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Geral

Diversificação da produção é garantia de renda no campo

O projeto No Campo é uma nova ferramenta que auxilia o empreendedor na nova fase

por Redação Conexão Safra

em 30/01/2014 às 0h00

4 min de leitura

Com a atual crise do café, o Sebrae ES tem ajudado produtores nesse processo para que tenham lucro durante todo o ano. O projeto No Campo é uma nova ferramenta que auxilia o empreendedor na nova fase.

Os últimos meses de 2013 têm marcado uma contínua desvalorização da saca do café – principal produto agrícola capixaba. Isso se traduz em pouco retorno e muitos prejuízos para os agricultores, que dependem única e exclusivamente dessa atividade. Assim, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae ES) tem realizado um intenso trabalho de conscientização junto aos produtores para projetar novas alternativas de renda em suas propriedades.

Na região serrana do estado, floricultores têm recebido a visita de consultores do Sebrae ES, com objetivo de conhecer melhor a história de cada um e a melhor via para auxiliá-los. A analista do Sebrae Karla Fernanda tem coordenado as ações na região e relata ter percebido um grande interesse por parte dos produtores pela aquisição de conhecimento de novas técnicas de gestão e de outros cultivos que possibilitem renda durante todo o ano.

“”Costumo dizer que um ótimo produtivo pode não ser um ótimo econômico. Então, é necessário que se faça esse tipo de trabalho didático para explicar as vantagens do processo de profissionalização dos seus processos de gestão e acompanhar a evolução da implantação. Sabemos que certas pessoas gostam muito da atividade que desempenham, por vezes há muitos anos, mas se alguma outra também se mostra viável e vai possibilitar um lucro maior, por que não tentar?””, disse.

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Estes produtores de flores atendidos pelo Sebrae ES também desempenham a atividade cafeeira em suas propriedades. Por meio de pesquisa in loco no projeto, relevantes dados comparativos sobre o andamento de ambas as atividades nessas propriedades foram levantados. Na média, a floricultura utiliza 3% de área da propriedade para o seu cultivo, enquanto o café ocupa 31%. Porém, a renda proporcionada pela floricultura representa em média 43% da renda enquanto o café chega aos 19%. “”Esses dados demonstram que na roça é importante haver alternativas de renda na propriedade, pois, esta proporciona estabilidade financeira e inibe o êxodo rural, gerando melhoria na renda e qualidade de vida do produtor interiorano””, completou a analista.

Karla destaca que na última avaliação de projetos, realizada em meados do mês de novembro, percebeu avanços entre os empreendedores que desenvolvem outros cultivos, além do café. “”O produtor que só produz café está muito atrás dos demais. Mesmo tendo unidade gerencial ele acaba se tornando muito cauteloso, justamente por ter só aquela fonte de renda. Já os que produzem diversidade são mais seguros na hora de realizar os seus negócios e, assim, conseguem driblar as crises com a renda dessas outras produções que permeiam sua propriedade””.

A analista do Sebrae Nacional, Fátima Lamar, esteve no Espírito Santo para acompanhar algumas das propriedades que já estão com seus novos processos de gestão mais avançados. De acordo com ela, o pioneirismo do ES pode se tornar modelo para outros Estados.


Projeto No Campo


O projeto No Campo é uma nova ferramenta para empreendedores rurais que desejam explorar toda a real potencialidade de sua propriedade.

A solução é formada por um conjunto de soluções educacionais, com vistas a profissionalizar o empreendedorismo no campo, conscientizando o produtor rural de que a propriedade precisa ser tratada como uma empresa.

Os temas tratados durante as oficinas, cursos e palestras são voltados para Gestão, Liderança, Associativismo, Empreendedorismo, Comercialização.

O No Campo já foi aplicado com sucesso no município de Santa Maria de Jetibá. De acordo com Juliana Castro, gestora do Projeto Horticultura Orgânica do Sebrae ES, o formato das soluções do No Campo são um sucesso, e destaca a duração de 4 horas das Oficinas.

“”Uma das maiores dificuldades no processo de capacitação do projeto era o formato “”sala de aula””, pois os produtores não aguentam ficar muito tempo nesse ambiente, principalmente quando o tema é gestão. A experiência que tivemos na aplicação do “”Controlar Meu Dinheiro no Campo”” foi excelente””, disse.

Ainda, segundo Juliana, os produtores improvisaram uma sala de aula em um galpão no sitio de um deles, sem paredes, rodeada pela natureza.

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