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Aprendi algo muito valioso com nossa editora, Kátia Quedevez, logo no início do meu trabalho na Conexão Safra: “comunicação é o que o outro entende, e não o que queremos falar”.
Essa frase ficou gravada na minha mente e conduz todos os meus trabalhos na comunicação desde então. Mas algo sempre me intriga, e eu quero compartilhar aqui com você. Como eu vou me comunicar se quem aprende sempre sou eu?
Meu papel nunca foi ser destino final da informação, pelo contrário, me vejo mais como uma ponte entre o homem e a mulher do campo e nossa audiência. Confesso que, no início dessa jornada, me sentia como a ponte do rio que cai. Hoje, quem sabe, uma ponte de madeira bem construída, mas que precisa de manutenção constante.
Na comunicação e no marketing, a gente chama de persona a personificação do público que queremos atingir em um único personagem. Como se eu não falasse para muitas pessoas ao mesmo tempo, mas para uma única pessoa: com suas características, qualidades, defeitos, gostos e desejos.
Esse conceito é muito útil na comunicação por um motivo muito óbvio: se “queremos falar com todo mundo, não falamos com ninguém”.
Mas é agora que a vaca começa a escorregar no morro: como definir, com o mínimo de precisão necessária, a persona do agro?
Posso tentar?
Eu definiria o agro como uma pessoa corajosa e com uma determinação diferente, e até complexa. Afinal, o “vou fazer acontecer” no campo não funciona como no mundo corporativo: as métricas rurais demoram uma safra para serem atingidas, e o trabalho de hoje reflete em uma colheita incerta no futuro.
O agro acorda cedo todos os dias para fazer acontecer, sim, mas depende do clima e de tantos fatores para alcançar resultados. Mesmo assim, safra após safra, está ali. Isso sim é uma determinação!
O agro fala pouco e faz muito. Mas, apesar das poucas palavras, elas sempre chegam carregadas de sabedoria e inteligência emocional. Não a que encontramos nos livros, mas uma que a vida na roça parece ensinar naturalmente, e com abundância, a todos que aceitam o desafio de ser e viver do campo.
E tantas outras características de quem não pode parar, de quem entrega um resultado tão fundamental quanto o alimento que chega na sua e na minha mesa.
O agro sonha com o pé na terra, e seus desejos quase sempre brotam dela. E acredito que os muitos desafios que precisam ser enfrentados no dia a dia trazem o agro para viver o presente, esperar e desejar o melhor para sua lavoura e sua família, com uma fé que é pouco vista nas cidades.
A real é que o agro precisa enfrentar seus desafios com tanta força e coragem que, às vezes, se vê obrigado a guardar suas dores, ansiedades e sentimentos. E isso precisa de tanta atenção! O agro faz “supercoisas” acontecerem, mas é preciso lembrar que ele é feito de seres humanos reais e não de “superpessoas”. Apesar de quase sempre parecer!
Esse é o agro… Mas e então?
Voltamos às minhas pitangas choradas: como comunicar com uma persona tão complexa e especial?
Pretendo melhorar nesse sentido a cada dia, mas o que sei hoje é que tenho vivido, aprendido todos os dias e amado essa persona cada vez mais.
Um desafio é que o agro não é de muita reação, ele é pura ação. Não é de curtidas e comentários, não faz “barulho” nas redes sociais. O agro é pura atenção e presença. O agro é mais de abraço e olho no olho, e muito menos teclado.
Isso fica claro pra mim a cada evento que participamos, a cada conversa, a cada interação, a cada visita, a cada “eu vejo seus vídeos e gosto muito do seu trabalho” dito com tanta verdade no olhar. E digo isso com um sorriso de gratidão no coração. E está tudo certo porque eu sou um filhote do agro.
A Conexão Safra completa 15 anos este ano. São 15 anos colocando os produtores e as famílias no centro das suas pautas. A Conexão Safra é uma “debutante” com experiência em comunicação com e para o agro.
E eu percebo algo muito especial quando vejo a primeira revista lá de 2011 e o que nos guiou até aqui: o amor, a admiração e a vontade de traduzir em palavras todo o gigantismo que o agro representa e os personagens que fazem, quase que magicamente, as engrenagens do agronegócio girarem.
Enquanto eu sou uma ponte de madeira em reforço diário, a Conexão Safra já é uma ponte sólida e bem pavimentada, onde o agro que já passou por ela fez uma travessia segura.
Eu me sinto muito honrado em fazer parte dessa estrada tão linda que já foi construída ao longo de 15 anos.
E eu – esse produtor de conteúdo que vos escreve – sigo na missão de me comunicar com o agro: tão rico, tão cheio de encantos e mistérios. Com humildade e muita felicidade em ser parte do “espelho” da Conexão Safra, que não busca gerar imagens por conta própria, e sim refletir esse personagem tão incrivelmente encantador que é o agro.
Atenção!
Todos os “-” (travessões) usados neste texto foram cuidadosamente escolhidos e posicionados por um humano que também gosta de usá-los de vez em quando, assim como a IA.
Afinal, é impossível se comunicar com o agro se não for com o coração, e um coração verdadeiramente humano.





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