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Considerado um dos melhores do mundo, por sua qualidade e boa reputação, o mamão produzido no Brasil caiu nas graças dos chilenos. O país vizinho anunciou, em meados de março, a abertura do mercado para a exportação da fruta brasileira.
No Espírito Santo, Estado que mais produz e exporta mamão no país, exportadores e produtores falam da expectativa com mais essa possibilidade de negócios. Com vários anos de experiência no cultivo e comercialização da fruta, Rodrigo Martins, de Linhares, aponta algumas vantagens de ter o Chile como parceiro comercial.
“Primeiro que a conquista de um novo mercado proporciona oportunidade de incremento maior no faturamento. Outro fator importante é que o transporte será feito por via terrestre, o que possibilita exportarmos nossa fruta com uma logística mais econômica e fazendo com que chegue ao mercado consumidor com um preço mais competitivo”, destaca.
Além disso, segundo Rodrigo, “o fato de ser o Chile um dos maiores exportadores de frutas da América do Sul também nos traz possibilidades de trocas de experiências com grandes produtores e exportadores locais”.
Anízio Moreno também trabalha com a fruta e pontua que a qualidade do mamão brasileiro e a expertise dos produtores foram fundamentais para abertura do novo mercado.
“Esse anúncio significa que o produto papaya do Brasil é muito bem aceito por todos os países que importam do mesmo. Temos diversos países na América Central e México que são produtores, mas não conseguem ter um produto com qualidade e rastreabilidade do campo até a mesa do consumidor da forma que o Brasil faz através de empresas especializadas na exportação do produto”.
Os municípios principais produtores de mamão no Espírito Santo são Pinheiros, que responde por 23,89% da safra, seguido por Pedro Canário (13,91%), Linhares (13,65%) e Montanha (13,15%), segundo dados do Anuário do Agronegócio Capixaba. O Brasil exporta para Europa, Estados Unidos e outros países da América do Sul, como Uruguai e Argentina.
Longa negociação
O anúncio da abertura do mercado chileno veio após vários meses de negociação. Em 2022, produtores de Linhares receberam a visita de uma comitiva do Chile, juntamente com representantes do Ministério da Agricultura (Mapa) e da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex) e o setor produtivo, para verificar o controle fitossanitário na produção do mamão.

Meses depois, representantes da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) estiveram no Chile com produtores brasileiros para conhecer as particularidades de consumo de mamão no país latino-americano.
“Foram meses de conversa. Recebemos eles aqui, fomos recebidos lá por eles, e agora o plano já está finalizado e assinado. A próxima etapa é o Ministério da Agricultura abrir o credenciamento para as empresas interessadas em exportar. Tão logo seja feito o credenciamento as exportações já podem iniciar. É para agora, em pouco tempo já está liberado para as exportações. É mais um mercado aberto com possibilidade de exportação e ampliação das exportações”, comenta o diretor executivo da Brapex, José Roberto Macedo Fontes.





