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El Niño pode superar marcas de 1877 e 2015 com aquecimento de 3°C, diz The Whashingon Post

Artigo do The Washington Post aponta que novos dados do ECMWF indicam aquecimento de até 3°C no Pacífico equatorial, patamar associado aos eventos mais fortes já registrados

Super El Niño 2026
Imagem: Conexão Safra/IA

As chances de formação de um dos eventos de El Niño mais fortes já registrados aumentaram nas últimas semanas, segundo artigo publicado nesta quarta-feira (6) no The Washington Post. Assinado pelo meteorologista Ben Noll, o texto aponta que novas projeções do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) indicam a possibilidade de aquecimento intenso no Pacífico equatorial central até o fim de 2026.

De acordo com o artigo, a previsão mais recente do ECMWF mostra que as temperaturas da água em uma área-chave do Pacífico podem chegar a 3°C acima da média no fim do ano. Esse patamar poderia se aproximar ou até superar marcas históricas associadas aos eventos de 1877 e 2015, além de ultrapassar o limite considerado para um super El Niño.

O colunista Ben Noll, meteorologista especializado em comunicação de eventos extremos, tendências climáticas e análise de dados meteorológicos, destaca que este é o terceiro mês consecutivo em que diferentes modelos climáticos apontam para um El Niño potencialmente recorde. A evolução do fenômeno pode elevar as temperaturas globais e alterar padrões de seca, chuva, calor, umidade e gelo marinho em várias regiões do planeta.

A confiança em um evento de grande intensidade também foi citada pelo professor Paul Roundy, da Universidade Estadual de Nova York em Albany. Segundo ele, “a confiança está claramente aumentando” em relação ao que pode ser o maior El Niño desde a década de 1870. Os registros do fenômeno começaram por volta de 1850, conforme o material publicado pelo jornal norte-americano.

O avanço das projeções está relacionado, entre outros fatores, a um padrão raro de três ciclones no Pacífico registrado no mês passado. Esse sistema provocou rajadas de vento recordes e ajudou a formar um grande volume de água quente abaixo da superfície do oceano, com anomalias de até 7°C acima da média.

Segundo dados da NOAA citados no artigo, o El Niño já começa a influenciar gradualmente os padrões climáticos e pode estar completamente formado até julho. A partir daí, os efeitos tendem a se intensificar ao longo do segundo semestre, com impactos diferentes conforme a região do planeta.

Entre os possíveis efeitos estão a redução da atividade de furacões no Atlântico, maior risco de furacões e tufões no Pacífico, risco de seca em ilhas do Caribe e diminuição das chuvas de monção em áreas da Índia. O artigo também aponta maior probabilidade de ondas de calor extremas, com possíveis reflexos sobre a produção agrícola.

No caso da América do Sul, as projeções indicam aumento do risco de ondas de calor em grande parte do continente. Também há possibilidade de seca em trechos do norte da América do Sul, incluindo o norte do Brasil, principalmente no fim do ano. Por outro lado, partes do Peru, Equador e sul do Brasil podem enfrentar risco elevado de chuvas fortes e inundações.

A cientista climática Katharine Hayhoe foi citada no artigo alertando que os padrões associados ao El Niño podem ter impactos sociais relevantes. Segundo ela, esses padrões estão correlacionados com escassez de alimentos, impactos sobre a água e até conflitos civis em países tropicais.

Um dos principais pontos de atenção é o calor global. Eventos intensos de El Niño costumam favorecer anos de temperatura recorde porque liberam calor acumulado no oceano para a atmosfera. Em seguida, os padrões de vento e os sistemas climáticos espalham esse calor pelo planeta.

O artigo também cita avaliação do cientista climático Zeke Hausfather, segundo a qual 2026 caminha para ser o segundo ano mais quente já registrado. Quanto mais forte for o El Niño, maior será a chance de recorde global de calor, especialmente em 2027, já que o aumento da temperatura do ar costuma ocorrer após o desenvolvimento e o pico do fenômeno. Segundo Hausfather, há 73% de chance de 2027 se tornar o ano mais quente já registrado no planeta.

Sobre o autor Fernanda Zandonadi Desde 2001, Fernanda Zandonadi atua como jornalista, destacando-se pelo alto profissionalismo e pela excelência na escrita de suas reportagens especiais. Tem um conhecimento aprofundado em agronegócio, cooperativismo e economia, com a habilidade de traduzir temas complexos em textos de grande impacto e relevância. Seu rigor e qualidade na apuração e narração de histórias do setor garantiram que seu trabalho fosse constantemente reconhecido pela crítica especializada, o que a levou a conquistar múltiplas distinções e reconhecimentos em premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos