. A cultura está presente em 46 municípios, com destaque para Brejetuba, Iúna, Irupi, Ibatiba, Muniz Freire, Afonso Cláudio, Guaçuí, Ibitirama e Domingos Martins.

O Valor Bruto da Produção também mostra a relevância econômica da cafeicultura. Entre 2019 e 2024, o VBP do café capixaba passou de R$ 5,82 bilhões para R$ 16,74 bilhões, crescimento de 187,6%. O conilon respondeu pelo maior avanço em valores absolutos, saindo de R$ 4,56 bilhões para R$ 12,34 bilhões, enquanto o arábica passou de R$ 1,26 bilhão para R$ 4,39 bilhões.

Conservação do solo reduz custos e fortalece a produtividade na cafeicultura capixaba

Reciclagem de materiais produzidos nas propriedades, plantio em curva de nível para conter a erosão e inserção de vegetação entre as linhas de cultivo estão entre as práticas conservacionistas que vêm sendo trabalhadas com cafeicultores capixabas para proteger o solo, reduzir custos e sustentar a produtividade no campo. No Espírito Santo, esse conjunto de estratégias integra o projeto Cafeicultura Sustentável, que já alcança mais de 6,4 mil propriedades.

Segundo o extensionista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Tássio Souza, coordenador do projeto Cafeicultura Sustentável na região sul do estado, essas ações vêm sendo adotadas para estruturar a cafeicultura de forma mais estável e eficiente, com foco na conservação do solo e no fortalecimento da produção.

“Vamos falar um pouco aqui sobre as práticas que o projeto Cafeicultura Sustentável. Aqui no Espírito Santo, elas vêm preconizando pra gente ter, de fato, a cafeicultura estruturada e conservando e trazendo aos produtores a estabilidade na produção”, afirmou.

Tássio destaca que, além de conter processos erosivos, essas práticas contribuem para a fixação de nitrogênio, o aumento da matéria orgânica e o enriquecimento da biota do solo. Com isso, há melhora na ciclagem de nutrientes e redução da dependência de fertilizantes externos.

Na prática, segundo ele, o resultado aparece tanto na proteção da lavoura quanto na economia para o produtor, sem perda de desempenho no campo. “A gente sempre preconiza aos produtores rurais inserirem em meio às suas linhas vegetação que possa contribuir com a fixação de nitrogênio, fixação de matéria orgânica pra trazer um enriquecimento da biota do solo, protegendo e, ao mesmo tempo, proporcionando uma ciclagem de nutrientes que possibilita ao produtor economia por conta da redução de aporte externo de fertilizantes e, ao mesmo tempo, protegendo e contribuindo para as suas altas produtividades”, disse.

Sobre o autor Fernanda Zandonadi Desde 2001, Fernanda Zandonadi atua como jornalista, destacando-se pelo alto profissionalismo e pela excelência na escrita de suas reportagens especiais. Tem um conhecimento aprofundado em agronegócio, cooperativismo e economia, com a habilidade de traduzir temas complexos em textos de grande impacto e relevância. Seu rigor e qualidade na apuração e narração de histórias do setor garantiram que seu trabalho fosse constantemente reconhecido pela crítica especializada, o que a levou a conquistar múltiplas distinções e reconhecimentos em premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos