Conheça a banana Ambrosia, nova cultivar resistente a doenças, alagamentos e seca

Cultivar recomendada pelo Incaper tem boa produtividade, frutos de qualidade, maior vida de prateleira e tolerância a condições adversas no campo

Banana Ambrosia
Foto: Incaper/divulgação

Resistência a doenças, qualidade dos frutos e tolerância a condições adversas no campo colocam a banana Ambrosia como uma nova alternativa para a bananicultura. A cultivar está sendo recomendada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) para atender à demanda de produtores e consumidores por uma banana tipo nanica mais adaptada aos desafios da produção.

Entre os principais diferenciais estão a resistência à sigatoka-amarela, à sigatoka-negra e ao mal do panamá raça 1. A cultivar também apresenta tolerância ao alagamento ou encharcamento do solo por curtos períodos na estação chuvosa e, em condições não irrigadas, boa tolerância à seca, com recuperação mais rápida após a retomada da irrigação.

A recomendação busca suprir uma lacuna no mercado de banana-nanica. Segundo o documento técnico do Incaper, não havia uma cultivar do subgrupo Cavendish resistente às sigatokas-amarela e negra, doenças presentes em praticamente todo o território nacional. Com isso, a Ambrosia passa a ser apresentada como uma alternativa economicamente viável para os bananicultores capixabas.

A cultivar foi selecionada a partir de pesquisas conduzidas pelo Incaper, que desde 1976 desenvolve trabalhos voltados à introdução, avaliação e seleção de novas cultivares de bananeira. Na década de 1980, diferentes acessos foram incluídos no Banco de Germoplasma de Banana da antiga Emcapa, hoje Incaper, com o objetivo de identificar materiais adaptados às regiões produtoras do Espírito Santo.

Os estudos foram realizados nas Fazendas Experimentais de Alfredo Chaves e de Bananal do Norte, em Pacotuba, distrito de Cachoeiro de Itapemirim. Nesses locais, a Ambrosia se destacou por reunir alta produtividade, qualidade de frutos, ausência de sintomas do mal do panamá e resistência às principais sigatokas.

De acordo com o Incaper, a Ambrosia pertence ao subgrupo Gros Michel e foi avaliada nos últimos 20 anos em diferentes ecossistemas do Espírito Santo e também em outros estados, como Bahia, São Paulo e Amazonas. As avaliações contaram com instituições como Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e Embrapa Amazônia Ocidental.

Nesse período, a cultivar apresentou características agronômicas semelhantes ou superiores às tradicionais cultivares do subgrupo Cavendish, especialmente Grande Naine, Nanica e Nanicão. Em áreas experimentais de Alfredo Chaves, alcançou produtividade superior e mostrou porte e vigor semelhantes aos da Grande Naine, o que permite o cultivo com técnicas e espaçamentos já conhecidos pelos produtores.

Os números também reforçam o potencial da Ambrosia. Segundo dados médios de quatro ciclos de produção apresentados pelo Incaper, a cultivar registrou peso médio de cacho de 32,7 quilos, acima dos 28,5 quilos observados na Grande Naine. Também apresentou 10,7 pencas por cacho, contra 9,7 da cultivar usada como comparação.

Outro dado relevante está no período entre a floração e a colheita. Na Ambrosia, esse intervalo foi de 85,71 dias, enquanto na Grande Naine chegou a 109,7 dias. A cultivar também manteve mais folhas na colheita mesmo sem uso de fungicidas para controle de doenças, fator importante para o desempenho produtivo da bananeira.

Além da resposta no campo, a qualidade dos frutos é um dos pontos destacados pelo Incaper. A Ambrosia também apresentou maior vida de prateleira após a colheita e maior resistência à antracnose.

Essas características podem favorecer tanto o produtor quanto o mercado. Para quem produz, a maior resistência a doenças e a tolerância a estresses hídricos ajudam a reduzir riscos produtivos. Para a comercialização, a vida de prateleira mais longa e a resistência à antracnose podem contribuir para diminuir perdas após a colheita.

Os frutos da Ambrosia apresentam grande aceitação entre consumidores, segundo o Incaper, em razão do aspecto visual e do sabor muito semelhantes aos da tradicional Grande Naine. Na prática, a cultivar combina atributos agronômicos importantes com uma aparência familiar ao mercado de banana-nanica.

Para viabilizar a recomendação, o Incaper mantém campos de produção de mudas nas Fazendas Experimentais de Alfredo Chaves e de Bananal do Norte. O instituto também disponibiliza material propagativo in vitro no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Centro Serrano, em Domingos Martins.

Essas estruturas dão suporte à implantação de pomares clonais em cooperação com a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), prefeituras, cooperativas, associações de produtores e empresas privadas. A proposta é ampliar a produção de mudas e facilitar o acesso dos bananicultores à nova cultivar.

Sobre o autor Fernanda Zandonadi Desde 2001, Fernanda Zandonadi atua como jornalista, destacando-se pelo alto profissionalismo e pela excelência na escrita de suas reportagens especiais. Tem um conhecimento aprofundado em agronegócio, cooperativismo e economia, com a habilidade de traduzir temas complexos em textos de grande impacto e relevância. Seu rigor e qualidade na apuração e narração de histórias do setor garantiram que seu trabalho fosse constantemente reconhecido pela crítica especializada, o que a levou a conquistar múltiplas distinções e reconhecimentos em premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos