Geral

Irrigação econômica em sistema particular

por Redação Conexão Safra

em 07/07/2015 às 0h00

7 min de leitura

Irrigação econômica em sistema particular


A Safra foi até o Noroeste do Es tado conhecer uma experiência modelo para a irrigação da lavoura

A baixa umidade e os longos períodos de estiagem caracterizam o clima do Norte e Nordeste capixabas. Os produtores rurais sempre conviveram com essa realidade, experimentada por outras regiões do Espírito Santo a partir de dezembro de 2014 com a maior seca dos últimos 40 anos no Estado.

A crise hídrica afetou a agricultura e o abastecimento de água das grandes cidades, conforme a SAFRA mostrou na última edição. De forma discriminada, muitos agricultores utilizam a água do rio para irrigar lavouras, esgotando ainda mais o recurso tão escasso neste primeiro semestre do ano.

Dentro de um projeto consciente e econômico, executado com a criatividade de quem sempre se expôs às intempéries do tempo, um agricultor de Vila Valério, no Noroeste, desenvolveu um sistema de irrigação que economiza água, dinheiro, mão-de-obra e agrega produtividade ao café conilon.

Ozilio Partelli, de 54 anos, mantém os pés de café integralmente irrigados com um modelo que atende quatro plantas por microaspersor de água. Os equipamentos agem diretamente na base da planta, evitando desperdício.

Pelo sistema anterior implantado na fazenda, o 3 x 1, o espaçamento é de 3 metros entre as carreiras e de 1 metro entre plantas. A cada grupo de quatro pés, o intervalo é de 1,5 metro.

No projeto de Partelli, a montagem da irrigação ocorre no esquema 4 x 2,5 metros, o que fez toda a diferença. São quatro plantas em volta de um microaspersor em uma área de 1 m², com vazão de 35 litros de água/hora. A vazão é determinada conforme o clima.

Só para se ter uma ideia, a economia em relação ao sistema anterior chega a R$ 3 mil. “Rascunhei o projeto como autodidata há três anos. Vi que dava certo e fiquei entusiasmado com os resultados. Eu gostaria que outros cafeicultores seguissem esse modelo ”, diz o agricultor.

Comparado ao sistema vigente, de aspersão fixa, o projeto de Ozilio Partelli economiza 60% de água e energia elétrica. A irrigação é garantida com a água armazenada em três açudes, um deles com capacidade para 576 mil metros cúbicos, um dos maiores da região. “A economia ocorre também na manutenção do sistema. Eu já estou estudando aumentar a quantidade de plantas por área. ”

A fazenda de Ozilio Partelli fica na localidade de Paraíso Novo, a nove quilômetros da sede do município. São 8 hectares cultivados com café consorciado com coco. A plantação da fruta ocupa mais 16 hectares da propriedade, que ainda produz cacau e pimenta-do-reino.

É diversificação e tecnologia inovadora no conilon fazendo a diferença em Vila Valério, um município onde até o posto de combustíveis e o supermercado leva o nome da variedade de café.


Comparado ao sistema vigente, de as persão fixa, o projeto de Ozilio Pa rtelli economiza 60% de água e energia elétrica.



CONILON NO ES

O café conilon é plantado em 64 municípios situados em regiões quentes e com altitudes inferiores a 500 metros, envolvendo 36 mil propriedades. Os maiores municípios produtores são Vila Valério (650 mil sacas/ano), Jaguaré, Sooretama, Rio Bananal, Nova Venécia, Pinheiros, São Mateus, Linhares, Boa Esperança e São Gabriel da Palha (300 mil sacas). A última safra capixaba de conilon superou 9 milhões de sacas.

Este ano, a colheita do conilon é aberta no dia 14 de maio. A data foi estabelecida para evitar que o produtor colha o café antes da hora certa. Dessa forma, garante-se a uniformidade de maturação dos grãos e mais qualidade ao produto.


As árvores de conilon são mais curtas do que as do café arábica. Após o seu desenvolvimento, apresenta-se com vários caules, enquanto o arábica é planta de apenas um caule. O fruto do conilon normalmente é menor do que do arábica. Além disso, possui maior teor de cafeína


ES é pioneiro na adaptação e utilização de máquinas para a colheita de conilon


A colheita mecanizada do café conilon vem se tornando uma realidade nas propriedades rurais do Espírito Santo. O investimento em tecnologia vem de encontro com a escassez de mão de obra, considerada uma das principais dificuldades.

Não há mão de obra suficiente para colher os milhões de sacas que produz a região. Segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa,Assistência Técnica e Extensão Rural- Incaper, há uma diminuição muito expressiva de trabalhadores na agricultura, pois não existe treinamento para apanhar café na mão.

Os ‘apanhadores’ de café não treinados muitas vezes acabam danificando e quebrando planta, comprometendo a lavoura e a colheita futura. Para o Incaper, a mecanização vai ajudar a abrir novos postos de trabalho, mais tecnificados ”, pontuou Fábio Moreira da Silva, professor doutor da Universidade Federal de Lavras (Ufla) que coordenou simpósio sobre o tema em abril, em São Mateus.

As lavouras de conilon do município estão sendo preparadas para a mecanização, e alguns produtores da região abriram as propriedades para a realização dos testes. “Colher café com máquina vai dar maior tranquilidade a vocês, que põem comida na mesa da gente. Vai melhorar a condição de cada trabalhador e de quem produz ”, frisou o prefeito de São Mateus, Amadeu Boroto.

De acordo com as apresentações técnicas, é possível colher o Conilon com máquinas desde que as lavouras sejam conduzidas de maneira adequada. Um debate foi organizado para a elaboração das diretrizes e propostas de manejo do Conilon visando a mecanização a colheita.

O produtor rural e empresário do ramo de locação de máquinas agrícolas de Minas Gerais Nivaldo Souza Ribeiro. “Máquina não é tudo. O elemento humano ainda é muito importante, e a pessoa deve ser preparada para usar a máquina com sensibilidade para cuidar do cafezal. O maior patrimônio de vocês é o pé de café ”, concluiu.


Armazém começa a receber café até junho

Um dos galpões da Coopeavi em Vila Valério.


pube


Com capacidade para 33 mil sacas de café, será construído ainda este ano um armazém da Cooperativa Agropecuária Centro-Serrana- Coopeavi em Vila Valério. A estrutura ocupa uma área total de 307 mil metros quadrados na localidade de Queixada, zona rural do município. A expectativa da cooperativa é finalizar todas as obras no empreendimento até setembro, mas o recebimento do café já deve começar a partir de junho, quando a máquina de rebeneficiamento estará totalmente instalada e a área, pavimentada. O investimento é de R$ 3,5 milhões.


pube