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A partir de 2026, todas as empresas brasileiras, inclusive as do agronegócio, terão de se adequar às exigências da Norma Regulamentadora NR-01, que passa a incluir os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Mais do que burocracia, a norma pode se tornar uma oportunidade estratégica de gestão.
De acordo com Kassyene Rodrigues, psicóloga há mais de 16 anos, especialista em avaliação psicossocial e adequação à NR-01, a exigência vai muito além da prevenção de acidentes físicos. “Agora será preciso mapear fatores invisíveis, como estresse, sobrecarga de trabalho, insegurança no emprego e apoio da liderança. Muitas empresas enxergam a NR-01 apenas como obrigação legal, mas, na prática, ela reduz custos com afastamentos, fortalece a produtividade e garante mais segurança jurídica”, explica.
Kassyene destaca que o processo envolve duas etapas: mapeamento, que funciona como um diagnóstico técnico e mostra onde estão os riscos; e gestão, que implementa medidas estratégicas para corrigi-los. “Só mapear não resolve. É como identificar uma praga na lavoura e não aplicar o tratamento. O diferencial está em mapear, agir e acompanhar”, pontua.
No agro, esse cuidado é ainda mais urgente. Jornadas intensas, pressão por resultados e a sazonalidade das safras aumentam os riscos de adoecimento, afirma Pollyana Brasil, psicóloga e especialista em gestão de pessoas no agronegócio, com carreira há mais de 18 anos. Ela alerta para os sinais de que uma empresa já está “adoecida”: “Turnover elevado, ambiente tóxico e custo operacional alto são sintomas claros de que algo precisa ser revisto. A saúde mental da equipe impacta diretamente o caixa da empresa, e ignorar isso custa caro”, afirma.
As duas especialistas concordam que investir em saúde mental no agronegócio não é gasto, é estratégia. Elas desenvolvem um trabalho conjunto de adequação à NR-01, que em maio de 2026 começam as fiscalizações, com foco em elevar a produtividade no campo e apoiar produtores rurais no gerenciamento e no planejamento estratégico e tático, contribuindo para o crescimento sustentável das empresas rurais.




