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O retorno do El Niño em 2026 já mobiliza meteorologistas, pesquisadores e o setor agropecuário. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com base nas previsões do Climate Prediction Center (CPC/Noaa), o fenômeno deverá influenciar o clima brasileiro até o verão de 2027. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) destaca que o acompanhamento contínuo das previsões é essencial para reduzir riscos no campo.
Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño altera a circulação atmosférica e modifica o regime de chuvas em diferentes regiões do planeta. Segundo nota técnica elaborada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em parceria com o Inmet, essas mudanças aumentam a probabilidade de eventos climáticos extremos.
No Sul do Brasil, a tendência é de chuvas acima da média, favorecendo o encharcamento do solo, a erosão, a lixiviação de nutrientes, as dificuldades no plantio e na colheita, além do aumento da incidência de doenças fúngicas. Em parte das regiões Norte e Nordeste, por outro lado, a tendência é de chuvas abaixo da média e estiagens mais frequentes, comprometendo o desenvolvimento das lavouras e a disponibilidade de água para irrigação.
As culturas mais sensíveis costumam ser soja, milho, trigo, arroz, feijão, café e hortaliças. Quando a produtividade diminui, a oferta de alimentos reduz e os preços tendem a subir. O impacto, entretanto, não se limita aos vegetais. Milho e soja são os principais componentes da ração utilizada na produção de aves, suínos e bovinos. Se esses grãos encarecem, toda a cadeia da produção animal pode sofrer aumento de custos, refletindo nos preços de carnes, leite e ovos.
Os reflexos do El Niño vão além do campo e podem ser percebidos no bolso do consumidor. Estudos econômicos apontam que esse episódio climático pode acrescentar entre 1 e 3,4 pontos percentuais à inflação dos alimentos, com impactos ainda maiores em episódios de forte intensidade, como o registrado entre 2015 e 2016.
É importante, porém, desmistificar o tema: El Niño não significa, necessariamente, quebra generalizada de safra ou desabastecimento. A Organização Meteorológica Mundial (WMO) destaca que o fenômeno aumenta a probabilidade de determinados eventos climáticos, mas seus efeitos variam conforme a intensidade do episódio e as características de cada região.
A melhor estratégia continua sendo a prevenção. Para os produtores, isso significa acompanhar boletins do Simepar, Inmet e Inpe, utilizar ferramentas como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), conservar o solo, manejar adequadamente a irrigação e planejar o calendário agrícola com base nas previsões sazonais. Para os consumidores, não há motivo para estocar alimentos. Diversificar a alimentação, priorizar produtos da estação e acompanhar as oscilações de preços são medidas suficientes para enfrentar eventuais aumentos pontuais.
Mais do que um fenômeno climático, o El Niño evidencia a necessidade de planejamento. Em um cenário de mudanças climáticas, transformar informações científicas em decisões estratégicas será essencial para garantir a produtividade no campo, a estabilidade do abastecimento e a segurança alimentar da população.
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