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A produção de uvas em Jerônimo Monteiro avança como alternativa agrícola no município do sul do Espírito Santo. O agrônomo e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Marco Aurélio Caiado, o “Lelo”, conduz o cultivo na Fazenda Recreio do Panamá, localizada a 9 km da sede, no sentido Alegre.
Natural do município e integrante da quarta geração da família Caiado na propriedade, Lelo (62) é doutor e coordenador do curso de Tecnologia em Cafeicultura do Ifes de Alegre. Ele atuou por muitos anos no campus de Vitória e, por volta de 2019, passou a trabalhar em Alegre. A área do cultivo de uvas pertence a ele e a três irmãos. A aquisição ocorreu quando ainda realizava doutorado nos Estados Unidos.
A propriedade, que foi de seu bisavô e já se estendia até o Rio Norte, passou por reorganização ao longo do tempo. Parte das áreas mais inclinadas e de preservação permanente foi mantida como floresta. As áreas menos inclinadas foram destinadas à laranja, em cerca de 7 hectares, enquanto a parte mais úmida foi direcionada à pastagem. O primeiro plantio realizado foi de mogno, em 10 hectares.

A partir de 2011, o produtor avaliou que a uva poderia apresentar melhor resultado econômico que a laranja, em um contexto de preços baixos do café. O projeto de viticultura começou a ser estruturado em 2018, com o plantio iniciado em 2020. Atualmente, Caiado cultiva 1,1 hectare de Niágara Rosada e 0,3 hectare de uvas viníferas. Foram testadas cerca de 400 mudas de diferentes variedades.
Entre as viníferas, permaneceram as variedades Syrah e BRS Lorena, esta última desenvolvida pela Embrapa. Segundo o produtor, as duas apresentaram maior resistência a fungos, problema recorrente na região devido ao verão chuvoso. Das cinco variedades inicialmente plantadas, essas foram as que melhor se adaptaram às condições locais.
A técnica adotada inclui a chamada dupla poda. O manejo permite que a maturação ocorra no inverno, período com dias ensolarados e noites mais frescas. A estratégia busca melhorar a qualidade da fruta e, no caso das viníferas, viabilizar a produção de vinho. “A uva é uma planta que se não tomar muito cuidado, pássaros e insetos comem, doenças atacam e há falta de nutrientes”, afirma o produtor.
Essa é a quarta colheita da Niágara Rosada. A produtividade registrada é de cerca de cinco quilos por planta, o que representa aproximadamente 20 toneladas por hectare. A safra começou no fim de dezembro de 2025 e terminou em fevereiro deste ano. A estimativa parcial é de cerca de 15 toneladas colhidas em metade do parreiral. Um talhão ainda está em poda e deve produzir entre junho e julho.
A Niágara Rosada é comercializada na Grande Vitória, em Castelo e em redes de supermercados. Parte das entregas ocorre para comerciantes que revendem a granel. Segundo Lelo, a demanda tem aumentado nos pontos de venda onde a fruta é oferecida. “Nos mercados em que colocamos a uva, quando os consumidores provam em um dia, no outro querem aquela mesma uva”, relata.
Para a Secretaria de Estado da Agricultura (Seag), iniciativas como a de Jerônimo Monteiro indicam potencial de diversificação produtiva no campo capixaba. “Incentivar o cultivo de uvas em Jerônimo Monteiro e no Sul do Espírito Santo é apostar em uma fruticultura de maior valor agregado, capaz de diversificar a renda no campo, fortalecer a agricultura familiar e abrir novas possibilidades de agroindustrialização e turismo rural”, afirma o ex-secretário, Enio Bergoli.
Ainda de acordo com Bergoli, o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (Pedeag 4 2023/2032) mostra que esse caminho depende de assistência técnica qualificada, pesquisa adaptada aos microclimas locais, organização dos produtores e políticas públicas consistentes. “Com planejamento, a uva pode se consolidar como mais uma vocação promissora para o desenvolvimento sustentável da região”.
Na mesma linha, o gestor de projetos da Seag, Filipe Barbosa Martins, avalia que a atividade pode ampliar oportunidades para produtores rurais. “O incentivo à produção de uvas no Espírito Santo pode representar uma importante oportunidade para fortalecer a agricultura familiar, promovendo diversificação de culturas, geração de renda e maior estabilidade econômica para pequenos produtores. Apoiar novos cultivos significa abrir caminhos para que as famílias rurais agreguem valor à produção, ampliem sua autonomia produtiva e encontrem novas oportunidades de comercialização e agroindustrialização”.
A experiência na Fazenda Recreio do Panamá também reforça a busca por novas alternativas produtivas em uma região tradicionalmente associada a outras atividades, ampliando o debate sobre diversificação agrícola e desenvolvimento regional no sul do Espírito Santo.
Viticultor mantém tradição de 45 anos em Alfredo Chaves
Há mais de 45 anos, o cultivo da uva faz parte da rotina e da história do viticultor Severino Busato, em São Bento de Urânia, zona rural de Alfredo Chaves. Em meio ao cenário típico do campo, cercado por parreirais e pelo trabalho familiar, a propriedade tem se tornado ponto certo para quem busca viver a experiência rural e consumir produtos direto do produtor.

Atualmente, Severino cultiva cerca de 200 pés de uva, das variedades Isabel, Isabel Precoce e Niágara, mantendo viva uma tradição passada de geração em geração. O diferencial está no contato direto com quem produz. Os visitantes são recebidos todos os dias, conhecem de perto o cultivo, provam as frutas no parreiral e podem comprar a uva direto do pé, colhida na hora.
O trabalho no campo é fortalecido pela união da família. A mulher, Zelinda, o filho Valdir, e a neta, Esther, participam ativamente do dia a dia da propriedade, acolhendo os turistas e ajudando no atendimento. Além das uvas, a família também comercializa uma variedade de produtos artesanais preparados ali mesmo, como geleias, licores, pão caseiro e outras delícias feitas com cuidado e sabor por dona Zelinda.
Quem deseja conhecer a propriedade e garantir uvas frescas diretamente do produtor pode ir até São Bento de Urânia. O acesso pode ser feito pela BR-262, via Victor Hugo, ou por Alfredo Chaves, seguindo pela localidade de Matilde/Carolina. (*Fonte: PMAC)






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