Mais lidas 🔥

Reconhecimento Internacional
Azeite do Espírito Santo ganha medalha de ouro em concurso internacional

Diversificação no campo
Nova aposta no campo: gengibre pode transformar a agricultura em Venda Nova do Imigrante

Avicultura e suinocultura
Mão de obra diversa ajuda a fortalecer a cadeia de aves e suínos no Espírito Santo

Pecuária em destaque
Exponel Ouro impulsiona a imagem do Espírito Santo na bovinocultura de corte

Agronegócio em destaque
Mercado do café em alta: exportações brasileiras crescem em maio

O inverno de 2026 começa no dia 21 de junho, às 5h24, e termina em 22 de setembro. A estação deve ser marcada por temperaturas acima da média em praticamente todo o país, influência de El Niño forte e atenção redobrada para os efeitos do clima na agricultura, na umidade do ar, nas queimadas e na saúde da população, segundo prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
No Sudeste, a previsão para julho, agosto e setembro indica chuva próxima da média histórica em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. No centro-sul de São Paulo, os volumes devem ficar acima da média. Já no Espírito Santo, a tendência é de chuva abaixo da média no trimestre. As temperaturas devem ficar acima do normal em toda a região, com os maiores desvios previstos para o oeste de Minas Gerais.
Na agricultura, o cenário do Sudeste combina oportunidades e pontos de atenção. As chuvas próximas da climatologia tendem a favorecer culturas de inverno, como trigo e aveia, especialmente no sul de São Paulo, onde a previsão indica melhora no armazenamento de água no solo. O calor acima da média, porém, pode acelerar o ciclo das lavouras, encurtar o período de enchimento dos grãos e aumentar a pressão de doenças foliares.
Para o café, cultura de grande peso no Espírito Santo, em Minas Gerais e em São Paulo, as condições previstas favorecem as operações de colheita. Depois do período seco, o retorno adequado das chuvas será importante para estimular floradas mais uniformes. Nos citros e na cana-de-açúcar, a combinação de calor e disponibilidade hídrica satisfatória em parte da região tende a manter o crescimento e o estado fisiológico das plantas.
No Sul, o inverno deve ter chuva acima da média nos três estados. Os maiores volumes são esperados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com acumulados que podem chegar a até 100 milímetros acima da média histórica do trimestre. As temperaturas também devem ficar predominantemente acima da média, embora o centro-sul do Rio Grande do Sul possa registrar valores próximos do normal.
Para o campo, a chuva acima da média tende a favorecer o desenvolvimento das culturas de inverno. O alerta fica para o excesso de umidade combinado a temperaturas ligeiramente superiores ao normal, condição que pode aumentar a ocorrência de doenças fúngicas e exigir maior monitoramento fitossanitário. Por outro lado, a maior nebulosidade e as temperaturas mais elevadas podem reduzir o risco de geadas tardias, que costumam causar danos relevantes às lavouras de inverno e às culturas perenes.
No Centro-Oeste, a previsão indica chuva próxima da média histórica em todo o território. Mesmo assim, as temperaturas devem ficar acima da média, com desvios superiores a 1°C na faixa central da região. Como o inverno já costuma ser uma estação mais seca no Centro-Oeste, a combinação de calor e baixa umidade mantém a atenção para queimadas, manejo da água e condições das pastagens.
Na agricultura, o cenário tende a favorecer a colheita do milho segunda safra, do algodão e da cana-de-açúcar, além da finalização do ciclo de lavouras mais tardias. O principal ponto de atenção está nos meses de agosto e setembro, quando o calor acima da média pode intensificar a deficiência hídrica, especialmente em áreas com baixo armazenamento de água no solo. Mesmo com impacto mais limitado sobre o milho segunda safra, por causa do estágio avançado das lavouras, a restrição hídrica pode afetar pastagens, recursos usados na pecuária e a umidade necessária para o início da próxima safra.
No Nordeste, o prognóstico aponta chuva abaixo da média em grande parte da região. A previsão indica volumes próximos da média apenas em áreas como o centro-oeste da Bahia, o centro-sul do Piauí, o extremo sul do Maranhão e o extremo oeste de Pernambuco. As temperaturas devem ficar acima da média histórica em toda a região, principalmente no Maranhão, no oeste do Piauí e no oeste da Bahia, onde os desvios podem superar 1°C.
No campo, o cenário exige atenção especial para áreas de sequeiro. O calor acima da média tende a aumentar a evapotranspiração, elevar a demanda hídrica das culturas e reduzir o armazenamento de água no solo. Nas lavouras de feijão de terceira safra em fase mais avançada, o tempo seco pode favorecer a maturação e a colheita. Mas, onde as lavouras ainda estiverem em fase vegetativa ou reprodutiva, o déficit hídrico pode comprometer o florescimento, o enchimento de grãos e o potencial produtivo. As pastagens também podem ser prejudicadas, com redução da oferta de forragem e maior necessidade de suplementação animal.
No Norte, a previsão é de predomínio de chuva abaixo da média em praticamente toda a região. As temperaturas também devem ficar acima da média climatológica, podendo superar 1°C em relação ao padrão histórico do período. A combinação de menos chuva e mais calor aumenta a preocupação com perda de umidade no solo, queimadas e pressão sobre recursos hídricos.
Na agropecuária da Região Norte, o aumento da demanda evaporativa da atmosfera pode reduzir os níveis de água no solo e ampliar o risco de deficiência hídrica. Os impactos podem atingir pastagens, culturas perenes e sistemas da agricultura familiar, especialmente em áreas com menor capacidade de retenção de água.
O prognóstico também destaca que o inverno é marcado pela entrada de massas de ar frio vindas do sul do continente. Esses sistemas podem provocar queda de temperatura, formação de geadas no Sul, no Sudeste e em Mato Grosso do Sul, além de neve em áreas serranas e de planalto da Região Sul. Também podem ocorrer episódios de friagem em Mato Grosso, Rondônia, Acre e sul do Amazonas.
Outro efeito comum da estação é a formação de nevoeiros e névoa úmida pela manhã nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com redução de visibilidade em estradas e aeroportos. Ao mesmo tempo, a persistência de massas de ar seco em grande parte do país reduz a umidade relativa do ar, dificulta a ocorrência de chuva e favorece a propagação de queimadas e incêndios florestais.
A tendência para o trimestre também é influenciada pelo aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial. Segundo o prognóstico, as projeções do APEC Climate Center indicam 100% de probabilidade de manifestação de El Niño entre julho e setembro de 2026 e 99,4% de probabilidade de ocorrência de El Niño de forte intensidade. Por isso, o acompanhamento das atualizações climáticas será essencial, sobretudo nas principais regiões produtoras do país.




