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Agricultores trocam roça pelo mercado de flores ornamentais

A atividade é a mais rentável atualmente, pois utiliza, em média, 3% da área das propriedades e participa em 43% da renda gerada nelas

por Redação Conexão Safra

em 22/01/2015 às 0h00

6 min de leitura

Agricultores trocam roça pelo mercado de flores ornamentais

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As flores enfeitam as montanhas capixabas. Na beira das estradas e nas rotas turísticas, elas colorem a paisagem. Já há algum tempo, os agricultores da região serrana do Estado apostam na floricultura como fonte de renda, incrementando os negócios nas propriedades rurais.

A atividade é mais rentável atualmente no agronegócio, pois utiliza em média 3% da área das propriedades e participa em 43% da renda gerada nelas, segundo levantamento do Sebrae/ES.

Só para comparar, o café ocupa uma área de 31% e gera somente 19% da renda na propriedade, ou seja, a floricultura é um setor que ocupa poucos espaços e tem um alto valor agregado em seus produtos.

“A floricultura requer tecnologia, empreendedorismo e profissionalismo ”, destaca o coordenador do Programa Estadual de Floricultura, Carlos Alberto Sangali de Mattos, do Incaper.

Em Alfredo Chaves, cerca de 20 famílias do clã Mion, em São Brás, zona rural do município, estão empenhadas na produção de copos-de-leite. Neste período de alta produção, elas colhem aproximadamente 4.000 dúzias por semana.

Há 15 anos, o cultivo aumentaa renda das famílias, que produzem ainda café e morango. A agricultora Tereza Machado Mion, a “Terezinha ” (63) conta que iniciou o plantio da flor para embelezar o quintal e depois foi cultivando novas mudas para comercializar. “Hoje, toda a nossa família se dedica aos copos-de-leite e o resto do tempo ao café e ao morango ”, diz Terezinha.


O período de alta produção inicia em junho e se estende até novembro. Nos demais meses, são colhidas uma média de 500 dúzias semanais. “Agosto é um mês de farta produção e pouca procura, pois quase não há casamentos. Precisamos colher as flores para limpeza das plantas e descartá-las ”, lamenta Terezinha.Numa área com pouco mais de 10 mil metros quadrados, as flores formam um lindo canteiro, que encanta quem passa pela região. “Tem domingo que muitas pessoas param com o carro aqui próximo e ficam da estrada fotografando ”, conta Verônica Favato Mion, outra produtora da família.

Por ano, em média, são colhidas cerca de 60 mil dúzias da flor. “Em agosto vendemos muito pouco, as flores são perdidas. Agosto é o mês do desgosto até na floricultura ”, brinca Terezinha.

Grande parte da produção é vendida para uma empresa de Vila Velha que encaminha para São Paulo. O restante é comercializado para floriculturas e moradores da região.

Espécie aquática garante renda extra para colonos

Em Nossa Senhora do Carmo, no distrito de Aracê (Domingos Martins), a força da natureza, somada ao senso empreendedor de um casal de colonos, fez brotar no lago uma espécie de flor cada vez mais apreciada. É a ninfeia, que exala um perfume bastante agradável e produz o ano inteiro.

O Sítio Nosso Recanto fica a três quilômetros da BR-262, com acesso pelo trevo de Pedra Azul. Sebastião Pianzola e Maria Aparecida Borges contam que, há sete anos, produziam apenas hortênsias, amoras pretas e framboesas. Certa vez, encontraram uma muda de ninfeia e resolveram testá-la em um dos dois açudes da propriedade.

Para surpresa do casal, a planta se reproduziu rapidamente, cobrindo quase todo o lago nas cores rosada e roxa. “No lugar onde havia somente taboa, hoje temos cerca de sete mil ninfeias nos dois lagos ”, diz Pianzola.

A partir da primeira florada, os agricultores passaram a testar a resistência da flor fora da água para comercializá-la. “No inverno, a flor dura cinco dias. Já no verão, ela continua bonita e aberta de uma semana a quinze dias ”, afirma Aparecida.

