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Os cafés Pronova iniciam uma nova fase sob o comando do barista e torrefador Leonardo Machado e sua esposa Marina Ribeiro, que assumiram a produção e a operação comercial da marca na Serra, Grande Vitória, com uma estratégia voltada inicialmente para os marketplaces e, posteriormente, para a entrada em grandes redes de supermercados.
O anúncio foi feito no final de julho, em Santa Maria de Jetibá. A mudança resulta de conversas iniciadas há alguns meses, dentro do processo de reposicionamento conduzido pela cooperativa e da busca por novas alternativas comerciais para a Pronova.
A relação de Machado com a marca começou em 2017, quando a Nater Coop ainda se chamava Coopeavi. Ele participou do projeto de lançamento da Pronova e, durante a pandemia, afastou-se da iniciativa para se dedicar à própria cafeteria e à torrefação.
Ao relembrar esse percurso, o barista contou como surgiu a proposta para a nova etapa. “Eu comecei em 2017, junto com a Nater, no projeto que ainda era Coopeavi, o projeto da Pronova. Teve o lançamento da marca e tudo mais. Nos reposicionamentos que a Nater fez agora, a gente vem concluir uma conversa iniciada há alguns meses, na busca de alternativas comerciais. Eu recebi da Nater uma proposta para assumir a Pronova”, afirmou.
A operação será desenvolvida a partir da estrutura empresarial e produtiva já mantida por Machado na capital capixaba. “Debaixo do hub que é a minha torrefação, assumiremos a marca Pronova. Eu e a Marina vamos tocar, na Serra, a produção e os cuidados comerciais da Pronova a partir de agora”, explicou.
História ligada ao café de qualidade
Criada no ambiente cooperativista, a Pronova consolidou uma trajetória associada à valorização dos cafés de qualidade e das diferentes origens produtoras do Espírito Santo. Para Machado, a nova gestão terá o desafio de preservar essa identidade ao mesmo tempo em que amplia o alcance comercial da marca.
Ao dimensionar a responsabilidade da nova etapa, ele destacou a herança construída ao longo dos anos. “É um desafio manter o que foi construído. A história da Pronova é casada com a história do café de qualidade no Brasil. Eu falo que o capixaba pisa em favos de mel, e o mel, nesse caso, é o café especial. No nosso terroir, nas nossas características, o café da Pronova traz isso. Essa é a essência”, disse.
O cooperativismo também ocupa um lugar central na história da marca, ao aproximar produtores, consumidores e famílias envolvidas na cadeia do café. “São famílias que conectam famílias. O cooperativismo tem toda essa riqueza. A Pronova ter crescido da forma como cresceu só foi possível por causa da Nater. Isso é fato. É um baita desafio manter o que vem de tradição e a inovação que a Pronova representou no cooperativismo brasileiro”.
Retomada pelos marketplaces
Os primeiros movimentos comerciais da nova fase estarão concentrados nos canais digitais. A Pronova já iniciou a retomada das vendas no Mercado Livre e na Shopee. A entrada na Amazon também está prevista, mas ainda depende dos procedimentos necessários para a inclusão dos produtos na plataforma.
“Nós vamos recomeçar pelos marketplaces, porque essa é a dinâmica para chegar ao consumidor hoje. A logística está bem resolvida no pós-pandemia, e os marketplaces conseguem fazer com que o café chegue à casa do consumidor muito rápido.”
A aposta nos canais digitais está relacionada também à mudança no comportamento dos consumidores de cafés de qualidade, que passaram a buscar produtos torrados mais recentemente e entregues em prazos menores.
“O consumidor já se acostumou com o frescor do café bem torrado. Eu falo que a ignorância é uma bênção, mas a bênção, nesse caso, acabou. Ninguém mais quer café envelhecido em casa. O consumidor quer café fresco”, declarou.
A estratégia comercial inclui ainda a tentativa de inserir a Pronova em redes de supermercados. A intenção é alcançar não apenas consumidores que já conhecem o universo dos cafés especiais, mas também o público que procura alimentos de maior qualidade no cotidiano.
“Vamos tentar entrar nas grandes redes de supermercados para que o café possa chegar à casa do consumidor de modo geral. Não só daquele que busca ou já conhece o que é café especial, mas do consumidor comum, que quer consumir um alimento de qualidade. O café especial é isso.”
Do design à cadeia do café
Antes de se dedicar integralmente ao café, Leonardo Machado trabalhava com design e fotografia. A entrada no barismo levou o profissional a aprofundar o conhecimento sobre torra, origem, produção e relacionamento com as famílias produtoras.
Para ele, o trabalho do barista não se limita à preparação da bebida ou às técnicas de latte art. A compreensão do café passa pelo contato com quem produz e pelo conhecimento das histórias existentes em cada propriedade.
“O caminho mais profundo é o relacionamento com as pessoas. Café é uma reunião. Você tem que conhecer o produtor, a vida dele, o café que produz, como produz aquele café e como os olhos dele brilham quando vê o café maduro no pé. Daí estamos falando de café especial, e não só daquela bebida amarga em que se coloca açúcar.”
A nova fase reúne diferentes pontos da trajetória do barista: a relação com os produtores, o conhecimento da torra, a experiência no atendimento aos consumidores e a participação no projeto da Pronova desde os primeiros anos da marca.





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