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O El Niño tem mais de 90% de chance de atingir intensidade muito forte entre setembro deste ano e janeiro de 2027 e 69% de probabilidade de superar todos os episódios registrados desde 1950 no trimestre de outubro a dezembro. A projeção consta no boletim atualizado em 17 de agosto pelo Centro de Previsão Climática (CPC), ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
O período de maior intensidade previsto pelo órgão corresponde à primavera e ao começo do verão no Hemisfério Sul. Segundo o NOAA, o fenômeno já está estabelecido, continua ganhando força e deve permanecer ativo até o outono de 2027 nesta parte do planeta.
O cenário mais expressivo aparece no trimestre de outubro a dezembro de 2026. Para que o evento supere a intensidade dos demais El Niños registrados na série histórica iniciada em 1950, o Índice Oceânico Niño Relativo (RONI) precisaria alcançar pelo menos 2,5 °C na média de três meses.
O RONI é uma das principais referências utilizadas pelo NOAA para acompanhar e classificar o El Niño e a La Niña. O órgão considera um El Niño muito forte quando esse índice chega ou ultrapassa 2 °C.
Na previsão divulgada em agosto, a probabilidade de o fenômeno atingir essa categoria é de 93% entre setembro e novembro, 95% entre outubro e dezembro e 90% entre novembro e janeiro.
Os dados mais recentes do oceano já mostram aquecimento expressivo. A anomalia semanal da temperatura da superfície do mar chegou a 1,8 °C na região Niño 3.4, localizada no Pacífico Equatorial central e considerada estratégica para o monitoramento do fenômeno.
O aquecimento é ainda mais elevado nas áreas próximas à costa da América do Sul. A anomalia alcançou 2,5 °C na região Niño 3 e 3,2 °C na região Niño 1+2. Na porção mais ocidental do Pacífico Equatorial, representada pela região Niño 4, o desvio ficou em 0,2 °C.
O valor mais recente do RONI, calculado para o trimestre de maio a julho, está em 1 °C. A diferença em relação à medição semanal da região Niño 3.4 ocorre porque os indicadores utilizam períodos, metodologias e conjuntos de dados diferentes.
O RONI considera uma média móvel de três meses e desconta o aquecimento médio das águas tropicais. Já os números semanais mostram a situação mais recente de cada região monitorada no Pacífico.
As condições atmosféricas também confirmam o fortalecimento do fenômeno. O NOAA identificou mudanças nos ventos, aumento da formação de nuvens e da chuva sobre o Pacífico Equatorial central e oriental, além de redução da convecção sobre a Indonésia. Esse conjunto mostra que oceano e atmosfera estão respondendo de forma compatível com um El Niño estabelecido.
As probabilidades oficiais do CPC indicam 100% de chance de permanência do El Niño até o trimestre de janeiro a março de 2027. A possibilidade recua para 97% entre fevereiro e abril e permanece elevada, em 82%, entre março e maio, período correspondente ao outono no Hemisfério Sul.
Apesar da intensidade projetada, o NOAA ressalta que um El Niño mais forte não determina automaticamente a dimensão dos impactos em cada região. A força do fenômeno aumenta a possibilidade de ocorrência dos padrões climáticos característicos, mas não garante que chuva, seca ou temperatura seguirão a mesma intensidade em todos os locais.
O boletim também não apresenta uma previsão específica para o Brasil. Os dados descrevem a evolução do fenômeno no Pacífico e precisam ser combinados com previsões regionais para avaliar possíveis efeitos no país e no Espírito Santo.






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