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Por: Jorge Silva – Engenheiro Agrônomo e presidente do Crea-ES
A trajetória do agronegócio capixaba nas últimas décadas é motivo de orgulho para todos nós. Em um território que representa apenas 0,54% do Brasil, o Espírito Santo conseguiu alcançar resultados extraordinários, superando, proporcionalmente, até mesmo o desempenho nacional em diversos indicadores. Tornamo-nos referência em produtos como café conilon, pimenta-do-reino, gengibre e inhame, além de ocupar posições de destaque na produção de café (somando conilon e arábica), mamão e ovos de codorna. Trata-se de um feito que não aconteceu por acaso: é fruto de um modelo de desenvolvimento alicerçado na cooperação, na técnica e na confiança.
O sucesso capixaba nasceu da união de esforços entre o Estado, instituições de pesquisa e assistência técnica, um cooperativismo forte e atuante, entidades de classe alinhadas ao setor e, sobretudo, da determinação incansável dos produtores rurais. É essa parceria sólida que transformou grande parte do meio rural capixaba em um território multifuncional, no qual atividades tradicionais convivem, hoje, com experiências inovadoras como o turismo rural. Famílias inteiras encontraram nesse movimento uma nova forma de gerar renda, diversificar a produção e fortalecer a permanência no campo. Pouquíssimos estados brasileiros avançaram tanto nesse sentido quanto o Espírito Santo.
Ao analisarmos estudos estratégicos como “As 8 Macrotendências Mundiais de Mercado até 2030”, elaborados pela Fiesp/Ciesp, percebemos o quanto estamos alinhados ao futuro. Entre elas, estão o aumento da demanda por alimentos e energia, a urbanização acelerada, as mudanças nos padrões produtivos, a modernização da infraestrutura, o envelhecimento populacional e o crescimento das tensões geopolíticas. E é importante destacar: em todas essas áreas, os profissionais do Sistema Confea/Crea têm um papel essencial.
No Espírito Santo, o Crea-ES tem promovido, nos últimos cinco anos, um ambiente favorável à atualização e à capacitação permanente. Cursos, congressos, simpósios, workshops e o apoio à participação em grandes eventos nacionais têm fortalecido a formação dos profissionais registrados, resultando em mais segurança à sociedade e valorização profissional. Investir no conhecimento é investir no desenvolvimento.
Entre todas as tendências globais, merece especial atenção a expansão do entretenimento e do turismo — um movimento que encontra no Espírito Santo um campo fértil. O ecoturismo e o turismo rural se consolidam como alternativas sustentáveis e de grande potencial: caminhadas em trilhas, banhos de cachoeira, contemplação da Mata Atlântica, vivências gastronômicas, cavalgadas, tirolesas, balonismo — experiências que aproximam o visitante da riqueza cultural e natural do nosso estado.
A aposta do produtor capixaba no turismo rural não foi apenas acertada; foi visionária. Ela revela a capacidade do Espírito Santo de inovar, de se reinventar e de enxergar oportunidades onde muitos ainda veem limitações. É essa mentalidade que nos trouxe até aqui — e que continuará nos impulsionando.
Parabenizo todos os profissionais, produtores, instituições e famílias que contribuíram para que o agro capixaba se tornasse referência nacional. Sigamos em frente. O que não podemos, definitivamente, é parar.




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