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Reutilizar para preservar

Foi preciso uma estiagem rigorosa para que as pessoas começassem a levar a sério o tema de preservação e reutilização da água no Espírito Santo.

por Redação Conexão Safra

em 25/02/2015 às 0h00

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Reutilizar para preservar

Filipe Rodrigues


Foi preciso uma estiagem rigorosa para que as pessoas começassem a levar a sério o tema de preservação e reutilização da água no Espírito Santo. Diversos produtores perderam tudo ou quase tudo este ano por conta da seca. Os rios e nascentes secaram ou diminuíram o drasticamente o volume de água.


Há no entanto, as exceções às regras. Em Vargem Alta, por exemplo, alguns produtores rurais já têm o hábito de reutilizar água. É o caso de Jayme Meroto. Suinocultor, ele reutiliza as águas que limpa a granja para irrigar outras produções.



Jayme conta que decidiu investir no biodigestor por duas questões: econômica e, principalmente, por ser ecologicamente correta. “Já faz oito anos que temos essa prática em nossas propriedades ”, contou.

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Atualmente, ele conta com quatro biodigestores em suas duas propriedades, que ficam em Vargem Grande e São José de Fruteiras, ambas no município de Vargem Alta. Ele conta que a água utilizada para lavar a granja dos porcos é toda reutilizada na irrigação. “Demora cerca de 80 dias, até que a água fique pronta para ser reutilizada ”, revelou.


Nesse período de estiagem, ele conta que não passou dificuldades, primeiro, porque a região onde trabalha é rica em água. E segundo porque esse trabalho de reutilização tem preservado as nascentes e os mananciais. Mesmo assim, Jayme Meroto conta que o nível de água está baixo. “A gente tem percebido a diminuição do volume de água nas nascentes e nos rios. Por isso é cada vez mais importante que todos reutilizem e economizem água ”, destacou.


Jayme Meroto conta que esse procedimento leva a economia de até 80 mil litros de água por dia.


Biodigestores

O princípio de funcionamento dos biodigestores se baseia no processo anaeróbio. Se trata de um ambiente criado de forma artificial e favorável ao desenvolvimento de bactérias anaeróbias. Existem vários modelos de biodigestores, sendo que cada um é adequado aos diferentes tipos de resíduos obtidos no meio rural, podendo ser operados com cargas contínuas ou batelada. Entre os vários tipos, os mais utilizados são os biodigestores indianos, chineses, fluxo tubular e o tipo batelada.


O batelada é mais simples de ser construído, composto apenas pela câmara de biodigestão cilíndrica, que é feita de alvenaria, e pelo gasômetro móvel, com formato cilíndrico e cobertura abaulada, construído de material metálico. Muito útil em situações em que a remoção dos dejetos não é feita diariamente, como ocorre na avicultura de corte, onde os dejetos são retirados das granjas ao final de cada período de produção, o que dura, em média, 60 dias.



Os dejetos diluídos em água são colocados de uma só vez dentro da câmara de biodigestão, onde permanecerão por um período de tempo maior e, quando a fermentação for completada, serão retirados.


Biofertilizante

O biofertilizante é natural e tem características bem adequadas para ser aplicado como fertilizante.


O biofertilizante, por sua vez, poderá ser aproveitado como fertilizante natural para realizar adubações das lavouras, pois se trata de um produto de excelente qualidade que, quando utilizado corretamente, praticamente não polui o ambiente, além de possuir características minerais adequadas para o desenvolvimento das plantas.


É um produto rico em matéria orgânica, bioestabilizado, que possui todos os nutrientes que os dejetos tinham antes da biodigestão, uma vez que as perdas que ocorrem durante o processo são mínimas.


Portanto, trata-se de um material natural com características bem adequadas para ser aplicado como fertilizante em substituição aos químicos que poluem o ambiente e deixam resíduos tóxicos nos alimentos e que, por isso, poderão causar danos à saúde do homem. Além disso, tem a característica de não atrair moscas às plantações e de ser livre de microrganismos patogênicos causadores de doenças nas plantas.


Fonte: AQUIES

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