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O Espírito Santo encerrou 2024 reafirmando sua posição de maior produtor e exportador de pimenta-do-reino do Brasil. Responsável por 61% da oferta nacional, o estado colheu 73,5 mil toneladas em uma área de 20,2 mil hectares, mantendo desempenho elevado apesar da leve queda na produtividade em relação ao ano anterior.
Os dados mostram que a cultura passou por forte expansão na última década. Em 2014, o estado produziu 7,6 mil toneladas; em 2024, o volume é quase dez vezes maior. A área colhida aumentou continuamente, impulsionada pelo avanço tecnológico, pela adoção de sistemas de produção mais eficientes e pela consolidação de polos produtivos no Norte capixaba.
A partir de 2017, a produtividade passou a operar em um patamar mais estável, oscilando entre 3,6 mil e 4.000 quilos por hectare. Em 2024, o rendimento ficou em 3.634 kg/ha, influenciado por fatores climáticos e pela alternância natural das lavouras.
A produção é fortemente concentrada em cinco municípios. São Mateus lidera com 26.240 toneladas (35,71%), seguido por Rio Bananal (7.700 t), Vila Valério (6.667 t), Nova Venécia (5.650 t) e Pinheiros (4.200 t). Juntos, esses municípios respondem por mais de 68% de toda a pimenta produzida no estado.
Para garantir competitividade e sustentabilidade, o Governo do Estado começou a estruturar, em 2025, o Programa de Desenvolvimento Sustentável da Pipericultura Capixaba, que cria um currículo de sustentabilidade específico para a cultura, inspirado no modelo aplicado com sucesso na cafeicultura. Segundo o subsecretário de Desenvolvimento Rural da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), Michel Tesch, o objetivo é fortalecer a produção e ampliar a adoção de boas práticas. “Queremos replicar uma experiência consolidada e reconhecida nacional e internacionalmente”, destacou.
O diretor-geral do Incaper, Antonio Elias Souza da Silva, reforça que o órgão já está integrado ao processo. “Nossas equipes vão atuar na construção do programa e em ações de pesquisa, assistência técnica e extensão rural para tornar a cadeia ainda mais robusta, sustentável e competitiva”, afirmou.
A inovação também avança dentro das propriedades. Em Pinheiros, o engenheiro agrônomo e produtor Cássio Henrique destaca os resultados obtidos com a lona estática, tecnologia que reduz custos, otimiza a colheita e diminui o uso de herbicidas. O sistema mantém a umidade do solo por mais tempo e evita o contato dos frutos com o chão, preservando a qualidade da pimenta e reduzindo perdas. O investimento varia entre R$ 20 mil e R$ 25 mil por hectare, com retorno estimado em até três anos.
Com liderança consolidada, expansão tecnológica e um novo programa estadual estruturado, a pimenta-do-reino segue como uma das cadeias mais fortes do agronegócio capixaba.
Produtor amplia área de pimenta-do-reino de 20 para 200 hectares em quatro anos no ES
O produtor rural Sávio Cazelli Torezani tem protagonizado um dos exemplos mais recentes de expansão da cultura da pimenta-do-reino no Espírito Santo. Em 2021, ele iniciou o plantio com 20 hectares, dentro de um planejamento voltado para a sucessão da cultura do mamão. A ideia inicial era realizar uma substituição gradual, prática comum entre produtores capixabas, que geralmente adotam o café como principal alternativa.
Mas a dinâmica no campo mostrou outro caminho. Logo após o primeiro plantio, a pimenta-do-reino se destacou pela boa rentabilidade e viabilidade agronômica, revelando-se uma alternativa competitiva ao café na sucessão produtiva. A partir desse resultado, Torezani decidiu ampliar a escala e expandir a área plantada. Hoje, são 200 hectares cultivados nas Fazendas Taquetti, Duas Barras, São Rafael e Boa Vista.
Segundo o produtor, a rentabilidade da cultura tem sido um dos principais fatores que impulsionam o crescimento da pimenta-do-reino no Espírito Santo.
“O estado tem tradição no cultivo e reúne condições favoráveis de clima, solo e tecnologia. Mas o que tem impulsionado a expansão nos últimos anos é a boa relação entre o custo de produção e o retorno por hectare. O preço do quilo tem sido muito atrativo. Essa combinação — alta rentabilidade, ambiente favorável e estratégia de diversificação — tem levado muitos produtores a adotarem a cultura como forma de diversificação de renda, garantindo maior equilíbrio no fluxo de caixa e reduzindo a dependência de uma única atividade agrícola. E também explica por que o Espírito Santo segue como líder brasileiro na produção de pimenta-do-reino”, destaca Torezani.





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