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Geral

Aliado na escolha das espécies em Jerônimo Monteiro

por Redação Conexão Safra

em 11/08/2014 às 0h00

5 min de leitura

Laboratório de pesquisa da Ufes de Jerônimo Monteiro vai mapear estado e apontar qual a melhor espécie de planta para cada área. Pequeno agricultor também será beneficiado.


Cibele Maciel

cibeledovale@yahoo.com.br


Produtores rurais do Espírito Santo, especialmente da região do Caparaó Capixaba, podem contar com mais um aliado na tecnologia de produção. Trata-se do Complexo Multilaboratorial em Estudos de Mudanças Climáticas em Florestas Tropicais, recém-inaugurado pelo Departamento de Ciências e da Madeira do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em Jerônimo Monteiro. A cerimônia de inauguração, no dia 09 de junho, contou com lideranças políticas, representantes da Ufes e da comunidade.

Os estudos estão sendo desenvolvidos desde 2002, com expansão em 2006, mas a estrutura física adequada vai dinamizar os estudos. O empreendimento foi possível graças ao empenho da equipe de professores que aprovou uma verba de R$ 4,5 milhões junto à iniciativa privada e contra partida da Ufes.

O local é o primeiro do país, devido à estrutura. Segundo o chefe do Departamento de Ciências Florestais e Madeira, Professor Henrique Machado, no que se refere à universidade, o laboratório da Ufes de Jerônimo Monteiro é o único do Brasil. “Eu desconheço outro com a mesma infraestrutura. As agências de pesquisa do governo é que possuem instalações assim. Um laboratório completo e complexo numa única instituição, apenas o nosso tem ”, comenta.

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Através do laboratório, estudantes e professores vão pesquisar os efeitos das mudanças climáticas e seus aspectos sobre espécies florestais. O objetivo é entender o comportamento das plantas e avaliar os impactos das florestas diante da alteração do clima. “A pesquisa utiliza de câmaras climatizadas onde é possível controlar a temperatura e a radiação luminosa, além de elevar a concentração de gás carbônico e alterar a umidade do solo ”, explica Henrique.

No local também são testadas espécies com grande potencial econômico na região, como o eucalipto, utilizado na produção de madeira e celulose. O professor Henrique explica ainda que, resumidamente, os estudos vão avaliar o comportamento das plantas em diferentes condições climáticas. “O impacto não é o mesmo em todas as espécies, então a ideia é verificar qual delas vai sofrer maior ou menor impacto para direcionar nosso trabalho de melhoramento florestal e seleção de espécies adequadas para esses ambientes ”, finaliza.


Fortalecimento

A conquista do Complexo Multilaboratorial influenciou no fortalecimento da Ufes de Jerônimo Monteiro. A equipe comemora a vinda de uma pós-graduação de excelência, em nível de mestrado e doutorado, aprovado no ano passado. Atualmente, o campus conta com cerca de 250 alunos matriculados na graduação e pós, sendo que cerca de 30 utilizam dos laboratórios do complexo.

Os resultados obtidos nas pesquisas podem estimular alternativas mais sustentáveis no uso de recursos naturais, prever cenários, como o desaparecimento de fragmentos florestais na Mata Atlântica, além de antecipar o comportamento (crescimento e desenvolvimento) das plantas. Desta forma os estudos podem sugerir o tipo de espécie a ser plantada em cada região do Sul do Espírito Santo. Estes estudos serão divulgados através do Núcleo de Extensão Florestal que os farão chegar ao pequeno produtor através dos meios de comunicação.



CASA DE VEGETAÇÃO


As quatro Casas de Vegetação do Complexo Multilaboratorial da Ufes de Jerônimo Monteiro são seu destaque. Lá são simuladas condições ambientais para o crescimento de uma planta, como entrada de luminosidade no ambiente, temperatura, umidade e ingestão de CO2 (dióxido de carbono). Desta forma é possível trabalhar o comportamento da planta perante estes cenários.



PESQUISAS VÃO AJUDAR O PEQUENO PRODUTOR


Os estudos e as pesquisas realizadas pelos alunos e professores da Ufes de Jerônimo Monteiro podem ajudar o pequeno produtor da região na seleção de espécie. O professor Henrique explica que os resultados ajudarão a promover um zoneamento edafoclimático em todo Estado. Desta maneira será possível apontar qual espécie é indicada para cada região. “Uma planta que ‘vai bem’ em Cachoeiro de Itapemirim, pode não ter o mesmo desempenho em Dores do Rio Preto, pois os climas são diferentes ”, explica Henrique.



LABORATÓRIOS


O novo espaço abrigará os laboratórios de Manejo Florestal, Dendrocronologia (método científico de estabelecer a idade de uma árvore), Geoprocessamento, Incêndios Florestais, Carbono, Ecofisiologia e de Informática. Desta maneira, será possível, por exemplo, prever os impactos do aquecimento global, o aumento ou a diminuição da poluição, e as mudanças climáticas. Além disso, poderá simular vários cenários de clima, temperatura, umidade do ar e avaliar o desenvolvimento das plantas e do meio ambiente, bem como criar ações de prevenção, controle e combate aos incêndios florestais.


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