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Entrevista com Sergio Majeski, Deputado Estadual (ES). Será que ele sobreviverá?

Natural de Santa Maria de Jetibá, Sergio Majeski é geógrafo e atua como professor há mais de 30 anos,Incentivado por amigos e alunos

por Redação Conexão Safra

em 19/02/2015 às 0h00

6 min de leitura

Natural de Santa Maria de Jetibá, Sergio Majeski é geógrafo e atua como professor há mais de 30 anos. Incentivado por amigos e alunos, pela primeira vez se candidatou ao cardo de deputado Estadual. Eleito, já começou inovanto e fez processo seletivo para contratar os assessores de gabinete. ,


1 &ndash, Deputado, o senhor assume seu primeiro mandato neste ano, mas é veterano em política partidária atuando pelo PT por mais de 20 anos. Por que a mudança tão radical indo para o PSDB, sigla que está no extremo das convicções petistas?

R- Fui petista enquanto o partido conservou a ideologia, bem como milhares ou milhões de pessoas, que assim como eu, acreditaram numa nova politica. O PT, como oposição foi a mais aguerrida e atuante que o país já teve, mas uma vez no poder, os líderes se mostraram ainda pior do que aqueles que tanto criticavam. Só o fato de Sarney ter se tornado o grande aliado e amigo de Lula, dispensa comentários. Depois veio o escândalo do mensalão e vários outros desmandos. Não fui direto para o PSDB. Tive uma passagem pelo PPS e depois fui para o PSDB por três motivos, o primeiro é que acredito que a Social Democracia é uma proposta viável, segundo, apesar dos problemas que o partido tem, existem ótimos quadros como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Luiz Paulo, entre outros, e terceiro por enxergar no partido, o único em condições de crescer e fazer frente ao PT.


2 &ndash, O governador Hartung foi eleito por um eixo que tinha o PSDB e que apoiava o candidato Aécio Neves à presidência, mas chegando ao poder tratou de se aliar totalmente ao PT para se aproximar de Brasília e fugir do isolamento. Esse tipo de comportamento em prol da “governabilidade ” não ajuda a denegrir a imagem política, onde se ganha com um discurso, mas se governa com outro?

R: Fui eleito de uma forma muito independente e assim continuo. Tenho observado que algumas pessoas parecem mais interessadas em “interesses partidários ”, de grupos, ou mesmo individuais, do que em melhorar a imagem da política brasileira de fato. Não consigo imaginar como é que o governo se posicionará em 2016, quando várias das pessoas acomodadas no governo pretenderão disputar as mesmas prefeituras.

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3 &ndash, O que o senhor espera do governo Hartung e como se comportará em relação a ele na Assembleia Legislativa?

R: Espero que faça uma excelente administração coadunada com os anseios da sociedade. Estarei disposto a apoiá-lo em tudo aquilo que realmente for de interesse coletivo da sociedade. É sempre bom lembrar e reforçar que o Estado e o Parlamento são instituições que devem atuar com responsabilidade e zelo, sempre priorizando o interesse social.


4 &ndash, O senhor foi o único deputado a não votar na reeleição do presidente Ferraço, que é um representante tradicional da direita capixaba e com modelos administrativos arcaicos, reconhecidamente aqui em Cachoeiro quando foi prefeito. Não votar significa uma satisfação ao eleitorado, sobretudo jovem, que espera do senhor um mandato diferenciado?

R:
Sempre deixei claro e com o máximo de transparência possível que fui contra a PEC da reeleição e não poderia agir de outra forma. Os eleitores que me confiaram voto esperam que o meu discurso esteja de acordo com as minhas ações e esse será sempre o meu propósito. Sou uma pessoa coerente. Conversei com o deputado Theodorico Ferraço antes e depois da eleição da mesa e tenho a certeza que ele compreendeu meu posicionamento.


5 &ndash, Sabemos que a Assembleia vive à sombra do Executivo, é influenciada e dominada por ele. E também costuma olhar apenas para si mesma, esquecendo os anseios coletivos ou se omitindo diante deles.
A pergunta do eleitor do senhor nesse momento é a seguinte: ele resistirá, com seus conceitos, idéias e convicções políticas?

R: Estamos no século XXI, espera-se dos homens públicos, notadamente aqueles que foram eleitos pela sociedade, que atuem com republicanismo, com elevado espírito público e democrático, e que, sobretudo, não percam de vista os motivos pelos quais foram eleitos e para que servem os poderes. Eu me manterei fiel àquilo que acredito e aos anseios dos meus eleitores e da sociedade.


6 &ndash, Voltando à sua eleição, ela apresentou aspectos diferenciados como o uso da internet e o baixíssimo custo (em torno de R$ 20 mil). Dá para a população acreditar que vai continuar vendo candidatos pobres eleitos num país com campanhas milionárias, ou o senhor se considera uma exceção? Como sobreviver à massificação do dinheiro sobre os ideais?

R:
Creio que minha eleição deveria ter um sentido pedagógico, de exemplo mesmo. As pessoas precisam voltar a acreditar na política e nos políticos. Ao me eleger com uma campanha de baixo custo, mostrei que é possível eleger uma pessoa honesta e que tenha uma história de vida digna e que está comprometida com a sociedade e não com os grandes financiadores de campanha. Espero que nas próximas eleições outras boas pessoas acreditem e se candidatem. Acredito que estamos no inicio de uma mudança de paradigma. Cada vez mais as pessoas desconfiam dos políticos profissionais e das campanhas milionárias.


7 &ndash, Outro aspecto interessante desse seu início de mandato foi a escolha dos assessores pelo currículo (processo seletivo) e não por indicação política. De onde veio essa idéia e como isso pode diferenciar no dia a dia do mandato?

R: Quando uma pessoa tem o seu próprio negócio, ela quer funcionários e colaboradores competentes. Ela não contrata apenas porque as pessoas são amigos ou parentes, pois quer eficiência e eficácia. Mesmo que um gabinete parlamentar guarde diferenças em relação a uma empresa, ali também precisa haver eficiência, eficácia e isso, só é possível com bons profissionais. Foi por isso que resolvi fazer um processo seletivo. Não tenho apadrinhados, a população está farta de ver o uso personalista e patrimonialista que se faz da politica.


8 &ndash, Em uma projeção futura, como espera terminar o mandato daqui a quatro anos? O que espera deixar de legado nessa sua passagem pela Assembleia?

R: Espero terminar meu mandato com a certeza do dever cumprido, de cabeça erguida e deixando como legado o exemplo de que é possível entrar na politica e não ser empurrado, ou ir por vontade própria, para a vala da corrupção, do patrimonialismo, do personalismo, da falta de compromisso com a sociedade.



Fonte:site AQUIES

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