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A La Niña perdeu força no Pacífico equatorial e deu lugar a uma fase de neutralidade climática, em uma transição que já coloca meteorologistas em alerta para o possível retorno do El Niño ainda neste primeiro semestre. A atualização mais recente do Climate Prediction Center, dos Estados Unidos, aponta que as condições neutras do fenômeno Enso já estão presentes, enquanto o oceano e a atmosfera mostram sinais de reorganização para uma fase quente nos próximos meses.
De acordo com o boletim, o sistema de alerta está agora em condição de “aviso final de La Niña” com “vigilância para El Niño”. A avaliação indica que a neutralidade deve predominar entre abril e junho de 2026, com 80% de probabilidade. Na sequência, entre maio e julho, o El Niño passa a ser o cenário mais provável, com 61% de chance de formação e tendência de persistência ao menos até o fim do ano.
Os dados mostram que, desde o início de janeiro, as águas mais frias que marcavam a La Niña enfraqueceram gradualmente em grande parte do Pacífico equatorial. Já a partir de fevereiro, anomalias de temperatura acima da média começaram a surgir no setor leste do oceano, avançando depois para áreas próximas à Linha Internacional de Data. Esse comportamento é um dos sinais acompanhados para identificar a virada do sistema oceânico-atmosférico.
Outro indicativo relevante está abaixo da superfície do mar. O relatório informa que as anomalias positivas de temperatura em subsuperfície se fortaleceram nos últimos dois meses no Pacífico equatorial centro-leste, o que costuma favorecer o aquecimento das águas superficiais ao longo das semanas seguintes. Também foram observadas ondas de Kelvin descendentes no início de 2026, mecanismo que ajuda a reforçar esse aquecimento e pode acelerar a consolidação de um episódio de El Niño.
Apesar disso, a NOAA ainda classifica o momento atual como neutro. O índice RONI mais recente, referente ao trimestre janeiro-março de 2026, ficou em -0,7°C, ainda dentro da influência residual da La Niña. Para que um episódio de El Niño seja oficialmente caracterizado, é preciso que o aquecimento no Pacífico central se mantenha acima do limiar por vários trimestres móveis consecutivos, além de vir acompanhado de resposta consistente da atmosfera.
A tendência, porém, é de mudança. O panorama probabilístico divulgado em abril mostra que o El Niño deve ganhar força ao longo do segundo semestre. Para o período entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, a agência norte-americana aponta chances praticamente equivalentes de um evento moderado, forte ou muito forte, o que reforça a importância do monitoramento contínuo nos próximos meses.
Na prática, o fim da La Niña e o possível início do El Niño marcam uma troca importante no padrão climático global. Ainda é cedo para cravar impactos regionais específicos no Brasil com base apenas nesse boletim, mas a mudança no Pacífico já sinaliza uma nova fase de atenção para setores como agricultura, recursos hídricos e previsão sazonal.