A colheita acontece de maneira tradicional. O agricultor mergulha e fica com água até metade do corpo porque as plantas estão enraizadas no fundo do lago. O caule da ninfeia também permanece submerso.

Para colher as flores, os colonos aproveitam os dias de sol, uma vez que elas só abrem diante da luz ou em noites de lua cheia.

De acordo com Sebastião Pianzola, cada planta produz de seis a oito flores. Em feriados prolongados, chega-se a colher de 20 a 40 dúzias, e a venda é garantida, principalmente na Rota do Lagarto, onde o produto tem freguesia certa.

Nas festas de fim de ano, o casal chega a vender 400 dúzias por semana, cada uma saindo a R$ 12,00. “O povo se encantou desde a primeira vez que vendemos ninfeias. Muitos turistas gostam de enfeitar a casa com elas. Até noiva já fez buquê com a flor ”, diz Aparecida.

O dinheiro com as vendas ajuda a manter as despesas de casa e a investir nos negócios. De acordo com Sebastião, o próximo passo será adquirir roupas de mergulho para evitar hipotermia durante a colheita no lago, principalmente nos dias frios, típicos da região de Pedra Azul. “Já estou em negociação com uma revenda de Guarapari ”, informou o agricultor.

Em um lago menor, também no sítio, o casal testa ainda mudas de vitória-régia. Enquanto as ninfeias abrem de dia e fecham de noite, com a vitória-régia acontece o contrário e serão necessárias mais pessoas na colheita.

Antúrios em parada obrigatória para turistas rumo ao litoral

A Rodovia Geraldo Sartório é um acesso muito utilizado por turistas que buscam o litoral Sul do Estado a partir da BR-262. É nessa rodovia estadual, que liga a 262 a Vargem Alta, que mora Cláudio Gagno, produtor de antúrios há seis anos. A localização dele favoreceu o negócio de floricultura.

Ele mantém duas estufas repletas de antúrios a um quilômetro da BR, na localidade de São Paulo do Aracê, em Domingos Martins. Ao todo são 60 variedades entre roxo, vermelho, lilás, laranja, verde e preto.

As plantas custam, em média, de R$ 20 a R$ 25,00. De acordo com Gagno, a procura aumenta principalmente na temporada de verão. “Os turistas vão para a praia e, quando voltam, levam um vaso de antúrio para casa. Já recebi clientes capixabas, mineiros, do Rio de Janeiro, Bahia, Mato Grosso e até do Acre ”, conta o produtor.

O antúrio é uma flor ornamental que fica bem tanto na decoração de casa quanto nas festas de casamento. Segundo Gagno, são dois anos para as plantas darem flor. A adaptação do antúrio ao clima é um ponto a favor, uma vez que se desenvolve em lugares frios ou quentes.

O cultivo precisa de estufas com 80% de sombrite, um tipo de lona usada para não dar umidade. A dica do produtor é regar apenas as folhas.

Para Gagno, a floricultura é uma atividade lucrativa. Ele, que já plantou tomate e morango, disse que investiu no setor depois de sofrer com os altos e baixos da agricultura.

“A floricultura é uma saída, pois você pode colocar o preço que quiser no produto. &Agrave,s vezes damos um desconto para o cliente ficar satisfeito. Nada comparado &agrave,s cotações de hortigranjeiros, onde um dia o produto custa R$ 100 e no outro, R$ 5 ”, lembra o produtor.

A segunda estufa está em fase de finalização e vai abrigar somente a produção de sementes para geração de novas mudas, algumas por cruzamento de espécies. “A partir de fevereiro teremos novidades ”, anuncia.

Serviço:

Copos-de-leite (clã Mion)




São Brás- Alfredo Chaves

*Turista pode agendar colheita pelo telefone (28) 9 9957-8269

Sítio Nosso Recanto (ninfeias)

Nossa Senhora do Carmo- Domingos Martins

Tel: (27) 9 9854-4515

Antúrios (Cláudio Gagno)

São Paulo do Aracê- Domingos Martins

Tels: (27) 9 9945-8844/ 3248-1349





















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