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Há municípios que produzem. Há municípios que crescem. E há aqueles que, em algum momento da sua história, percebem que não basta produzir mais: é preciso produzir melhor, agregar valor e criar condições para que a riqueza permaneça onde ela nasce.
Pinheiros parece ter entendido isso.
Talvez esteja aí uma das respostas para explicar por que o município, no extremo norte capixaba, vem ganhando um protagonismo cada vez maior no agronegócio do Espírito Santo.
A Pinheiros AgroShow é uma das expressões mais visíveis desse movimento. Mas ela é consequência, não causa. Antes da feira, existe uma agricultura forte, diversificada e, sobretudo, uma gente acostumada a olhar para a propriedade rural como negócio.
O café conta uma parte importante dessa história.
Em 2019, quando nasceu o Concurso de Qualidade do Café de Pinheiros, o desafio era também cultural: mostrar que o conilon poderia ser reconhecido não apenas pelo volume, mas pela qualidade. Na primeira edição, o café vencedor ainda não alcançava 80 pontos. Sete concursos depois, os dez primeiros colocados ultrapassaram 82 pontos. Em 2025, o campeão chegou a 85.
É uma mudança que não acontece por acaso. Ela resulta de assistência técnica, conhecimento, insistência e, principalmente, da disposição do produtor para mudar a maneira de fazer.
Agora, Pinheiros dá outro passo: quer aproximar o cafeicultor do consumidor. A minitorrefadora anunciada durante a Pinheiros AgroShow pretende permitir que o produtor torre, moa, embale e comercialize seu próprio café dentro do município. É uma ideia simples na aparência, mas enorme na lógica econômica: levar o produtor da lavoura à marca, da produção à prateleira.
É o valor agregado ficando mais perto de quem produz.
Mas existe algo em Pinheiros que os números não conseguem explicar sozinhos.
Há uma capacidade pouco comum de reunir, em torno de um mesmo projeto de desenvolvimento, forças que muitas vezes caminham separadas: grandes empresários, pequenos e médios produtores, lideranças rurais, estrutura sindical e poder público. Cada um com seus interesses, suas dimensões e seus desafios, mas capazes de reconhecer que o crescimento de um município depende da força do conjunto.
Talvez seja essa uma das maiores riquezas de Pinheiros.
Não se trata de apagar as diferenças entre quem produz em pequena escala e quem administra grandes empreendimentos. Trata-se de compreender que todos fazem parte da mesma engrenagem. Quando a prefeitura cria condições, quando o setor produtivo participa, quando o sindicato organiza e representa, quando o empresário investe e quando o produtor aceita inovar, o resultado ultrapassa os limites de cada propriedade.
É assim que um município jovem pode construir uma economia com a maturidade de quem sabe onde quer chegar.
E talvez seja justamente essa capacidade de dar o próximo passo que diferencie Pinheiros.
O município não construiu sua força apenas em uma cultura. Café, mamão, pimenta-do-reino, citros, mandioca, silvicultura e outras atividades compõem uma agricultura diversificada e irrigada. Essa variedade reduz dependências, cria oportunidades e revela uma característica importante de quem vive no campo por ali: a capacidade de experimentar, adaptar e empreender.
O tricampeonato de uma família de produtores de um assentamento mostra que essa transformação também não pertence apenas aos grandes. Ilca de Souza Gonçalves e o filho Igor representam uma agricultura em que experiência, formação técnica, dedicação e conhecimento caminham juntos. Eles chegaram novamente ao primeiro lugar porque, por trás de uma xícara de café de 83,83 pontos, existem dias de trabalho, escolhas e cuidado.
É essa soma que faz um município avançar.
Pinheiros é diferente porque não parece esperar que o futuro chegue pronto. Está construindo o seu, na lavoura, na assistência técnica, nos concursos de qualidade, nas feiras, nos negócios e agora também na busca por transformar matéria-prima em produto.
Talvez seja essa a verdadeira dimensão da Pinheiros AgroShow.
Além de ser uma feira que movimenta negócios e reúne produtores, empresas e instituições, ela se tornou uma espécie de retrato de um município que descobriu que o agronegócio não termina na porteira.
E quando um lugar aprende isso, muda também a forma de enxergar o próprio campo.
Pinheiros ainda é jovem em sua história, mas já demonstra uma característica que muitos municípios levam décadas para construir: a compreensão de que desenvolvimento não se faz sozinho.
Faz-se quando diferentes mãos escolhem empurrar a mesma porta.
E talvez seja por isso que Pinheiros seja diferente.
Não apenas pelo que produz.
Mas pela capacidade de se unir para produzir o futuro.






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