Mais lidas 🔥

Premiação internacional
Do cafezal ao Vale do Silício: capixaba conquista prêmio internacional com invenção

Café de valor agregado
Nova modalidade de café chega ao Vale do Jequitinhonha com financiamento do BNB

Anuário do Agronegócio Capixaba 2025
Da lavoura ao mundo: o domínio capixaba da pimenta-do-reino

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 26 de agosto

Artigo
Ameaça à cafeicultura brasileira

O interesse cultural pelo agronegócio e suas diversas ramificações na sociedade permanece alto. Uma das principais vitrines desse destaque são as obras de ficção que, em cada época e a seu modo, jogam luz sobre a vida, a rotina e os desafios de quem lida com esse universo. O chamado “Brasil profundo” sempre gerou curiosidade, sendo retratado em livros, novelas e reportagens que marcaram gerações e seguem fazendo bastante sucesso.
Nos últimos dois anos, com o arrefecimento das restrições pandêmicas e a volta de produções inéditas ao horário nobre, a população se mobilizou para assistir e debater a segunda versão de “Pantanal”, três décadas após a original. Misticismo, lendas e paisagens exuberantes se misturaram com temas perenes como conflitos latifundiários, preservação ambiental e sucessão familiar. O público respondeu com altos índices de audiência e numerosos prêmios da crítica especializada.
Logo em seguida, um título antigo do mesmo autor voltou a ser reprisada durante as tardes. Em “O Rei do Gado”, Benedito Ruy Barbosa abordou a rivalidade entre produtores vizinhos durante décadas, a demanda dos movimentos sociais pela reforma agrária e os esforços e retrocessos políticos nesse sentido. Dramas pessoais se fundiam às pautas públicas, com o enredo repercutindo nas páginas de economia e até sendo objeto de pronunciamentos na tribuna do congresso nacional.
Por fim, Walcyr Carrasco lança, em 8 de maio, “Terra e Paixão”, com elenco de veteranos e promessa de rivalidade no campo, com gravações realizadas no Mato Grosso do Sul. Em paralelo a essa profusão de histórias que mobilizam autores e telespectadores, uma nova tentativa de reforma tributária deve abranger o setor que é uma pujança do PIB e fonte inesgotável de discussões que afetam direta e indiretamente produtores e consumidores finais. Logística, transporte e infraestrutura também são tópicos atemporais num país que é protagonista no cenário mundial.
Graciliano Ramos escreveu “Vidas Secas” e “São Bernardo”, que tiveram adaptações para o cinema, enquanto Guimarães Rosa e seu cultuado “Grande Sertão: Veredas”, ao lado de “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, também entraram para o cânone literário nacional, influenciando fortemente a construção da identidade do homem do campo. Com suas características próprias e dilemas íntimos, permanece um expoente do imaginário popular, ao lado de abordagens que uniram lirismo e humor, caso de Ariano Suassuna. Em sua festejada filmografia, Glauber Rocha ilustrou a aridez da terra e dos personagens, enquanto a música caipira, embrião do sertanejo, cantou os sentimentos universais que pavimentaram o apogeu de incontáveis duplas, com melodias e letras marcantes.
Desse modo, o agronegócio, dos seus primórdios, passando pela industrialização do país e chegando até as comodidades da tecnologia digital, segue alavancando a economia, gerando empregos, pautando políticas públicas e se consolidando como orgulho nacional, tanto pela demanda interna e externa, quanto pela sua influência na cultura, em suas mais variadas épocas, vertentes e formatos.




